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Questão de Português — Advérbio — FGV 2023

PortuguêsAdvérbio
Código
fg160165
Banca
FGV
Órgão
TJ BA
Ano
2023
Cargo
JL ( )

Estudo revela novo alvo para busca de terapias contra doença de Parkinson [fragmento]


Experimentos com camundongos feitos na USP mostraram que a micróglia, um tipo de célula imunológica presente no sistema nervoso central, ajuda a limitar a perda de neurônios

 

Agência Fapesp Estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) revelou um possível mecanismo protetor contra a doença de Parkinson.

 

Em camundongos, foi observado que a micróglia, um tipo de célula imunológica do sistema nervoso que compõe a chamada glia – conjunto diversificado de células que dá suporte ao funcionamento dos neurônios – pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal.

 

Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina, uma toxina indutora de sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, aplicada diretamente no cérebro. Antes, metade dos animais teve as micróglias praticamente eliminadas por uma substância, chamada PLX5622a. O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas de neurônios e de movimento quando comparado aos demais roedores.

 

"Esses resultados sugerem um possível alvo para o tratamento da doença no futuro, quando descobrirmos mecanismos capazes de ativar a micróglia de maneira benéfica", disse a doutoranda Carolina Parga à assessoria de imprensa do ICB-USP. Ela é primeira autora de um artigo publicado no Journal of Neuroimmunology.

 

[...]

 

A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células. Até então acreditava-se o contrário, pois, quando elas eram bloqueadas por fármacos, os sintomas do Parkinson eram mitigados.

 

"A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultados é a atuação dos dois fenótipos da micróglia, algo já identificado anteriormente na literatura científica. Uma característica, a positiva, que protege contra a perda neuronal, talvez se manifeste no início da doença, e a outra característica, a negativa, que impulsiona essa perda neuronal, vai predominando à medida que a doença vai evoluindo; o mesmo pode ocorrer em outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e algumas formas de epilepsia"b, detalha Luiz Roberto Giorgetti de Britto, coordenador do estudo pelo Laboratório de Neurobiologia Celular do ICB. [...]

 

"Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para assim chegarmos a soluções terapêuticas. Pois trata-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que em geral se dá só após a manifestação de sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos", complementa.

 

MUDANÇAS GENÉTICAS

No estudo também foram identificados dois genes que podem estar relacionados à doença de Parkinson. Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que as micróglias foram eliminadas.

 

"São dois genes relacionados à transmissão por dopamina [substância que influencia nossas emoções, aprendizado e locomoção, além de outras funções] entre alguns grupos de neurônios do sistema nervoso, o que sugere que a micróglia pode ser responsável pela modulação da expressão de genes que atuam nesses processosc. Isso ajuda a explicar como a sua ausência resulta na perda de neurônios, o que causa a diminuição de dopamina, o fator responsável pelas alterações motoras", aponta Parga.

 

Esse conhecimento é promissor principalmente para a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer que tem causas genéticas, um total de 5% a 7% dos diagnósticos. "Conhecendo melhor o comportamento desses genes talvez possamos, no futuro, antecipar o diagnóstico da doençad além de propor terapias que consistem na manipulação deles", afirma Britto.

 

O Laboratório de Neurobiologia Celular agora se aprofunda nos resultados obtidos e nas hipóteses levantadas e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer.e

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

/ciencia/2023/06/estudo-revela-novo-alvo-para-a-busca-de-terapias-contra-a-doenca-de-parkinson.shtml

Texto 1

 

A ciência lida com o desconhecido. Por isso, o discurso científico frequentemente contém marcas de atenuação do grau de certeza do enunciador.


A única alternativa em que a palavra sublinhada NÃO desempenha essa função é:

  1. A“Antes, metade dos animais teve as micróglias praticamente eliminadas por uma substância, chamada PLX5622.” (Texto 1, 3º parágrafo);
  2. B“[...] o mesmo pode ocorrer em outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e algumas formas de epilepsia” (Texto 1, 6º parágrafo);
  3. C“[...] o que sugere que a micróglia pode ser responsável pela modulação da expressão de genes que atuam nesses processos” (Texto 1, 9º parágrafo);
  4. D"Conhecendo melhor o comportamento desses genes talvez possamos, no futuro, antecipar o diagnóstico da doença [...]” (Texto 1, 10º parágrafo);
  5. E“e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer” (Texto 1, 11º parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “Antes, metade dos animais teve as micróglias praticamente eliminadas por uma substância, chamada PLX5622.” (Texto 1, 3º parágrafo);

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Marcas de atenuação no discurso científico: o caso de "praticamente"

Gabarito: letra A. A palavra sublinhada em A — "praticamente" — NÃO desempenha a função de atenuar o grau de certeza do enunciador; ela indica aproximação/quantidade (quase total), e não dúvida ou incerteza sobre o que se afirma. As demais alternativas trazem expressões que, no contexto, suavizam a afirmação ("pode", "talvez", "possíveis"), cumprindo a função descrita no enunciado.

O comando pede que se identifique a alternativa em que a palavra sublinhada NÃO atua como marca de atenuação. Isso exige distinguir dois usos: o de advérbio de dúvida (que expressa incerteza do enunciador) e o de advérbio de intensidade/quantidade (que modifica o grau de uma ação ou qualidade, sem necessariamente expressar dúvida). No texto científico, a atenuação é um recurso frequente para não afirmar categoricamente, como se vê em "pode ocorrer", "talvez possamos", "possíveis implicações".

No trecho da alternativa A, "praticamente eliminadas" significa "quase eliminadas", ou seja, o advérbio aproxima o fato de uma eliminação total, mas não expressa incerteza do pesquisador sobre o que ocorreu — é uma quantificação aproximada, não uma modalização epistêmica. Já em B, C, D e E, as palavras "pode", "talvez" e "possíveis" são marcadores de possibilidade/incerteza, exatamente o que o enunciado descreve.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre atenuação (dúvida/incerteza) e aproximação/quantificação. "Praticamente" indica "quase", não dúvida. Cuidado: palavras como "quase", "praticamente", "aproximadamente" expressam aproximação, não modalização.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar marcas de atenuação, pergunte: "o autor está duvidando ou apenas quantificando?" Se a palavra indica "quase", "em torno de", é aproximação; se indica "pode", "talvez", "possivelmente", é atenuação.

Marcas de atenuação (dúvida/incerteza)
  • 1Exemplos
    • "pode" (possibilidade)
    • "talvez" (dúvida)
    • "possíveis" (hipótese)
  • 2Função
    • Modalização epistêmica
    • Não afirma categoricamente
  • 3Aproximação/quantificação
    • Exemplos
      • "praticamente" (quase)
      • "quase"
      • "aproximadamente"
    • Função
      • Quantifica o grau
      • Não expressa dúvida
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Alternativa A — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A palavra "praticamente" não atenua o grau de certeza; ela aproxima o valor de "eliminadas" (quase eliminadas). No trecho:

"Antes, metade dos animais teve as micróglias praticamente eliminadas por uma substância, chamada PLX5622."

O pesquisador afirma com segurança que as micróglias foram quase totalmente eliminadas — não há dúvida sobre o fato, apenas uma aproximação quantitativa. Portanto, não cumpre a função de atenuação. Erro: troca de conceito (aproximação por atenuação).

Alternativa B — ✅ Correta

A palavra "pode" expressa possibilidade/incerteza, atenuando a afirmação:

"o mesmo pode ocorrer em outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e algumas formas de epilepsia"

O autor não afirma categoricamente que ocorrerá; apenas admite a possibilidade. Função de atenuação presente.

Alternativa C — ✅ Correta

A palavra "pode" também expressa possibilidade:

"o que sugere que a micróglia pode ser responsável pela modulação da expressão de genes que atuam nesses processos"

O verbo "pode" modaliza a afirmação, indicando que é uma hipótese, não uma certeza. Função de atenuação presente.

Alternativa D — ✅ Correta

A palavra "talvez" é um advérbio de dúvida clássico:

"talvez possamos, no futuro, antecipar o diagnóstico da doença"

O uso de "talvez" deixa explícita a incerteza do enunciador. Função de atenuação presente.

Alternativa E — ✅ Correta

A palavra "possíveis" indica que as implicações não são certas, apenas possíveis:

"e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer"

O adjetivo "possíveis" atenua a afirmação, pois não garante que as implicações existam. Função de atenuação presente.

Conclusão: como a banca pediu a alternativa em que a palavra NÃO desempenha a função de atenuação, o gabarito é a letra A — a única em que a palavra sublinhada expressa aproximação, e não dúvida/incerteza.

Gabarito: letra A

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