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Questão de Direito Penal — Exploração de Prestígio (art. 357 do CP) — FGV 2023

Direito PenalExploração de Prestígio (art. 357 do CP)
Código
fg158663
Banca
FGV
Órgão
CAM DEP
Ano
2023
Cargo
AL ( )
Tício solicita uma quantia em dinheiro a pretexto de influenciar Mévio, seu amigo pessoal e jurado sorteado para um júri de grande repercussão. O acusado não efetua o pagamento e Tício não tinha essa influência prometida. Nessa hipótese,
  1. Ao fato é atípico.
  2. Bexiste crime consumado de exploração de prestígio.
  3. Cexiste crime consumado de tráfico de influência.
  4. Dexiste crime consumado de corrupção passiva.
  5. Eexiste crime consumado de promessa de influenciar em juiz ou jurado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — existe crime consumado de exploração de prestígio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Exploração de prestígio (art. 357 do CP)

Gabarito: letra B. Tício solicitou dinheiro a pretexto de influir em jurado (Mévio), o que se amolda perfeitamente ao tipo do art. 357 do Código Penal — exploração de prestígio. O crime é formal: consuma-se com a simples solicitação, independentemente de o pagamento ser efetuado ou de a influência prometida existir de fato. A alternativa correta é a letra B.

A exploração de prestígio é um crime contra a administração da justiça, previsto no art. 357 do CP. O núcleo do tipo é "solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade, a pretexto de influir" em uma das pessoas ali enumeradas: juiz, jurado, órgão do Ministério Público, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha. A expressão "a pretexto de" é decisiva: o agente não precisa ter influência real sobre a autoridade — basta que alegue tê-la para obter a vantagem. É irrelevante que o prestígio seja verdadeiro ou falso, pois o que se pune é a exploração da credulidade alheia em detrimento da administração da justiça.

A consumação ocorre com a simples solicitação, ainda que não aceita, ou com o recebimento da vantagem. Trata-se de crime formal (de consumação antecipada), pois o tipo não exige a efetiva influência nem o resultado lesivo. No caso narrado, Tício solicitou a quantia a pretexto de influenciar Mévio, jurado sorteado — a solicitação já consuma o delito, sendo irrelevante que o acusado não tenha pago e que Tício não tivesse a influência prometida.

A distinção central que a questão explora é entre exploração de prestígio (art. 357) e tráfico de influência (art. 332). Ambos punem a exploração de suposta influência, mas diferem quanto à pessoa sobre a qual recai a pretensa influência: no tráfico de influência, o alvo é "ato praticado por funcionário público no exercício da função"; na exploração de prestígio, o alvo é especificamente juiz, jurado, órgão do MP, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha. Como Tício pretendia influir em um jurado, o enquadramento correto é o art. 357.

Outra distinção importante é com a corrupção passiva (art. 317), que exige que o agente seja funcionário público e solicite ou receba vantagem indevida em razão da função. Tício é particular e não atua em razão de função pública — logo, não há corrupção passiva. A alternativa E, "promessa de influenciar em juiz ou jurado", não corresponde a nenhum tipo penal autônomo no Código Penal; a conduta de prometer influência, quando acompanhada da solicitação de vantagem, é justamente a exploração de prestígio.

Guarde a fronteira entre os institutos: tráfico de influência (art. 332) = influir em ato de funcionário público; exploração de prestígio (art. 357) = influir em juiz, jurado, MP, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha. É exatamente nessa linha que as alternativas se dividem.

Critério

Exploração de Prestígio (art. 357)

Tráfico de Influência (art. 332)

Corrupção Passiva (art. 317)

Pessoa influenciada

Juiz, jurado, MP, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha

Funcionário público (ato no exercício da função)

Funcionário público (em razão da função)

Sujeito ativo

Particular (qualquer pessoa)

Particular (qualquer pessoa)

Funcionário público (crime próprio)

Momento consumativo

Solicitação ou recebimento (crime formal)

Solicitação ou recebimento (crime formal)

Solicitação ou recebimento (crime formal)

Exigência de influência real

Não (basta o pretexto)

Não (basta o pretexto)

Não (basta a solicitação em razão da função)

1Núcleo
Solicitar ou receber vantagem
A pretexto de influir
2Alvos (rol taxativo)
Juiz
Jurado
MP, funcionário de justiça
Perito, tradutor, intérprete
Testemunha
3Natureza
Crime formal
Consuma com a solicitação
Independe de pagamento
Independe de influência real
Exploração de prestígio (art. 357)
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Exploração de prestígio (art. 357): Núcleo (Solicitar ou receber vantagem, A pretexto de influir); Alvos (rol taxativo) (Juiz, Jurado, MP, funcionário de justiça, Perito, tradutor, intérprete, Testemunha); Natureza (Crime formal, Consuma com a solicitação, Independe de pagamento, Independe de influência real)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O fato não é atípico. A conduta de Tício se amolda ao art. 357 do CP, que tipifica a exploração de prestígio. A tipicidade está presente porque houve solicitação de dinheiro a pretexto de influir em jurado, elemento suficiente para configurar o crime.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Existe crime consumado de exploração de prestígio. O art. 357 do CP pune quem "solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade, a pretexto de influir em juiz, jurado, órgão do Ministério Público, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha". Tício solicitou a quantia a pretexto de influir em Mévio, jurado — a solicitação já consuma o crime, sendo formal e independente do pagamento ou da existência real da influência.

Art. 357CP

Art. 357 — "Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade, a pretexto de influir em juiz, jurado, órgão do Ministério Público, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha: Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa."

Alternativa C — ❌ Incorreta

Não há tráfico de influência (art. 332 do CP), pois esse crime se refere à influência em "ato praticado por funcionário público no exercício da função". O jurado não é funcionário público no exercício de função administrativa; ele exerce função pública sui generis no Tribunal do Júri, e o tipo específico do art. 357 o contempla expressamente. A banca troca o crime para confundir: a influência pretendida era sobre jurado, não sobre funcionário público em ato de ofício.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Não há corrupção passiva (art. 317 do CP), pois esse crime é próprio, exigindo que o agente seja funcionário público e solicite ou receba vantagem indevida "em razão da função". Tício é particular, não exerce função pública, e sua conduta não se enquadra no tipo. A corrupção passiva é crime praticado pelo funcionário público, não por terceiro que explora prestígio.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Não existe no Código Penal um crime autônomo de "promessa de influenciar em juiz ou jurado". A conduta de prometer influência, quando associada à solicitação ou recebimento de vantagem, é justamente a exploração de prestígio do art. 357. A alternativa inventa um tipo penal inexistente, que não encontra correspondência na legislação.

Gabarito: letra B

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