Questão de Direito Processual Penal — Jurisprudência dos Tribunais Superiores sobre Assuntos Diversos ou Mesclados de Processo Penal — FGV 2026
Direito Processual Penal›Jurisprudência dos Tribunais Superiores sobre Assuntos Diversos ou Mesclados de Processo Penal
Código
fg157465
Banca
FGV
Órgão
OAB
Ano
2026
Cargo
NAC UNI
Marivaldo foi denunciado por organização criminosa e peculato. A denúncia foi lastreada, exclusivamente, no depoimento de Sérgio, corréu, que celebrou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público. Assim, recebida a denúncia, foram citados ambos os réus, sendo que a citação de Marivaldo ocorreu no dia 10/05, e a de Sérgio, no dia 20/05 do corrente ano. De acordo com o caso narrado, na qualidade de advogado(a) de Marivaldo, assinale a opção que apresenta a conduta adequada a ser adotada.
AO prazo de apresentação da resposta à acusação é de dez dias a contar da citação do último corréu, tratando-se de prazo comum às partes.
BO prazo de apresentação da resposta à acusação é de dez dias a contar da citação de Marivaldo, podendo ser encerrado antes do prazo de Sérgio.
CDeve ser alegada a violação ao contraditório, pois o corréu delatado deve participar das tratativas de celebração do acordo de colaboração premiada.
DDeve ser alegada a ausência de justa causa para o recebimento da denúncia, pois a palavra do colaborador, sem provas de corroboração, é insuficiente para o recebimento da denúncia.
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GabaritoD — Deve ser alegada a ausência de justa causa para o recebimento da denúncia, pois a palavra do colaborador, sem provas de corroboração, é insuficiente para o recebimento da denúncia.
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Colaboração premiada e justa causa para a denúncia
Gabarito: letra D. A palavra do colaborador premiado, desacompanhada de elementos de corroboração, não é suficiente para embasar o recebimento da denúncia — é o que decorre da Lei 12.850/2013, que exige que as declarações do colaborador sejam corroboradas por outros meios de prova. As alternativas A e B erram ao tratar do prazo da resposta à acusação, e a C confunde o direito ao contraditório com a participação nas tratativas do acordo.
A questão combina dois temas: o prazo para resposta à acusação em caso de litisconsórcio passivo e o valor probatório da colaboração premiada. O primeiro é regido pelo art. 406 do Código de Processo Penal; o segundo, pela Lei 12.850/2013, que disciplina a colaboração premiada como meio de obtenção de prova. A banca explora exatamente a confusão entre esses dois eixos: enquanto as alternativas A e B tratam do prazo, a correta (D) exige o conhecimento do requisito de corroboração da palavra do colaborador.
O prazo para resposta à acusação é de 10 dias, contados do efetivo cumprimento da citação de cada acusado. No caso de pluralidade de réus, o prazo é individual — cada um responde a partir da sua citação. Não há prazo comum às partes no processo penal para a resposta à acusação; a regra do art. 406, § 1º, é clara ao fixar o termo inicial no cumprimento do mandado de cada um. Portanto, a alternativa A, que fala em prazo contado da citação do último corréu, contraria a literalidade do dispositivo.
A alternativa B, por sua vez, acerta ao afirmar que o prazo de Marivaldo conta da sua citação, mas erra ao dizer que o prazo "pode ser encerrado antes do prazo de Sérgio" — isso é consequência natural da regra, não um erro em si. Na verdade, o prazo de cada réu é autônomo: o de Marivaldo começa em 10/05 e o de Sérgio em 20/05. A alternativa B está incorreta porque, embora o prazo seja individual, a redação sugere que o prazo de Marivaldo poderia ser encerrado antes do de Sérgio, o que é verdade, mas a alternativa não é a conduta adequada a ser adotada — a conduta adequada é alegar a ausência de justa causa.
A alternativa C é claramente incorreta: o delatado não participa das tratativas do acordo de colaboração — o acordo é celebrado entre o colaborador e o Ministério Público (ou autoridade policial), com homologação judicial. O contraditório do delatado é exercido no processo, quando ele pode impugnar as declarações do colaborador, mas não há direito de participar da negociação do acordo.
A alternativa D é a correta. A Lei 12.850/2013, ao tratar da colaboração premiada, exige que as declarações do colaborador sejam corroboradas por outros meios de prova para que possam fundamentar uma condenação. No momento do recebimento da denúncia, exige-se justa causa, ou seja, lastro probatório mínimo. Se a denúncia se baseia exclusivamente na palavra do colaborador, sem qualquer corroboração, falta justa causa — a denúncia não deve ser recebida. Esse é o entendimento consolidado na jurisprudência do STF e do STJ, que exige corroboração para a colaboração premiada.
Colaboração premiada (Lei 12.850/2013): Requisito de corroboração (Palavra do colaborador, Outros meios de prova); Sem corroboração (Falta justa causa, Denúncia não deve ser recebida); Acordo (Colaborador + MP, Homologação judicial, Delatado não participa)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O prazo de resposta à acusação é de 10 dias, mas é contado da citação de cada acusado, não do último corréu. O art. 406, § 1º, do CPP determina que o prazo flui do efetivo cumprimento do mandado de citação de cada um. Não há prazo comum às partes para a resposta à acusação no processo penal — a regra do art. 406 é individual. A alternativa erra ao afirmar que o prazo conta da citação do último corréu.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa acerta ao dizer que o prazo de Marivaldo conta da sua citação (10/05), mas erra ao afirmar que o prazo "pode ser encerrado antes do prazo de Sérgio" — isso é consequência da regra, mas a alternativa não apresenta a conduta adequada. A conduta adequada é alegar a ausência de justa causa, não discutir o prazo. Além disso, a redação sugere que o prazo de Marivaldo poderia ser encerrado antes do de Sérgio, o que é verdade, mas a alternativa não é a conduta adequada a ser adotada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O delatado não participa das tratativas do acordo de colaboração premiada. O acordo é celebrado entre o colaborador e o Ministério Público (ou autoridade policial), com homologação judicial. O contraditório do delatado é exercido no processo, quando ele pode impugnar as declarações do colaborador, mas não há direito de participar da negociação do acordo.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A palavra do colaborador, sem provas de corroboração, é insuficiente para o recebimento da denúncia. A Lei 12.850/2013 exige que as declarações do colaborador sejam corroboradas por outros meios de prova. No momento do recebimento da denúncia, exige-se justa causa, ou seja, lastro probatório mínimo. Se a denúncia se baseia exclusivamente na palavra do colaborador, sem qualquer corroboração, falta justa causa — a denúncia não deve ser recebida. Esse é o entendimento consolidado na jurisprudência do STF e do STJ, que exige corroboração para a colaboração premiada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura dois temas: o prazo da resposta à acusação (art. 406 do CPP) e o valor probatório da colaboração premiada (Lei 12.850/2013). O candidato que se fixa no prazo erra, pois a conduta adequada é alegar a ausência de justa causa. Lembre-se: a palavra do colaborador, sozinha, não basta para receber a denúncia — exige-se corroboração.
NÃO CAIA NESSA!
Para questões de colaboração premiada, lembre-se do requisito de corroboração: a lei exige que as declarações do colaborador sejam confirmadas por outros meios de prova. Se a denúncia se baseia só na palavra do colaborador, há ausência de justa causa. Fique atento a essa pegadinha clássica.