Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg160229
Banca
FGV
Órgão
SRFB
Ano
2023
Cargo
AFRFB
A origem dos tributos
Atualmente a atividade tributária tem assumido o papel de prover os recursos destinados ao governo para a realização dos fins almejados e revertidos para o bem-estar da coletividade, porém nem sempre foi assim.
Na antiguidade a tributação se destinava basicamente a custear guerras e a prover o sustento de uma classe governante que excedia em seus gastos com luxo e obras suntuosas para o seu mero deleite.
Em comunidades primitivas, quando a terra passou a ser um bem de muito valor e objeto constante de disputa entre diversas tribos, as tribos vencedoras exigiam vantagens tributárias tais como, contribuições em ouro, escravos e mercadorias a título de despojos de Guerra.
Na Pérsia no governo de Ciro, no século VI a. C foi implantado um eficiente sistema de correio que permitia o acompanhamento da arrecadação e controle. Tem origem na Pérsia a mais antiga taxa de prestação de serviço público, referente à expedição de carta de correspondência.
Nos antigos impérios a população pagava a “décima”, que correspondia a 10% sobre a produção devida ao Estado para as obras públicas.
No Egito antigo o império instituiu uma administração altamente especializada e centralizada e dentre as carreiras públicas, a de escriba real que controlavam a arrecadação de tributos, estava no topo da carreira. O regime tributário no Egito incidia sobre os camponeses que tinham a obrigação de pagarem a título de imposto uma contribuição sobre o montante da produção.
Na Grécia antiga os tributos serviam para custear as despesas de guerra e para isso o Estado cobrava impostos sobre estrangeiros, assim como a conquista de novas áreas servia para aumentar o controle da arrecadação tributária naquela região.
No império Romano a arrecadação de impostos também teve grande importância, pois sua riqueza e expansão foram conquistadas sobre bases tributárias. A expansão do império Romano resultou na anexação de territórios fora da Itália, sendo que as cidades provinciais pagavam os tributos diretos e permanentes sobre as pessoas, e sobre a produção da terra, bem como sobre exploração das minas. O atual sistema de múltiplos impostos foi herdado dos romanos.
(Alessandro Leôncio Frazão)
Um texto obedece a uma determinada estruturação, que, segundo seu autor, é mais conveniente. Assinale a observação adequada sobre a estruturação desse texto.
ATratando-se de um texto histórico, cada parágrafo mostra sucessão cronológica e uma contínua retomada de informações anteriormente fornecidas.
BO critério de paragrafação do texto é fundamentado na diferença cronológica e na noção de progresso aplicada aos impostos.
CO parágrafo final do texto mostra um ponto de chegada do sistema de impostos, caracterizado pela multiplicidade e pela ligação mais próxima ao sistema atual de cobrança.
DO primeiro parágrafo mostra a etapa mais antiga do sistema de impostos, em oposição a todos os citados na sequência do texto.
EO título selecionado para o texto abrange todos os tópicos abordados nos diversos parágrafos, encaminhados a justificar o sistema atual de cobrança de impostos.
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GabaritoC — O parágrafo final do texto mostra um ponto de chegada do sistema de impostos, caracterizado pela multiplicidade e pela ligação mais próxima ao sistema atual de cobrança.
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Estruturação do texto: o parágrafo final como ponto de chegada
Gabarito: letra C. A alternativa correta é a que reconhece no parágrafo final do texto um ponto de chegada do sistema de impostos, caracterizado pela multiplicidade e pela ligação mais próxima ao sistema atual de cobrança. Isso se prova diretamente no último parágrafo, quando o autor afirma que "O atual sistema de múltiplos impostos foi herdado dos romanos" — ou seja, o texto encerra conectando a história ao presente, e não apenas descrevendo mais um período antigo.
O comando pede uma observação adequada sobre a estruturação do texto, ou seja, uma análise de como o autor organizou os parágrafos e qual a função de cada parte. Não se trata de localizar uma informação pontual (compreensão), mas de interpretar a arquitetura do texto — o papel do parágrafo inicial, dos parágrafos intermediários e do parágrafo final. A banca quer que você perceba o movimento: o texto parte de uma visão geral (primeiro parágrafo), percorre vários períodos históricos (antiguidade, comunidades primitivas, Pérsia, Egito, Grécia, Roma) e conclui com uma ponte para o presente.
O texto é um texto histórico-expositivo: o autor narra a evolução da tributação desde a antiguidade até o Império Romano, sempre com foco em como os tributos eram usados e cobrados. O primeiro parágrafo já anuncia a tese central: "Atualmente a atividade tributária tem assumido o papel de prover os recursos destinados ao governo... porém nem sempre foi assim." A partir daí, cada parágrafo apresenta um período histórico (comunidades primitivas, Pérsia, impérios antigos, Egito, Grécia, Roma), mas não em ordem puramente cronológica — há uma progressão temática que culmina no sistema atual.
A técnica decisiva aqui é distinguir sucessão cronológica de progressão temática. Sucessão cronológica seria uma lista de fatos em ordem de tempo, sem hierarquia. Progressão temática é quando o texto avança em direção a um ponto final — no caso, o sistema atual de impostos. O último parágrafo não é apenas "mais um período histórico": ele fecha o raciocínio ao afirmar que o sistema atual foi herdado dos romanos. Isso é um ponto de chegada, não uma simples continuação.
"A expansão do império Romano resultou na anexação de territórios fora da Itália, sendo que as cidades provinciais pagavam os tributos diretos e permanentes sobre as pessoas, e sobre a produção da terra, bem como sobre exploração das minas. O atual sistema de múltiplos impostos foi herdado dos romanos."
A passagem "O atual sistema de múltiplos impostos foi herdado dos romanos" é a chave: ela liga o passado ao presente e caracteriza o sistema atual como múltiplo (multiplicidade). A alternativa C captura exatamente isso: o parágrafo final é um ponto de chegada, marcado pela multiplicidade e pela proximidade com o sistema atual.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "sucessão cronológica" e "progressão temática". O texto não é uma mera lista cronológica; ele avança em direção ao presente. A alternativa A tenta fazer o texto parecer uma linha do tempo simples, mas o autor não retoma informações anteriores de forma contínua — ele acrescenta novos períodos.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar a estrutura de um texto, pergunte: "qual é a função de cada parágrafo?" O primeiro apresenta o tema, os intermediários desenvolvem, e o último conclui — muitas vezes com uma ponte para o presente ou uma síntese. Grife as palavras que indicam conclusão ("atual", "herdado", "portanto").
11º parágrafo: visão geral
2Parágrafos intermediários: períodos históricos
3Parágrafo final: ponto de chegada
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: generalização indevida. A alternativa afirma que "cada parágrafo mostra sucessão cronológica e uma contínua retomada de informações anteriormente fornecidas". Isso não é verdade: o texto não retoma informações anteriores de forma contínua. Cada parágrafo apresenta um novo período histórico, sem retomar o anterior. Além disso, a sucessão não é puramente cronológica — o texto começa com uma visão geral (primeiro parágrafo) e depois salta para a antiguidade, sem uma linha do tempo rígida. A alternativa generaliza uma característica (cronologia) que não se aplica a todos os parágrafos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o critério de paragrafação é "fundamentado na diferença cronológica e na noção de progresso aplicada aos impostos". O texto não menciona "noção de progresso" — ele apenas descreve como os tributos eram usados em cada período, sem avaliar se houve progresso. A palavra "progresso" é uma opinião embutida que o autor não externou. Além disso, a paragrafação não é baseada apenas em cronologia: há uma progressão temática que culmina no presente.
Alternativa C — ✅ Correta
Fundamento: o último parágrafo afirma que "O atual sistema de múltiplos impostos foi herdado dos romanos". Isso mostra que o parágrafo final é um ponto de chegada: ele conecta a história ao presente e caracteriza o sistema atual como múltiplo. A alternativa C captura exatamente isso: "O parágrafo final do texto mostra um ponto de chegada do sistema de impostos, caracterizado pela multiplicidade e pela ligação mais próxima ao sistema atual de cobrança." É uma paráfrase fiel do trecho final.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que "O primeiro parágrafo mostra a etapa mais antiga do sistema de impostos". Isso é falso: o primeiro parágrafo fala do presente ("Atualmente a atividade tributária tem assumido o papel...") e apenas introduz a ideia de que "nem sempre foi assim". A etapa mais antiga é mencionada no segundo parágrafo ("Na antiguidade a tributação se destinava basicamente a custear guerras..."). A alternativa inverte a ordem: o primeiro parágrafo é a introdução, não a etapa mais antiga.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. A alternativa afirma que o título "abrange todos os tópicos abordados nos diversos parágrafos, encaminhados a justificar o sistema atual de cobrança de impostos". O texto não tem como objetivo "justificar" o sistema atual — ele apenas descreve a origem histórica. A palavra "justificar" é uma opinião embutida que o autor não externou. Além disso, o título "A origem dos tributos" abrange o tema, mas os parágrafos não são encaminhados a justificar nada; eles apenas narram a evolução.
Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a letra C, pois o parágrafo final é explicitamente um ponto de chegada, ligando o sistema atual ao passado romano. As demais ou generalizam, ou contradizem, ou extrapolam o que está escrito.