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Questão de Direito Tributário — Lei nº 12.016/2009 - Mandado de Segurança em Matéria Tributária — FGV 2026

Direito TributárioLei nº 12.016/2009 - Mandado de Segurança em Matéria Tributária
Código
fg157130
Banca
FGV
Órgão
TJ BA
Ano
2026
Cargo
JE TJBA
Uma empresa recolheu indevidamente Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ao longo de vários anos, gerando crédito em seu favor.   Posteriormente, deixou de pagar Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), alegando ter compensado por conta própria o indébito acumulado com o novo débito, sem prévia autorização da autoridade fiscal.   Diante dessa conduta, o Fisco lavrou auto de infração exigindo o pagamento do tributo não recolhido, acrescido de multa. Inconformada, a empresa impetrou mandado de segurança requerendo o reconhecimento da compensação já efetuada e a consequente extinção do crédito tributário correspondente, sustentando que seu direito à compensação decorre de lei. C   onsiderando a legislação e o entendimento consolidado dos Tribunais Superiores sobre a matéria, é correto afirmar que:
  1. Aé cabível o ajuizamento de mandado de segurança para homologar compensação já realizada e declarar extinto o crédito fiscal, dispensando fiscalização administrativa;
  2. Bé cabível o ajuizamento de mandado de segurança para declarar o direito à compensação e impedir a cobrança/autuação, não sendo este, porém, o meio cabível para requerer a extinção do crédito, uma vez que esta depende de homologação fiscal;
  3. Co mandado de segurança é inadequado para declarar compensação, devendo o contribuinte aguardar a homologação administrativa ou ajuizar ação ordinária;
  4. Da sentença do mandado de segurança tem efeito de declarar a tese jurídica, mas não pode fixar critérios nem impedir a autuação/cobrança, por invadir competência administrativa, devendo o impetrante requerer administrativamente a suspensão da cobrança;
  5. Ea Fazenda pode revisar compensação feita unilateralmente pela empresa a qualquer tempo, inexistindo decadência/homologação tácita para compensações.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — é cabível o ajuizamento de mandado de segurança para declarar o direito à compensação e impedir a cobrança/autuação, não sendo este, porém, o meio cabível para requerer a extinção do crédito, uma vez que esta depende de homologação fiscal;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mandado de segurança e compensação tributária: declarar o direito × convalidar o ato

Gabarito: letra B. O mandado de segurança é o meio adequado para declarar o direito à compensação tributária e, por consequência, impedir a cobrança/autuação, mas não serve para convalidar a compensação já realizada pelo contribuinte, pois a extinção do crédito depende de homologação fiscal — é exatamente essa fronteira entre as Súmulas 213 e 460 do STJ que a alternativa correta espelha.

A compensação tributária é uma das formas de extinção do crédito tributário previstas no Código Tributário Nacional (art. 156, II). O CTN autoriza a lei a permitir que o sujeito passivo compense créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, contra a Fazenda Pública (art. 170). No plano infraconstitucional, a Lei 9.430/1996 disciplina a compensação de tributos federais, permitindo que o contribuinte a realize mediante declaração — mas essa declaração está sujeita à homologação do Fisco, que verificará a existência e a liquidez dos créditos. É por isso que a compensação feita unilateralmente, sem autorização prévia, não extingue de imediato o crédito tributário: ela apenas o suspende até a manifestação da autoridade fiscal.

O ponto central da questão é o alcance do mandado de segurança nesse contexto. O STJ consolidou dois entendimentos que, lidos em conjunto, definem a resposta. De um lado, a Súmula 213: o mandado de segurança é ação adequada para a declaração do direito à compensação. De outro, a Súmula 460: é incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação tributária já realizada pelo contribuinte. A razão é simples: o mandado de segurança exige prova pré-constituída e não comporta dilação probatória; a convalidação da compensação demandaria a verificação da liquidez e certeza dos créditos, o que é atribuição privativa da autoridade fiscal. Assim, o contribuinte pode usar o mandado de segurança para obter o reconhecimento do seu direito de compensar (e, com isso, impedir a cobrança), mas a extinção do crédito tributário pela compensação só se opera com a homologação administrativa.

Na prática, imagine que uma empresa tenha crédito de IRPJ pago indevidamente e débito de Cofins. Ela pode impetrar mandado de segurança para que o juiz declare o seu direito à compensação, o que impede o Fisco de autuá-la enquanto pende a discussão. Mas, se ela já compensou por conta própria e o Fisco lavrou auto de infração, o mandado de segurança não é o meio para "homologar" essa compensação — isso seria invadir a competência administrativa. A empresa deveria, então, discutir a validade da compensação em ação própria (ordinária) ou aguardar a homologação administrativa.

A pegadinha da banca está em confundir declarar o direito (que o MS faz) com convalidar o ato (que o MS não faz). Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Critério

Mandado de Segurança (MS)

Homologação Fiscal

Objeto

Declarar o direito à compensação

Convalidar a compensação já realizada

Efeito

Impede a cobrança/autuação

Extingue o crédito tributário

Fundamento

Súmula 213 do STJ

Súmula 460 do STJ

Natureza da verificação

Prova pré-constituída (sem dilação probatória)

Liquidez e certeza dos créditos (ato administrativo)

Compensação tributária
  • 1Declarar o direito
    • MS cabível (Súmula 213 STJ)
    • Impede cobrança/autuação
  • 2Convalidar o ato
    • MS incabível (Súmula 460 STJ)
    • Exige homologação fiscal
    • Verificação de liquidez e certeza
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o mandado de segurança pode homologar a compensação já realizada e declarar extinto o crédito fiscal, dispensando a fiscalização administrativa. Isso contraria a Súmula 460 do STJ: é incabível o MS para convalidar a compensação. A homologação é ato privativo da autoridade fiscal, que deve verificar a existência e liquidez dos créditos; o Judiciário, via MS, não pode substituir essa verificação.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Espelha exatamente o entendimento consolidado: o MS é cabível para declarar o direito à compensação (Súmula 213 do STJ) e, com isso, impedir a cobrança/autuação; mas não é o meio para requerer a extinção do crédito, pois esta depende de homologação fiscal (Súmula 460 do STJ). A alternativa acerta ao separar o direito (declarável em MS) do efeito extintivo (dependente de homologação).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que o MS é inadequado para declarar compensação, devendo o contribuinte aguardar a homologação ou ajuizar ação ordinária. Isso contraria a Súmula 213 do STJ, que expressamente reconhece o MS como ação adequada para a declaração do direito à compensação. A inadequação é apenas para a convalidação, não para a declaração.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a sentença do MS não pode fixar critérios nem impedir a autuação/cobrança, por invadir competência administrativa. Isso é falso: o MS pode, sim, impedir a cobrança ao declarar o direito à compensação — é justamente o efeito útil da ação. A sentença que reconhece o direito à compensação obsta a exigibilidade do tributo, sem que isso configure invasão da competência administrativa (que permanece íntegra para a homologação).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Sustenta que a Fazenda pode revisar a compensação a qualquer tempo, inexistindo decadência/homologação tácita. Isso contraria o regime legal: a compensação declarada pelo contribuinte está sujeita a homologação, e o Fisco tem prazo decadencial para constituir o crédito tributário (regra geral de 5 anos, contados do fato gerador, nos termos do CTN). Não há revisão a qualquer tempo — há prazo para o Fisco se manifestar, sob pena de decadência.

Gabarito: letra B

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