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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — FGV 2023

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
fg160214
Banca
FGV
Órgão
FEMPAR
Ano
2023
Cargo
Vest ( )

A expressão é que, muitas vezes, é empregada com valor enfático, de realce.

 

Assinale a frase em que isso ocorre.

  1. AA mais estranha coisa sobre o futuro é que alguém evocará nossa época como os bons e velhos tempos.
  2. BEstou interessado no futuro, pois lá é que vou passar o resto da minha vida.
  3. CO problema com o futuro é que ele continua se convertendo em presente.
  4. DO ruim da velhice é que quando ela acaba, é pior.
  5. EO pior do suicídio é que se te agrada, não é possível repetir.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Estou interessado no futuro, pois lá é que vou passar o resto da minha vida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor enfático da expressão "é que": partícula de realce

Gabarito: letra B. A expressão "é que" tem valor enfático quando funciona como partícula expletiva de realce, ou seja, quando pode ser retirada da frase sem alterar o sentido — apenas realça um termo. Na frase "Estou interessado no futuro, pois lá é que vou passar o resto da minha vida", o trecho "é que" pode ser suprimido: "Estou interessado no futuro, pois lá vou passar o resto da minha vida". O sentido permanece o mesmo; a diferença é apenas a ênfase dada ao advérbio "lá". Nas demais alternativas, o "que" é conjunção integrante, introduzindo uma oração subordinada substantiva que completa o sentido do verbo "ser" — e, nesses casos, a retirada do "que" quebraria a estrutura sintática.

O comando

A questão pede que você identifique a frase em que "é que" é empregado com valor enfático, de realce. Isso não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática aplicada: você precisa reconhecer a função da expressão em cada contexto. O comando "assinale a frase em que isso ocorre" indica que apenas uma alternativa apresenta o fenômeno; as demais usam "é que" com outra função (conjunção integrante).

O conceito: partícula expletiva de realce

A partícula expletiva (também chamada de palavra denotativa de realce) é um termo que não exerce função sintática e serve apenas para enfatizar um elemento da frase. A expressão "é que" é um exemplo clássico: ela pode ser retirada sem prejuízo sintático ou semântico, apenas perdendo-se a ênfase. Veja o exemplo do material de apoio:

"Eu é que sou mais eu." — sem o "é que": "Eu sou mais eu." O sentido é o mesmo, mas a ênfase em "eu" se perde.

A conjunção integrante, por outro lado, introduz uma oração subordinada substantiva (que exerce função de sujeito, objeto, predicativo etc.). Nesse caso, o "que" é essencial para a estrutura da frase: retirá-lo torna a oração agramatical ou muda completamente o sentido.

A técnica de resolução

O teste decisivo é simples: tente retirar o "é que" da frase. Se a frase continuar gramatical e com o mesmo sentido, temos partícula de realce. Se a frase ficar incompleta ou sem sentido, temos conjunção integrante.

Aplique esse teste em cada alternativa:

  • A) "A mais estranha coisa sobre o futuro é que alguém evocará nossa época como os bons e velhos tempos." — Retirando "é que": "A mais estranha coisa sobre o futuro alguém evocará nossa época..." — a frase fica agramatical. O "que" é conjunção integrante, introduzindo a oração "que alguém evocará..." (predicativo do sujeito "a coisa").

  • B) "Estou interessado no futuro, pois lá é que vou passar o resto da minha vida." — Retirando "é que": "Estou interessado no futuro, pois lá vou passar o resto da minha vida." — a frase permanece perfeita. O "é que" apenas realça o advérbio "lá". Partícula de realce.

  • C) "O problema com o futuro é que ele continua se convertendo em presente." — Retirando "é que": "O problema com o futuro ele continua se convertendo em presente." — agramatical. O "que" é conjunção integrante (oração subordinada substantiva predicativa).

  • D) "O ruim da velhice é que quando ela acaba, é pior." — Retirando "é que": "O ruim da velhice quando ela acaba, é pior." — agramatical. O "que" é conjunção integrante.

  • E) "O pior do suicídio é que se te agrada, não é possível repetir." — Retirando "é que": "O pior do suicídio se te agrada, não é possível repetir." — agramatical. O "que" é conjunção integrante.

Análise das alternativas

"É que"
  • 1Partícula expletiva de realce
    • Pode ser retirada sem prejuízo
    • Mantém o sentido
    • Apenas enfatiza um termo
  • 2Conjunção integrante
    • Retirada quebra a estrutura
    • Introduz oração subordinada substantiva
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O "que" é conjunção integrante: introduz a oração "que alguém evocará nossa época como os bons e velhos tempos", que funciona como predicativo do sujeito "a mais estranha coisa sobre o futuro". A retirada do "é que" torna a frase agramatical. A banca tenta confundir o candidato com a presença do verbo "ser", mas o "que" aqui não é expletivo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O "é que" é partícula expletiva de realce: pode ser retirado sem prejuízo sintático ou semântico, apenas perdendo a ênfase no advérbio "lá". A frase "Estou interessado no futuro, pois lá vou passar o resto da minha vida" é gramatical e mantém o sentido original. É exatamente o valor enfático pedido no enunciado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O "que" é conjunção integrante: introduz a oração "que ele continua se convertendo em presente", que funciona como predicativo do sujeito "o problema com o futuro". A retirada do "é que" quebra a estrutura. Não há valor de realce.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O "que" é conjunção integrante: introduz a oração "que quando ela acaba, é pior", que funciona como predicativo do sujeito "o ruim da velhice". A retirada do "é que" torna a frase agramatical. Não há valor de realce.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O "que" é conjunção integrante: introduz a oração "que se te agrada, não é possível repetir", que funciona como predicativo do sujeito "o pior do suicídio". A retirada do "é que" quebra a estrutura. Não há valor de realce.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o "que" conjunção integrante (que introduz oração subordinada substantiva) e o "que" partícula expletiva de realce. Em todas as alternativas, o "é que" aparece com o verbo "ser", mas apenas em B ele é dispensável. O teste da retirada é infalível.

PEGA ESSA DICA!

Ao se deparar com "é que", pergunte: "posso retirar sem mudar o sentido?" Se sim, é realce; se não, é conjunção integrante. Esse teste resolve a questão em segundos.

Gabarito: letra B.

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