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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — FGV 2023

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
fg160161
Banca
FGV
Órgão
TJ BA
Ano
2023
Cargo
Conc ( )

O caminho da alimentação saudável

 

Nova rotulagem da Anvisa é bem-vinda, mas aquém de seu potencial

Carlos Augusto Monteiro

Laís Amaral Mais


Desde outubro de 2022, o consumidor brasileiro vem se deparando com mudanças nas embalagens de alimentos nos mercados. Trata-se do novo modelo de rotulagem nutricional determinado pela Anvisa.

 

O uso do padrão é válido para produtos alimentícios lançados a partir de 9 de outubro; para aqueles já existentes, o prazo para adequação pode ser de um a três anos a partir da mesma data, dependendo da natureza do produto.

 

O modelo traz novidades importantes. A principal é a inclusão de um ícone de lupa, indicando alto teor de gordura saturada, açúcar adicionado e sódio — cuja ingestão excessiva aumenta o risco de doenças crônicas. Além disso, padroniza o design da tabela nutricional e mostra valores nutricionais do alimento com base em porções de 100 g ou 100 ml, facilitando comparações entre produtos semelhantes de marcas distintas.

 

A adoção é um avanço. O rótulo de um alimento traz informações que orientam o consumidor sobre os componentes do produto, interferindo na decisão de compra. A escolha da nova rotulagem, no entanto, poderia — e deveria — ter ido além.

 

Na teoria, a função do ícone da lupa é informar o consumidor sobre a composição dos alimentos. Na prática, a iniciativa deveria apoiar escolhas alimentares mais saudáveis. Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, um caminho simples para manter uma alimentação saudável é evitar o consumo de ultraprocessados. São opções que contêm pouco ou nenhum alimento inteiro, sendo feitas majoritariamente de substâncias extraídas de alimentos (como amido do milho ou proteína da soja). Por isso, é comum que sejam adicionados corantes, aromatizantes e outros aditivos que os deixam atraentes.


Eles também costumam ter excesso de açúcar, gordura saturada e sódio. Dessa forma, uma grande parte dos alimentos aptos a levar o selo da lupa é composta de ultraprocessados. Ainda assim, muitos alimentos nocivos à saúde podem passar incólumes, já que o perfil nutricional — ou seja, os limites para cada nutriente crítico — escolhido pela Anvisa é demasiado permissivo.

 

Para receber um rótulo de "alto em sódio" no Brasil, por exemplo, um alimento precisa ter ao menos 600 mg do nutriente a cada 100 g de produto. Em comparação, o perfil nutricional da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) atrela a quantidade de sódio ao total calórico do produto. Na prática, a diferença é notável: no caso de um caldo de galinha em cubos, o modelo da Anvisa tolera o dobro de sódio aceito pela Opas.

 

Brechas como essa, aliadas à publicidade já costumeira desses produtos, podem seguir provocando confusão ao consumidor. Mais que mostrar excessos em nutrientes, é necessário ajudar a população a identificar os ultraprocessados. Isso poderia ocorrer facilmente com o destaque da presença de certos tipos de aditivos alimentares. Afinal, nenhum alimento feito com comida de verdade precisa de "aroma idêntico ao natural de morango".

 

Para além das mudanças na rotulagem, o Brasil pode seguir o exemplo do Chile, que, junto às regras, implementou políticas públicas de alimentação saudável. A iniciativa inclui campanhas educativas e a regulação da publicidade e da venda de produtos não saudáveis a crianças. São ações que beneficiariam largamente a alimentação e a saúde no Brasil.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2023/01/o-caminho-da-alimentacao-saudavel.shtml Acesso em: 13/05/2023

Texto 1

 

“A adoção é um avanço. O rótulo de um alimento traz informações que orientam o consumidor sobre os componentes do produto [...]” (Texto 1)


Os dois períodos da passagem acima não estão ligados por um conector. Apesar disso, pode-se inferir que o segundo período veicula, em relação ao primeiro, ideia de:

  1. Aconclusão;
  2. Bproporção;
  3. Cjustificativa;
  4. Dalternância;
  5. Econcessão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — justificativa;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação semântica entre períodos: justificativa

Gabarito: letra C. O segundo período — "O rótulo de um alimento traz informações que orientam o consumidor sobre os componentes do produto" — veicula, em relação ao primeiro ("A adoção é um avanço"), ideia de justificativa: ele apresenta a razão pela qual a adoção da nova rotulagem é considerada um avanço. A prova está na própria estrutura lógica do trecho: o autor afirma que a adoção é um avanço e, em seguida, explica por que o é, apontando a função informativa do rótulo.

O comando

A questão pede que se infira a relação semântica entre dois períodos que não estão ligados por conector explícito. Isso muda a resolução: não se trata de identificar uma conjunção (como "portanto", "porque", "embora"), mas de reconstruir mentalmente o elo lógico que o autor estabeleceu. A pergunta é: que relação o segundo período estabelece com o primeiro? A resposta exige inferência ancorada no sentido, não decoreba de conectivos.

O texto

No trecho, o autor avalia a nova rotulagem da Anvisa: "A adoção é um avanço." Em seguida, sustenta essa avaliação: "O rótulo de um alimento traz informações que orientam o consumidor sobre os componentes do produto." O segundo período explica o primeiro — ele dá o motivo pelo qual a adoção merece o rótulo de "avanço". Essa é a estrutura clássica de tese + justificativa: afirma-se algo e, logo após, apresenta-se a razão que o fundamenta.

A técnica que decide

Quando dois períodos aparecem sem conector, o leitor deve inferir a relação lógica pelo conteúdo. Aqui, o segundo período funciona como causa/justificativa do primeiro: o rótulo informa o consumidor, logo (por isso) a adoção é um avanço. A relação é de fundamentação, não de conclusão (que inverteria a ordem: primeiro o fato, depois a consequência), nem de proporção, alternância ou concessão.

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir justificativa de conclusão, pergunte: o segundo período explica o primeiro (justificativa) ou decorre dele (conclusão)? Aqui, o rótulo informar é a razão do avanço — justificativa.

Relação semântica entre períodos
  • 1Sem conector explícito
    • Inferir pelo sentido
  • 2Justificativa (gabarito)
    • 2º período explica o 1º
    • Razão/motivo
    • "porque", "pois", "já que"
  • 3Conclusão (distrator)
    • 2º decorre do 1º
    • "portanto", "logo"
  • 4Proporção (distrator)
    • Correspondência gradual
    • "quanto mais... mais"
  • 5Alternância (distrator)
    • Oposição entre opções
    • "ou... ou", "ora... ora"
  • 6Concessão (distrator)
    • Quebra de expectativa
    • "embora", "apesar de"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Conclusão inverteria a lógica: diria que o segundo período é uma consequência do primeiro. Mas o texto não diz que "por ser um avanço, o rótulo informa"; diz o contrário: o rótulo informa, por isso é um avanço. A conclusão exigiria um conector como "portanto" ou "logo" e uma ordem fato→consequência, que não está presente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Proporção estabelece uma relação de correspondência quantitativa ou gradual ("quanto mais... mais..."). Nada no trecho indica que o avanço seja proporcional à informação do rótulo. A banca insere essa opção para testar se o candidato confunde relações de causa com relações de proporcionalidade.

Alternativa C — ✅ Correta

Justificativa é exatamente o que ocorre: o segundo período fundamenta o primeiro. O autor afirma que a adoção é um avanço e, em seguida, apresenta o motivo: o rótulo traz informações que orientam o consumidor. A relação é de causa/razão, típica de conectivos como "porque", "pois", "já que" — que poderiam ser inseridos sem alterar o sentido.

"A adoção é um avanço. O rótulo de um alimento traz informações que orientam o consumidor sobre os componentes do produto"

O segundo período responde ao porquê da afirmação anterior: é um avanço porque informa o consumidor. Isso é justificativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Alternância expressa oposição entre opções ("ou... ou", "ora... ora"). Não há qualquer ideia de escolha ou alternância entre os períodos. A banca coloca essa opção para testar o reconhecimento de conectivos alternativos, que não se aplicam aqui.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Concessão indica quebra de expectativa ("embora", "apesar de"). O segundo período não contraria o primeiro; ao contrário, reforça e explica. Não há ideia de "apesar de ser um avanço, o rótulo informa" — a relação é de apoio, não de ressalva.

Fechamento

A regra de ouro: quando não há conector, reconstrua a relação pelo sentido. O segundo período que explica o primeiro é justificativa; o que decorre dele é conclusão. Aqui, a informação do rótulo é a razão do avanço — justificativa.

Gabarito: letra C.

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