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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — FGV 2023

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
fg160207
Banca
FGV
Órgão
TJ SE
Ano
2023
Cargo
TJ ( )

Por que a pontuação nos jogos de tênis segue a ordem 15, 30 e 40? (adaptado)

 

Uma dica: tem a ver com o jeu de paume, ancestral do tênis atual.

 

Por Maria Clara Rossini

 

A hipótese mais provável tem a ver com o jogo de palma (jeu de paume), modalidade francesa da qual o tênis é descendente. A principal diferença entre os dois é que, em vez da raquete, antigamente os jogadores usavam a mão mesmo para rebater a bola. Cada jogador ficava a 60 pés (18 metros) da rede.

 

Os pontos eram contados de um em um. A cada vez que um jogador marcava, ele deveria se aproximar 15 pés da rede. Depois, mais 15 pés (ficando a 30 pés do início da quadra). É de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais 15 pés – só que essa posição ficava muito próxima da rede, o que aniquilaria o desempenho do participante. O jogador, então, tinha de se aproximar só mais 10 pés, totalizando 40 de distância da sua posição inicial em vez de 45.

 

Acontece que também existem registros de jogos de tênis que seguiam a ordem “15, 30 e 45”. Um poema escrito no século 15, por exemplo, narra uma partida de tênis entre o rei Henrique 5º, da Inglaterra e um nobre francês – e utiliza o 45 na contagem. O mesmo ocorre em uma poesia escrita pelo duque Charles de Orleães, da mesma época.

 

Esse tipo de registro coloca uma dúvida na cabeça dos historiadores do esporte. Uma hipótese que justificaria o “45” é o uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo. Cada quarto de hora representaria um ponto, e quem conseguisse dar a volta primeiro ganhava. Apesar de fazer algum sentido, não há evidências do uso de relógios para esse fim. É provável que muitos passaram a usar o 45 simplesmente por ser uma progressão mais natural, com intervalos uniformes.

 

Mesmo assim foi o 15, 30, 40 que vingou. O jeu de paume agradece.

 

Disponível em: https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/por-que-a-pontuacaonos- jogos-de-tenis-segue-a-ordem-15-30-e-40/

Texto 2

 

“Uma hipótese que justificaria o ‘45’ é o uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo.” (Texto 2, 4º parágrafo)

 

Nessa passagem, as aspas presentes em “45” desempenham uma função específica.

 

Essa mesma função pode ser identificada na seguinte alternativa:

  1. ADisseram que eu preciso assinar o documento em três vias, anexar uma foto 3x4 atual e mandar tudo pelo correio – olha que “simples”!;
  2. BA palavra “casa” tem quatro letras;
  3. CPaulo jura que foi tudo sem querer, mas esse tal “acidente” de que ele fala é muito suspeito;
  4. DO “coffee break” durou muito mais do que o previsto;
  5. ENas palavras da Isadora, “nada deve ser feito, sob o risco de piorar ainda mais a situação”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A palavra “casa” tem quatro letras;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso das aspas: destaque de termo citado como palavra

Gabarito: letra B. No trecho do Texto 2, as aspas em “45” têm a função de destacar o termo como palavra/expressão citada, isolando-o do discurso para indicar que se fala do vocábulo em si, e não do número em sua função referencial. A alternativa que repete exatamente essa função é a B, em que “casa” aparece entre aspas para ser tratada como palavra, não como objeto do mundo. As demais alternativas usam aspas com outras finalidades: ironia (A e C), estrangeirismo (D) e citação de fala (E).

O comando

A questão pede que você identifique a função específica das aspas no trecho dado e encontre a alternativa em que elas exercem a mesma função. Isso é uma questão de semântica e pontuação: não basta saber que aspas “destacam” algo; é preciso reconhecer o tipo de destaque — se é para marcar palavra citada, ironia, estrangeirismo, citação direta etc.

O texto e a função das aspas em “45”

No trecho “Uma hipótese que justificaria o ‘45’ é o uso de relógios...”, as aspas isolam o numeral “45” para mencioná-lo como termo, como se dissesse: “a palavra/numeral 45”. O autor não está usando o número para contar ou medir; está citando o símbolo que aparece na contagem do tênis. É o uso metalinguístico das aspas: fala-se do signo, não do referente.

A técnica: teste a função em cada alternativa

Para resolver, pergunte: as aspas estão marcando a palavra como palavra (uso metalinguístico), ou estão marcando ironia, estrangeirismo, citação de fala? A alternativa correta é a que repete o uso metalinguístico.

1Metalinguística (falar da palavra em si)
“45” no texto
“casa” (alternativa B)
2Ironia
“simples” (alternativa A)
“acidente” (alternativa C)
3Estrangeirismo
“coffee break” (alternativa D)
4Citação direta
Fala de Isadora (alternativa E)
Funções das aspas
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Funções das aspas: Metalinguística (falar da palavra em si) (“45” no texto, “casa” (alternativa B)); Ironia (“simples” (alternativa A), “acidente” (alternativa C)); Estrangeirismo (“coffee break” (alternativa D)); Citação direta (Fala de Isadora (alternativa E))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Aqui as aspas em “simples” têm valor irônico: o emissor sugere que a tarefa não é simples, mas complicada. É o oposto do uso metalinguístico, que trata o termo como palavra. A banca explora a confusão entre ironia e citação de termo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

As aspas em “casa” isolam a palavra para mencioná-la como vocábulo, não como objeto do mundo. A frase fala da palavra “casa” (que tem quatro letras), exatamente como o texto fala do numeral “45”. É o uso metalinguístico: o signo é o referente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

As aspas em “acidente” têm valor irônico/dúbio: o emissor questiona se foi realmente um acidente, sugerindo que pode ter sido proposital. Não é uso metalinguístico, pois não se fala da palavra em si, mas do sentido questionado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

As aspas em “coffee break” marcam um estrangeirismo — expressão de outra língua incorporada ao português. Embora destaquem o termo, a função é indicar que se trata de palavra estrangeira, não de mencionar o vocábulo como objeto de análise.

Alternativa E — ❌ Incorreta

As aspas aqui introduzem uma citação direta de fala atribuída a Isadora. A função é reproduzir as palavras de outra pessoa, não isolar um termo para tratá-lo como palavra.

Fechamento

A regra de ouro: as aspas têm funções distintas — metalinguística (falar da palavra), irônica, estrangeirismo, citação direta. Para acertar, identifique o que o autor faz com o termo: se ele o trata como objeto de análise, é uso metalinguístico. Na dúvida, pergunte: “a frase fala sobre a palavra em si?” Se sim, é a função pedida.

Gabarito: letra B

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