Questão de Português — Correlação Verbal — FGV 2023
Português›Correlação Verbal
Código
fg160086
Banca
FGV
Órgão
TJ SE
Ano
2023
Cargo
TJ ( )
Por que a pontuação nos jogos de tênis segue a ordem 15, 30 e 40? (adaptado)
Uma dica: tem a ver com o jeu de paume, ancestral do tênis atual.
Por Maria Clara Rossini
A hipótese mais provável tem a ver com o jogo de palma (jeu de paume), modalidade francesa da qual o tênis é descendente. A principal diferença entre os dois é que, em vez da raquete, antigamente os jogadores usavam a mão mesmo para rebater a bola. Cada jogador ficava a 60 pés (18 metros) da rede.
Os pontos eram contados de um em um. A cada vez que um jogador marcava, ele deveria se aproximar 15 pés da rede. Depois, mais 15 pés (ficando a 30 pés do início da quadra). É de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais 15 pés – só que essa posição ficava muito próxima da rede, o que aniquilaria o desempenho do participante. O jogador, então, tinha de se aproximar só mais 10 pés, totalizando 40 de distância da sua posição inicial em vez de 45.
Acontece que também existem registros de jogos de tênis que seguiam a ordem “15, 30 e 45”. Um poema escrito no século 15, por exemplo, narra uma partida de tênis entre o rei Henrique 5º, da Inglaterra e um nobre francês – e utiliza o 45 na contagem. O mesmo ocorre em uma poesia escrita pelo duque Charles de Orleães, da mesma época.
Esse tipo de registro coloca uma dúvida na cabeça dos historiadores do esporte. Uma hipótese que justificaria o “45” é o uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo. Cada quarto de hora representaria um ponto, e quem conseguisse dar a volta primeiro ganhava. Apesar de fazer algum sentido, não há evidências do uso de relógios para esse fim. É provável que muitos passaram a usar o 45 simplesmente por ser uma progressão mais natural, com intervalos uniformes.
Mesmo assim foi o 15, 30, 40 que vingou. O jeu de paume agradece.
“É de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais 15 pés [...]” (Texto 2, 2º parágrafo)
De acordo com o princípio da correlação verbal, dois verbos ligados por uma relação de subordinação devem estar em harmonia no que tange aos seus tempos e modos. Na passagem acima, porém, esse princípio é violado.
Considerando-se o contexto mais amplo em que a passagem se insere, a única alternativa em que essa violação é corrigida SEM gerar incoerência textual é:
AÉ de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproxime mais 15 pés;
BSeria de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais 15 pés;
CEra de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproxime mais 15 pés;
DEra de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximará mais 15 pés;
EÉ de se esperar que no terceiro ponto o jogador tivesse se aproximado mais 15 pés.
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GabaritoB — Seria de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais 15 pés;
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Correlação verbal: harmonizando tempos e modos na reescritura
Gabarito: letra B. A única reescritura que corrige a violação da correlação verbal SEM gerar incoerência é "Seria de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais 15 pés", pois harmoniza o futuro do pretérito do indicativo ("Seria") com o pretérito imperfeito do subjuntivo ("aproximasse"), ambos expressando hipótese. As demais alternativas ou mantêm a desarmonia original ou criam combinações de tempo/modo que quebram a lógica do texto, como se verá na análise de cada uma.
O comando da questão é claro: pede-se a alternativa em que a violação do princípio da correlação verbal é corrigida sem gerar incoerência textual. Isso significa que não basta apenas trocar os verbos; é preciso que a nova combinação faça sentido dentro do contexto do texto, que narra uma hipótese sobre a origem da pontuação no tênis. O trecho original, "É de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais 15 pés", apresenta uma mistura inadequada: o verbo "é" (presente do indicativo, fato) na oração principal, e "aproximasse" (pretérito imperfeito do subjuntivo, hipótese) na subordinada. Essa combinação quebra a harmonia, pois mistura uma certeza com uma suposição sobre o passado.
A técnica para resolver é identificar a "dobradinha" verbal correta. O contexto do texto é de uma explicação histórica, uma suposição sobre o que aconteceria no jogo. A combinação clássica para expressar uma hipótese sobre o passado, com um tom de possibilidade, é o futuro do pretérito do indicativo (Seria) + pretérito imperfeito do subjuntivo (aproximasse). Essa é a correlação padrão para fatos hipotéticos, como em "Seria bom que você estudasse". A alternativa B aplica exatamente essa regra, criando uma frase coerente e gramaticalmente correta.
As outras alternativas falham por diferentes motivos: a letra A mantém o presente do indicativo com o subjuntivo, repetindo o erro original; a letra C mistura pretérito imperfeito do indicativo com presente do subjuntivo, criando uma incoerência temporal; a letra D combina pretérito imperfeito do indicativo com futuro do presente, o que é ilógico; e a letra E usa o pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo, que indica um fato passado concluído, não uma hipótese futura, gerando incoerência com o sentido de expectativa.
Correlação verbal
1Combinação correta (hipótese)
Futuro do pretérito (Seria)
Pretérito imperfeito do subjuntivo (aproximasse)
2Erros comuns
Presente + subjuntivo (mantém desarmonia)
Passado + presente (incoerência temporal)
Passado + futuro (ilógico)
Presente + mais-que-perfeito (muda o sentido)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"É de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproxime mais 15 pés;"
Esta alternativa mantém a mesma violação do texto original. O verbo "é" (presente do indicativo) continua na oração principal, e "aproxime" (presente do subjuntivo) na subordinada. Embora ambos estejam no presente, a combinação de um fato (indicativo) com uma hipótese (subjuntivo) no mesmo nível temporal não é a mais adequada para o contexto de suposição histórica. A banca troca apenas o tempo do subjuntivo (de imperfeito para presente), mas não resolve a desarmonia entre a certeza do presente e a hipótese. O erro aqui é de troca_conceito: não se corrige a correlação, apenas se altera um tempo verbal sem harmonizar a estrutura.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Seria de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais 15 pés;"
Esta é a única alternativa que corrige a violação e mantém a coerência. A combinação "Seria" (futuro do pretérito do indicativo) + "aproximasse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) é a correlação clássica para expressar uma hipótese sobre o passado com um tom de possibilidade. No contexto do texto, que especula sobre o que aconteceria no jogo, essa é a forma mais adequada. A frase fica harmônica e lógica, expressando uma expectativa condicional. A técnica aqui é reconhecer a "dobradinha" verbal padrão para hipóteses, que é a mesma de "Seria bom que você viesse".
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Era de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproxime mais 15 pés;"
Esta alternativa cria uma incoerência temporal. O verbo "Era" (pretérito imperfeito do indicativo) indica uma ação passada, enquanto "aproxime" (presente do subjuntivo) indica uma ação presente ou futura. A combinação de um tempo passado com um tempo presente quebra a harmonia, pois não há uma relação lógica entre eles. O erro é de contradiz_texto: a reescritura não apenas deixa de corrigir, mas introduz uma nova inconsistência, misturando um fato passado com uma hipótese presente, o que não faz sentido no contexto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Era de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximará mais 15 pés;"
Esta alternativa é totalmente incoerente. O verbo "Era" (pretérito imperfeito do indicativo) está no passado, enquanto "aproximará" (futuro do presente do indicativo) está no futuro. A combinação de passado com futuro é ilógica e não expressa nenhuma relação de hipótese ou expectativa. O erro é de contradiz_texto: a reescritura cria uma frase sem sentido, pois mistura tempos verbais que não se correlacionam, tornando a afirmação absurda.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"É de se esperar que no terceiro ponto o jogador tivesse se aproximado mais 15 pés;"
Esta alternativa gera incoerência de sentido. O verbo "É" (presente do indicativo) expressa um fato atual, enquanto "tivesse se aproximado" (pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo) expressa uma ação passada concluída. A combinação de um fato presente com uma hipótese passada concluída não se sustenta, pois o texto fala de uma expectativa sobre o que aconteceria, não sobre o que já tinha acontecido. O erro é de troca_conceito: a reescritura altera o sentido da frase, transformando uma hipótese futura em um fato passado, o que quebra a coerência com o contexto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os tempos verbais que expressam hipótese. A alternativa A parece corrigir ao trocar o subjuntivo, mas mantém a desarmonia; a E parece plausível, mas muda o sentido de expectativa para fato passado. A chave é reconhecer a "dobradinha" padrão: futuro do pretérito + pretérito imperfeito do subjuntivo.
PEGA ESSA DICA!
Ao resolver questões de correlação verbal, identifique primeiro o contexto de sentido (fato, hipótese, condição). Depois, teste cada alternativa perguntando: "essa combinação de tempos expressa a mesma ideia do texto?" A combinação clássica para hipóteses é a da letra B.
Gabarito: letra B — a única que harmoniza os verbos (futuro do pretérito + pretérito imperfeito do subjuntivo) e preserva o sentido de expectativa hipotética do texto.