Nas frases a seguir há dois termos precedidos da preposição DE, sublinhados. Assinale a frase em que essas preposições são gramaticais, ou seja, são exigências dos termos anteriores.
AO primeiro dever da inteligência é duvidar dela mesma.
BA inteligência é uma espécie de paladar que nos dá a capacidade de saborear ideias.
CO conceito de gênio como semelhante à loucura tem sido cuidadosamente alimentado pelo complexo de inferioridade do público.
DTodos pensam que deve ser divertido ser um super gênio, mas não se dão conta de como é duro lidar com todos os idiotas do mundo.
EPrecisar de dinheiro é uma condição dos que têm vontade de progredir.
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GabaritoE — Precisar de dinheiro é uma condição dos que têm vontade de progredir.
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Preposição gramatical × preposição nocional: quando o "de" é exigência do termo anterior
Gabarito: letra E. A questão pede a frase em que as duas ocorrências de "de" são gramaticais, ou seja, exigidas por um termo anterior (verbo ou nome) — não meramente nocionais, que apenas acrescentam sentido. Na letra E, o primeiro "de" é exigido pelo verbo precisar (quem precisa, precisa de algo) e o segundo é exigido pelo nome vontade (quem tem vontade, tem vontade de algo). Como se vê no trecho: "Precisar de dinheiro é uma condição dos que têm vontade de progredir".
O comando é de conceito gramatical aplicado ao texto: não se trata de interpretar o sentido, mas de classificar a natureza da preposição em cada frase. A banca FGV adora essa distinção: preposição gramatical (ou relacional) é a que integra a regência de um verbo ou nome, sendo obrigatória; preposição nocional é a que introduz um adjunto (adnominal, adverbial etc.), sendo facultativa e trazendo uma ideia (posse, especificação, causa, etc.).
A técnica decisiva é testar a obrigatoriedade: retire o termo preposicionado. Se a frase ficar agramatical ou mudar de sentido, a preposição é gramatical; se ficar aceitável e apenas perder uma informação, é nocional. Outra pista: preposição gramatical costuma introduzir objeto indireto (regência verbal) ou complemento nominal (regência nominal); a nocional introduz adjunto adnominal ou adjunto adverbial.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre preposição gramatical e nocional. Em frases como "o primeiro dever da inteligência", o "de" parece exigido, mas é apenas um adjunto adnominal de posse — não é regência. O candidato que não testa a obrigatoriedade marca a letra A.
PEGA ESSA DICA!
Ao ver "de" sublinhado, pergunte: "quem precisa, precisa de quê? quem tem vontade, tem vontade de quê?" — se a resposta for sim, é gramatical. Se for apenas "de que?" com sentido de posse/especificação, é nocional.
Frase
1ª ocorrência de "de"
2ª ocorrência de "de"
Classificação
A
"da inteligência" — nocional (posse)
"dela" — gramatical (duvidar de)
Mista (incorreta)
B
"de paladar" — nocional (especificação)
"de saborear" — gramatical (capacidade de)
Mista (incorreta)
C
"de gênio" — nocional (especificação)
"de inferioridade" — nocional (especificação)
Ambas nocionais (incorreta)
D
"de como" — gramatical (dar-se conta de)
— (apenas uma ocorrência)
Não atende ao requisito (incorreta)
E
"de dinheiro" — gramatical (precisar de)
"de progredir" — gramatical (vontade de)
Ambas gramaticais (gabarito)
Preposição gramatical
1Exigida por regência
Verbo (precisar de)
Nome (vontade de)
2Obrigatória
3Teste: retirar o termo
Fica agramatical
Muda o sentido
4Preposição nocional
Facultativa
Introduz adjunto
Adnominal (posse)
Adverbial (causa)
Teste: retirar o termo
Frase continua aceitável
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"O primeiro dever da inteligência é duvidar dela mesma."
Aqui, o primeiro "de" (em "da inteligência") é nocional: "dever da inteligência" = "dever que a inteligência tem" — é um adjunto adnominal com sentido de posse, não exigido por nenhum termo. O segundo "de" (em "dela") é gramatical, pois o verbo duvidar exige "de" (quem duvida, duvida de algo). Como a questão pede as duas preposições gramaticais, a alternativa falha. Erro: mistura de nocional com gramatical.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"A inteligência é uma espécie de paladar que nos dá a capacidade de saborear ideias."
O primeiro "de" (em "de paladar") é nocional: "espécie de paladar" é uma especificação — adjunto adnominal, não exigido. O segundo "de" (em "de saborear") é gramatical, pois o nome capacidade exige "de" (capacidade de algo). Novamente, apenas uma das duas é gramatical. Erro: mistura de nocional com gramatical.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"O conceito de gênio como semelhante à loucura tem sido cuidadosamente alimentado pelo complexo de inferioridade do público."
O primeiro "de" (em "de gênio") é nocional: "conceito de gênio" = conceito sobre gênio — adjunto adnominal. O segundo "de" (em "de inferioridade") também é nocional: "complexo de inferioridade" é uma especificação — adjunto adnominal. Nenhum dos dois é exigido por regência. Erro: ambas são nocionais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Todos pensam que deve ser divertido ser um super gênio, mas não se dão conta de como é duro lidar com todos os idiotas do mundo."
Aqui há apenas uma ocorrência de "de" sublinhada (em "conta de"), e ela é gramatical, pois o verbo dar-se conta exige "de" (dar-se conta de algo). Mas a questão pede duas preposições gramaticais — e a frase só tem uma. Erro: não atende ao requisito de duas ocorrências.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Precisar de dinheiro é uma condição dos que têm vontade de progredir."
O primeiro "de" (em "de dinheiro") é gramatical: o verbo precisar, no sentido de necessitar, é transitivo indireto e exige "de" (quem precisa, precisa de algo). O segundo "de" (em "de progredir") é gramatical: o nome vontade exige "de" (quem tem vontade, tem vontade de algo) — é um complemento nominal. As duas ocorrências são obrigatórias, portanto a alternativa atende perfeitamente ao pedido.
Conclusão: a questão testa a distinção entre preposição gramatical (exigida por regência) e nocional (facultativa, com valor semântico). A única frase em que ambas as ocorrências são gramaticais é a letra E. Gabarito: letra E.