O carro pegou fogo no meio do trânsito. O motorista não conseguiu sair do veículo. Um guarda de trânsito tentou ajudá-lo.
Se reescrevêssemos esse texto, substituindo a pontuação entre os períodos por conectores adequados, fazendo as modificações necessárias, a forma correta seria:
AO carro pegou fogo no meio do trânsito, então o motorista não conseguiu sair do veículo embora um guarda de trânsito tenha tentado ajudá-lo.
BO carro pegou fogo no meio do trânsito, mas o motorista não conseguiu sair do veículo quando um guarda de trânsito tentou ajudá-lo.
CO carro pegou fogo no meio do trânsito; o motorista, porém, não conseguiu sair do veículo quando um guarda de trânsito tentou ajudá-lo.
DO carro pegou fogo no meio do trânsito, enquanto o motorista não conseguiu sair do veículo, mas um guarda de trânsito tentou ajudá-lo.
EO carro pegou fogo no meio do trânsito, mas o motorista não conseguiu sair do veículo embora um guarda de trânsito tenha tentado ajudá-lo.
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GabaritoE — O carro pegou fogo no meio do trânsito, mas o motorista não conseguiu sair do veículo embora um guarda de trânsito tenha tentado ajudá-lo.
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Reescritura com conectivos: relações semânticas entre as orações
Gabarito: letra E. A reescritura correta é a que preserva as relações de sentido entre as três orações do fragmento: o incêndio é a causa da dificuldade de sair do veículo, e a tentativa do guarda é uma concessão (algo que não impediu o resultado). A alternativa E usa "mas" para marcar a oposição entre o incêndio e a não saída, e "embora" para introduzir a concessão — exatamente como no texto original, em que os períodos justapostos deixam essas relações implícitas.
O comando pede uma reescritura que substitua a pontuação por conectores adequados, ou seja, que mantenha o sentido original. Isso não é uma questão de gramática isolada, mas de semântica dos conectivos: cada conjunção estabelece uma relação lógica (causa, oposição, concessão, tempo, etc.), e a correta é a que reproduz fielmente as relações presentes no texto-base.
No fragmento original, temos três fatos em sequência: (1) o carro pegou fogo; (2) o motorista não conseguiu sair; (3) um guarda tentou ajudar. A relação entre (1) e (2) é de causa-consequência (o fogo impediu a saída), mas também há uma oposição implícita: espera-se que, num incêndio, a pessoa saia do carro; ela não conseguiu. Já a relação entre (2) e (3) é de concessão: apesar da tentativa do guarda, o motorista não saiu. A alternativa E capta exatamente isso: "mas" liga (1) e (2) com valor adversativo, e "embora" liga (2) e (3) com valor concessivo.
A técnica para resolver é testar cada conectivo: pergunte "que relação ele estabelece?" e "essa relação existe no texto original?". O "mas" é adversativo (oposição), o "embora" é concessivo (fato que não impede o outro), o "quando" é temporal, o "então" é conclusivo, o "enquanto" é temporal ou de simultaneidade. A alternativa correta é a única em que todos os conectivos reproduzem as relações do texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a relação de concessão (embora) por tempo (quando) nas alternativas B, C e D, fazendo parecer que a tentativa do guarda ocorreu no mesmo momento da não saída, quando na verdade ela é uma ressalva que não impediu o resultado.
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever, liste as relações entre as orações antes de olhar as alternativas. No texto, há causa, oposição e concessão — a correta deve manter todas.
Reescritura com conectivos
1Relações no texto original
Incêndio → não sair (oposição)
Tentativa do guarda → não sair (concessão)
2Conectivos adequados
Mas (oposição)
Embora (concessão)
3Erros comuns
Quando (tempo) no lugar de embora
Então (conclusão) no lugar de mas
Enquanto (simultaneidade) no lugar de mas
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa A usa "então" para ligar o incêndio à não saída, o que estabelece uma relação de conclusão (o segundo fato é consequência do primeiro). Isso até poderia ser aceitável, mas o problema está no "embora" no final: ele introduz uma concessão, mas a oração "um guarda de trânsito tenha tentado ajudá-lo" fica sem relação clara com o restante, pois o "embora" deveria se ligar à não saída, e não ao incêndio. Além disso, a estrutura "então... embora" cria uma sequência lógica estranha: o "então" já conclui, e o "embora" tenta ressalvar algo que já foi concluído. O sentido original não é de conclusão, mas de oposição entre o incêndio e a não saída — o "mas" seria mais adequado. Erro: troca de relação semântica (conclusão em vez de oposição).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B usa "mas" para ligar o incêndio à não saída, o que está correto (oposição), mas troca o "embora" por "quando", transformando a concessão em tempo. No texto original, a tentativa do guarda não é um marco temporal; ela é uma ressalva que não impediu o motorista de ficar preso. O "quando" sugere que a não saída ocorreu no momento da tentativa, o que não é dito. A relação correta é de concessão: "embora o guarda tenha tentado, o motorista não saiu". Erro: troca de relação semântica (tempo em vez de concessão).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C usa ponto e vírgula e "porém" para ligar o incêndio à não saída, o que é aceitável (oposição), mas repete o erro da B ao usar "quando" no lugar de "embora". Além disso, o "porém" deslocado após o sujeito ("o motorista, porém, não conseguiu") é uma construção válida, mas a relação com a tentativa do guarda continua errada: o "quando" estabelece tempo, não concessão. O texto original não diz que a tentativa ocorreu no mesmo momento da não saída; diz apenas que o guarda tentou ajudar, sem sucesso. Erro: troca de relação semântica (tempo em vez de concessão).
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D usa "enquanto" para ligar o incêndio à não saída, o que estabelece uma relação de simultaneidade (os dois fatos ocorrem ao mesmo tempo). Isso não é o que o texto diz: o incêndio é a causa da não saída, não um evento paralelo. Além disso, o "mas" no final liga a não saída à tentativa do guarda, mas a relação correta é de concessão (embora), não de oposição simples. O "enquanto" também cria uma ideia de duração que não existe no original. Erro: troca de relação semântica (simultaneidade em vez de causa/oposição).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa E usa "mas" para ligar o incêndio à não saída, estabelecendo a oposição correta: espera-se que a pessoa saia do carro em chamas, mas ela não conseguiu. Em seguida, usa "embora" para introduzir a concessão: apesar de o guarda ter tentado ajudar, o motorista não saiu. Essa é exatamente a relação do texto original, em que os períodos justapostos deixam essas relações implícitas. O "embora" exige o verbo no subjuntivo ("tenha tentado"), o que está correto. Portanto, a alternativa E é a única que preserva integralmente as relações de sentido do fragmento.
Conclusão: a chave é não trocar as relações semânticas. O "mas" marca oposição, o "embora" marca concessão, e a alternativa E é a única que usa ambos corretamente. As demais ou trocam a relação (B, C, D) ou a estrutura (A).