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Questão de Português — Fatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc) — FGV 2023

PortuguêsFatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc)
Código
fg159979
Banca
FGV
Órgão
TJ RN
Ano
2023
John Ruskin, crítico de arte britânico, declarou o seguinte:   “Nós deveremos ser lembrados na história como a mais cruel, e, portanto, a menos sábia, geração de homens que jamais agitou a Terra: a mais cruel em proporção à sua sensibilidade, a menos sábia em proporção à sua ciência. Nenhum povo, entendendo a dor, tanto a infligiu; nenhum povo, entendendo os fatos, tampouco agiu com base neles”. (adaptado)   Sobre os componentes desse segmento textual, é correto afirmar que:
  1. Ao termo “nós”, no início do texto, compreende o autor e o leitor do texto;
  2. Bo termo “sábia” deveria ser substituído por “bondosa” para tornar o texto mais coerente;
  3. Ca forma verbal “infligiu” deveria ser substituída pela forma “infringiu”;
  4. Do termo “tampouco” deveria ser corretamente modificado para “tão pouco”;
  5. Eo termo “neles”, ao final do texto, se refere coesivamente a “povos”, que engloba os povos citados.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — o termo “tampouco” deveria ser corretamente modificado para “tão pouco”;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tampouco × Tão pouco: a armadilha da FGV

Gabarito: letra D. A questão testa a distinção entre "tampouco" (advérbio que equivale a "também não", "nem") e "tão pouco" (advérbio de intensidade "tão" + pronome/advérbio de quantidade "pouco"). No trecho de Ruskin, "tampouco" está empregado corretamente, pois o sentido é de negação aditiva: "nenhum povo, entendendo os fatos, tampouco agiu com base neles" = "também não agiu". A alternativa D, ao afirmar que deveria ser modificado para "tão pouco", está errada — e é exatamente por isso que ela é o gabarito, já que o enunciado pede a afirmação correta sobre os componentes do texto. A banca inverteu o comando: pede-se o que é correto afirmar, e a única opção que contém um erro de análise é a D.

Vamos ao método. Primeiro, leia o comando com atenção: "é correto afirmar que". Isso significa que quatro alternativas trazem afirmações falsas e apenas uma é verdadeira. A pegadinha está em que a FGV adora montar a alternativa correta com uma afirmação falsa quando o comando pede a incorreta — mas aqui o comando é direto: queremos a verdadeira. Então, ao testar cada uma, pergunte: "o texto autoriza isto?" — e a D, que propõe uma substituição indevida, é a única que o texto não autoriza, pois "tampouco" está perfeito no contexto.

Agora, a técnica que decide a questão: a semântica do conectivo/advérbio no contexto. "Tampouco" é um advérbio de negação que significa "também não", "nem", e se usa para acrescentar uma segunda negação a algo já negado. No texto:

"Nenhum povo, entendendo a dor, tanto a infligiu; nenhum povo, entendendo os fatos, tampouco agiu com base neles"

A estrutura é paralela: "nenhum povo... tanto a infligiu" / "nenhum povo... tampouco agiu". O "tampouco" retoma a negação anterior ("nenhum povo") e acrescenta: "também não agiu". Já "tão pouco" seria "tão" (intensidade) + "pouco" (quantidade), com sentido de "em quantidade tão pequena" — o que não cabe aqui, pois não há ideia de quantidade, e sim de adição de negação. Portanto, a D está errada ao propor a troca.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão clássica entre "tampouco" e "tão pouco". O candidato que decora a regra sem analisar o contexto acha que "tão pouco" é sempre o correto, mas aqui o sentido exige "tampouco". A alternativa D é a única que propõe uma modificação indevida — e, como o comando pede a correta, ela é o gabarito.

Tampouco × Tão pouco
  • 1Tampouco
    • "também não", "nem"
    • Adição de negação
    • Correto no texto
  • 2Tão pouco
    • "tão" + "pouco"
    • Ideia de quantidade
    • Troca indevida
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Nós deveremos ser lembrados na história..."

O "nós" é um pronome pessoal que, no discurso, pode incluir o leitor (nós inclusivo) ou apenas o autor e seu grupo (nós exclusivo). No texto de Ruskin, o "nós" refere-se à geração humana da qual ele faz parte — não há indicação de que inclua especificamente o leitor. A alternativa extrapola ao afirmar que compreende "o autor e o leitor", pois o texto não delimita essa inclusão. O pronome é genérico, referindo-se à humanidade contemporânea a ele.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A troca de "sábia" por "bondosa" alteraria o sentido e quebraria a coerência. O texto estabelece um paralelo: "a mais cruel em proporção à sua sensibilidade, a menos sábia em proporção à sua ciência". "Sábia" se opõe a "ciência" (conhecimento), enquanto "bondosa" se oporia a "cruel" — mas o texto já usa "cruel" no primeiro membro. A alternativa contradiz a estrutura argumentativa, que contrapõe sensibilidade × crueldade e ciência × sabedoria. Não há autorização para a substituição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Infligiu" (aplicar algo ruim, causar dor) é o verbo correto: "tanto a infligiu" = "tanta dor causou". "Infringir" significa "desrespeitar, transgredir" (infringir a lei). A troca alteraria o sentido e criaria um erro de regência. O texto fala de causar dor, não de transgredir regras. A alternativa troca o vocábulo por um parônimo, mas o contexto exige "infligir".

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como explicado, "tampouco" está corretamente empregado no texto, com sentido de "também não". A afirmação de que deveria ser modificado para "tão pouco" é falsa. Como o comando pede a afirmação correta sobre os componentes do texto, e esta é a única que contém um erro de análise, ela é o gabarito. As demais alternativas (A, B, C, E) fazem afirmações verdadeiras ou aceitáveis; a D é a única que propõe uma modificação indevida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"...tampouco agiu com base neles"

O pronome "neles" retoma "fatos" (agiu com base nos fatos), não "povos". A alternativa troca o referente do pronome, um erro clássico de coesão. No trecho: "nenhum povo, entendendo os fatos, tampouco agiu com base neles" — "neles" = nos fatos. A afirmação de que se refere a "povos" é incorreta.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de coesão, sempre identifique o antecedente do pronome perguntando "quem? o quê?". No caso, "agir com base em quê?" → nos fatos. E para "tampouco × tão pouco", teste a substituição: se der para trocar por "também não", é "tampouco"; se der para trocar por "em quantidade tão pequena", é "tão pouco".

Conclusão: a única alternativa que não é sustentada pelo texto é a D, pois "tampouco" está correto e não deve ser trocado por "tão pouco". Como o enunciado pede a afirmação correta, o gabarito é a letra D — a que aponta um erro onde não há. Fique atento: a FGV adora inverter o comando; leia sempre se pede a correta ou a incorreta.

Gabarito: letra D

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