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Questão de Português — Conjunção — FGV 2023

PortuguêsConjunção
Código
fg160186
Banca
FGV
Órgão
ALEMA
Ano
2023
Cargo
Ass Leg Adm ( )
Em todas as frases abaixo aparece a conjunção e sublinhada. Assinale a frase em que ela é empregada com valor adversativo.
  1. AVida: um espaço de tempo cuja primeira metade é arruinada por nossos pais e a segunda metade, por nossos filhos.
  2. BUma casa é feita de tijolo e pedra. Um lar é feito apenas de amor.
  3. CEsculpir: eu escolho um bloco de mármore e retiro tudo o que não preciso.
  4. DArte é fazer alguma coisa do nada e vendê-la.
  5. ENada tenho a dizer e estou dizendo-o. Tal é a poesia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Nada tenho a dizer e estou dizendo-o. Tal é a poesia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor adversativo da conjunção "e"

Gabarito: letra E. A única frase em que a conjunção e tem valor adversativo (equivalente a mas) é: "Nada tenho a dizer e estou dizendo-o. Tal é a poesia." — porque há uma oposição entre "nada ter a dizer" e "estar dizendo". A pista decisiva é a quebra de expectativa: quem nada tem a dizer, não deveria estar dizendo algo; o e liga ideias que se contrastam, não que se somam.

O comando pede que você identifique o valor semântico da conjunção e em cada frase. Isso é uma questão de semântica contextual: a conjunção e é, por excelência, aditiva (soma), mas, dependendo do contexto, pode assumir outros valores — principalmente o adversativo (= mas), quando liga orações que expressam ideias opostas ou contrárias. A banca não quer que você decore a lista de conjunções adversativas (mas, porém, contudo...), mas que perceba a relação de sentido que o e estabelece entre as orações.

Para resolver, leia cada frase e pergunte: as duas orações se somam (adição) ou se opõem (adversidade)? Se a segunda oração contraria a expectativa criada pela primeira, o e é adversativo. Se a segunda apenas acrescenta uma informação, o e é aditivo. Essa é a técnica que separa a correta das distratoras.

A armadilha central desta questão é a polissemia da conjunção "e": o candidato, acostumado a ver o e como aditivo, pode não perceber o valor adversativo em E, ou pode marcar uma frase em que o e é apenas aditivo, como em A ou C. A banca adora explorar essa confusão, pois o e é a conjunção mais comum da língua e, por isso, a mais sujeita a variações de sentido.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar o valor de uma conjunção, substitua-a por outra de valor conhecido e veja se o sentido se mantém. Se trocar e por mas e a frase continuar fazendo sentido, o valor é adversativo. Se trocar por e também ou além disso, é aditivo. Teste em E: "Nada tenho a dizer mas estou dizendo-o" — perfeito. Teste em A: "...arruinada por nossos pais mas a segunda metade, por nossos filhos" — não faz sentido, pois as duas metades se somam.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Vida: um espaço de tempo cuja primeira metade é arruinada por nossos pais e a segunda metade, por nossos filhos."

Aqui o e liga duas informações que se somam: a primeira metade é arruinada pelos pais, a segunda pelos filhos. Não há oposição entre as duas metades; elas são complementares na descrição da vida. O e é aditivo. Se trocarmos por mas, o sentido se perde: "...primeira metade é arruinada por nossos pais mas a segunda metade, por nossos filhos" — não há contraste, apenas acréscimo. Erro: valor aditivo, não adversativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Uma casa é feita de tijolo e pedra. Um lar é feito apenas de amor."

Aqui o e liga tijolo e pedra, dois materiais de construção. A relação é de adição (soma de elementos). Não há oposição entre tijolo e pedra; eles são coordenados e aditivos. A frase nem apresenta duas orações ligadas pelo e — ele liga dois termos dentro da mesma oração. Erro: valor aditivo, não adversativo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Esculpir: eu escolho um bloco de mármore e retiro tudo o que não preciso."

O e liga duas ações sequenciais e complementares: escolher o bloco e retirar o excesso. A segunda ação é uma consequência ou continuação da primeira, não uma oposição. O e é aditivo (e talvez com leve valor consecutivo, mas não adversativo). Se trocar por mas, o sentido se perde: "escolho um bloco mas retiro tudo" — não há contraste. Erro: valor aditivo, não adversativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Arte é fazer alguma coisa do nada e vendê-la."

O e liga duas ações que se somam na definição de arte: fazer algo e vender. Não há oposição entre criar e vender; são etapas complementares do processo. O e é aditivo. Se trocar por mas, o sentido se perde: "fazer alguma coisa do nada mas vendê-la" — não há contraste. Erro: valor aditivo, não adversativo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Nada tenho a dizer e estou dizendo-o. Tal é a poesia."

Aqui o e liga duas orações que expressam ideias opostas: "nada tenho a dizer" (ausência de conteúdo) e "estou dizendo-o" (produção de discurso). A segunda oração contraria a expectativa criada pela primeira — quem nada tem a dizer não deveria estar dizendo algo. Essa quebra de expectativa é a marca do valor adversativo. O e equivale a mas: "Nada tenho a dizer mas estou dizendo-o." A frase é uma paradoxo (figura de pensamento) que só se sustenta pela oposição. Correta: valor adversativo.

Conclusão: a questão testa a polissemia da conjunção "e". A técnica é substituir o e por mas (adversativo) ou por e também (aditivo) e ver qual mantém o sentido. Em E, a substituição por mas funciona perfeitamente, revelando a oposição. Nas demais, a substituição por e também é a que preserva o sentido, confirmando o valor aditivo. Gabarito: letra E.

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