Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg160230
Banca
FGV
Órgão
SRFB
Ano
2023
Cargo
AFRFB
“Os tributos são tão antigos quanto a própria humanidade, sua origem não pode ser definida com exatidão, mas acompanha a própria evolução humana, desde épocas pré-históricas quando o homem passou a fixar-se em apenas um local para caça e guarda de alimentos, sendo, portanto, dono daquele pedaço de terra. No início os tributos eram ofertas voluntárias dos homens como forma de presentear ou homenagear seus Deuses e Líderes.
Com o passar do tempo, pelo que se pode ver, as disputas por terras por meio de centenas de guerras foram responsáveis pela evolução da humanidade com o surgimento de grandes civilizações. A partir dessa época os tributos passaram a ser obrigatórios e exigidos pelos reis para financiar seus exércitos e com isso conquistar mais terras.”
(Ederson Leandro Pereira Farias)
O texto acima mostra a opinião e as informações do autor do texto sobre alguns temas ligados aos tributos. Sobre a estruturação envolvendo informações e opiniões, assinale a opção adequada.
AO enunciador reivindica a paternidade das informações prestadas, como frutos da sua própria opinião.
BO autor do texto apresenta sua própria opinião travestida de uma aparência de opinião geral.
CO autor do texto o apresenta como fruto de seu próprio trabalho de pesquisa, não identificando as fontes.
DO enunciador apresenta informações de origem alheia, acompanhadas de comentários sobre elas.
EO autor do texto apresenta informações diversas, colocando as divergências em destaque.
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GabaritoB — O autor do texto apresenta sua própria opinião travestida de uma aparência de opinião geral.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Estruturação de informações e opiniões no texto
Gabarito: letra B. O autor do texto apresenta sua própria opinião travestida de uma aparência de opinião geral — ou seja, ele emite juízos pessoais sobre a origem e a evolução dos tributos, mas os formula como se fossem afirmações universalmente aceitas, sem marcas explícitas de subjetividade (como "eu acho" ou "na minha opinião"). Essa estratégia fica evidente em passagens como "Os tributos são tão antigos quanto a própria humanidade" e "as disputas por terras por meio de centenas de guerras foram responsáveis pela evolução da humanidade", em que o autor generaliza e interpreta a história, sem apresentar fontes ou dados que comprovem suas afirmações.
O comando da questão
O enunciado pede que você analise como o autor estrutura as informações e opiniões no texto. Isso não é uma questão de localizar um dado explícito (compreensão), mas de perceber a estratégia argumentativa do autor: ele mistura fatos históricos (como a existência de tributos na antiguidade) com interpretações pessoais (como a ideia de que as guerras "foram responsáveis pela evolução da humanidade"). A banca quer que você identifique essa aparência de objetividade que encobre uma visão subjetiva.
O texto: tema, tese e movimento argumentativo
O texto trata da origem e evolução dos tributos. O autor começa afirmando que os tributos são "tão antigos quanto a própria humanidade" e que sua origem "não pode ser definida com exatidão", mas acompanha a evolução humana. Em seguida, ele apresenta uma interpretação histórica: as guerras "foram responsáveis pela evolução da humanidade" e, a partir delas, os tributos "passaram a ser obrigatórios e exigidos pelos reis para financiar seus exércitos".
Perceba que o autor não cita fontes, não apresenta dados verificáveis e não usa marcas de opinião como "eu penso" ou "na minha visão". Ele simplesmente afirma como se fossem verdades universais. Essa é a estratégia de travestir a opinião pessoal em opinião geral: o leitor é levado a aceitar as interpretações do autor como se fossem fatos consensuais.
A técnica que decide
A questão exige distinguir informação (fato verificável) de opinião (juízo de valor). No texto, há informações como "os tributos eram ofertas voluntárias" e "os tributos passaram a ser obrigatórios", mas há também opiniões como "as disputas por terras... foram responsáveis pela evolução da humanidade" — uma interpretação que não é comprovada. O autor não se apresenta como fonte (não diz "eu pesquisei"), nem atribui a outrem (não diz "segundo historiadores"), nem destaca divergências (não diz "alguns autores pensam X, outros Y"). Ele simplesmente afirma de forma categórica, como se todos concordassem.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre opinião pessoal e opinião geral. O candidato pode achar que o autor está apenas informando, mas ele está opinando disfarçadamente. A alternativa B captura exatamente essa estratégia.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar a estrutura de um texto, pergunte-se: o autor marca sua opinião (com "eu acho", "na minha visão") ou a apresenta como fato? Se ele generaliza sem marcas de subjetividade, está travestindo opinião em verdade universal.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o enunciador reivindica a paternidade das informações, como frutos da sua própria opinião. Isso não ocorre no texto: o autor não diz "eu penso" ou "na minha opinião". Ele se apresenta de forma impessoal, como se estivesse apenas relatando fatos. A alternativa extrapola ao atribuir ao autor uma marca de subjetividade explícita que não existe.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O autor apresenta sua própria opinião travestida de aparência de opinião geral. Veja o trecho:
"as disputas por terras por meio de centenas de guerras foram responsáveis pela evolução da humanidade"
Essa é uma interpretação pessoal (as guerras não são objetivamente a causa da evolução), mas o autor a afirma como fato, sem marcas de subjetividade. Ele também diz que os tributos são "tão antigos quanto a própria humanidade" — outra generalização sem comprovação. A alternativa B descreve exatamente essa estratégia: opinião pessoal disfarçada de opinião geral.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o autor apresenta o texto como fruto de seu próprio trabalho de pesquisa, não identificando as fontes. Isso não está no texto: o autor não menciona pesquisa, método ou fontes. Ele simplesmente narra a história dos tributos. A alternativa extrapola ao acrescentar uma informação (o trabalho de pesquisa) que não é sustentada pelo texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o enunciador apresenta informações de origem alheia, acompanhadas de comentários. Isso não ocorre: o autor não cita nenhuma fonte externa (não diz "segundo historiadores" ou "de acordo com pesquisas"). Ele não atribui as informações a terceiros. A alternativa contradiz o texto, que apresenta as informações como próprias do autor, sem indicação de origem alheia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o autor apresenta informações diversas, colocando as divergências em destaque. Isso não ocorre: o texto não apresenta divergências, nem discute pontos de vista diferentes. O autor não menciona controvérsias ou opiniões conflitantes. A alternativa tangencia o tema ao falar de divergências, que não são abordadas no texto.
Conclusão
A questão testa a capacidade de perceber a estratégia argumentativa do autor. A alternativa B é a única que descreve com precisão o que o texto faz: apresentar uma opinião pessoal como se fosse verdade universal. As demais alternativas extrapolam, contradizem ou tangenciam o conteúdo do texto.