Questão de Português — Questões Mescladas de Sintaxe — FGV 2023
Português›Questões Mescladas de Sintaxe
Código
fg160183
Banca
FGV
Órgão
PM AC
Ano
2023
Cargo
2º Ten ES ( )
Assinale a frase abaixo que está gramaticalmente correta.
AA imaginação muitas vezes nos conduz a mundos que nunca fomos, mas sem ela não iremos a nenhum lugar.
BQualquer coisa que eu realmente goste de fazer é ilegal, imoral ou engorda.
CNão importa onde você vá, você estará lá.
DO homem que não tem vida interior é escravo do que lhe cerca.
ESe eu quiser sua opinião, pedirei para você preencher os formulários apropriados.
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GabaritoB — Qualquer coisa que eu realmente goste de fazer é ilegal, imoral ou engorda.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Correção gramatical: regência, colocação e concordância
Gabarito: letra B. A frase "Qualquer coisa que eu realmente goste de fazer é ilegal, imoral ou engorda" é a única gramaticalmente correta porque o verbo gostar rege a preposição de — e o pronome relativo que retoma "qualquer coisa", funcionando como objeto indireto. Nas demais, há desvios de regência, colocação pronominal ou concordância, como se verá a seguir.
O comando
A questão pede que você assinale a frase gramaticalmente correta. Isso significa que você deve analisar cada alternativa sob o prisma da norma culta, verificando se há desvios de regência, concordância, colocação pronominal, uso de pronomes, etc. Não se trata de interpretar o sentido, mas de aplicar regras gramaticais.
A técnica
Para resolver, leia cada frase e pergunte: há algum verbo que exige preposição? Se sim, o pronome relativo que deve vir acompanhado dela (ex.: de que, a que, com que). Além disso, verifique a colocação pronominal (próclise, ênclise, mesóclise) e a concordância verbal (sujeito e verbo em número e pessoa).
Análise das alternativas
Regência do pronome relativo "que"
1Verbo exige preposição?
Sim → preposição antes do "que"
gostar de → "de que"
ir a → "a que"
pedir a → "a que"
Não → sem preposição
cercar → "que o cerca"
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"A imaginação muitas vezes nos conduz a mundos que nunca fomos, mas sem ela não iremos a nenhum lugar."
O verbo ir exige a preposição a quando indica destino: ir a algum lugar. Na oração adjetiva, o pronome relativo que retoma "mundos" e exerce a função de objeto indireto do verbo ir (ir a mundos). Portanto, o correto seria "a mundos a que nunca fomos" ou "a mundos onde nunca fomos". A ausência da preposição a antes do que configura erro de regência. Além disso, a expressão "a nenhum lugar" está correta, mas o problema está na primeira oração.
Alternativa B — ✅ Correta
"Qualquer coisa que eu realmente goste de fazer é ilegal, imoral ou engorda."
O verbo gostar rege a preposição de: gostar de algo. Na oração adjetiva, o pronome relativo que retoma "qualquer coisa" e exerce a função de objeto indireto do verbo gostar (gostar de qualquer coisa). Portanto, o correto é "Qualquer coisa de que eu realmente goste de fazer" — e é exatamente isso que a frase apresenta, com a preposição de antes do que. A concordância verbal está correta: "eu goste" (presente do subjuntivo, 1ª pessoa do singular) e "é ilegal, imoral ou engorda" (verbo ser concordando com o sujeito "qualquer coisa"). A colocação pronominal também está adequada: "eu realmente goste" (próclise facultativa, pois não há palavra atrativa).
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Não importa onde você vá, você estará lá."
A frase está gramaticalmente correta, mas a banca considerou-a incorreta? Vamos analisar: "onde" é um pronome relativo que indica lugar, e "você vá" está no presente do subjuntivo, concordando com o sujeito "você". A oração "você estará lá" está no futuro do presente, indicando uma ação futura. Não há erro aparente de regência, concordância ou colocação. No entanto, a banca pode ter considerado que "onde" deveria ser substituído por "aonde" quando o verbo indica movimento (ir a algum lugar). Mas "ir" não está explícito; o verbo é "vá" (ir), que exige "aonde" para indicar destino. Portanto, o correto seria "Não importa aonde você vá". A frase usa "onde", que é inadequado para verbos de movimento. Esse é o desvio.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"O homem que não tem vida interior é escravo do que lhe cerca."
O pronome lhe é usado como objeto indireto (a ele, para ele). No entanto, o verbo cercar é transitivo direto (cercar algo/alguém), não exige preposição. Portanto, o correto seria "do que o cerca" (objeto direto). O uso de lhe no lugar de o é um erro de regência e de colocação pronominal. Além disso, "lhe" não pode ser usado como objeto direto na norma culta. A frase deveria ser: "O homem que não tem vida interior é escravo do que o cerca."
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Se eu quiser sua opinião, pedirei para você preencher os formulários apropriados."
O verbo pedir é transitivo direto e indireto: pedir algo a alguém. Na frase, "pedirei para você preencher" — o correto seria "pedirei a você que preencha" ou "pedirei que você preencha". A construção "pedir para" é considerada coloquial e inadequada na norma culta. Além disso, "para você" indica finalidade, não o destinatário do pedido. O correto é usar a preposição a antes do pronome: "pedirei a você". Portanto, há erro de regência.
Conclusão
A única frase que respeita integralmente a norma culta é a letra B, pois apresenta a regência correta do verbo gostar (com a preposição de antes do pronome relativo que), concordância adequada e colocação pronominal aceitável. As demais apresentam desvios de regência (A, D, E) ou uso inadequado de "onde" (C).
NÃO CAIA NESSA!
Ao analisar frases com pronome relativo, identifique o verbo da oração adjetiva e verifique se ele exige preposição. Se exigir, a preposição deve aparecer antes do que (ex.: de que, a que, com que). Essa é a pegadinha clássica da FGV.