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Questão de Português — Linguagem Formal e Informal — FGV 2023

PortuguêsLinguagem Formal e Informal
Código
fg160239
Banca
FGV
Órgão
Pref SP
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

Como ensinar a ler

 

Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.

 

Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.

 

Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em estórias.

 

É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda. Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.

 

ALVES, Rubem, Ostra feliz não faz pérola. Ed. Planeta do Brasil Ltda. São Paulo. 2021.

Texto

   

Leia o trecho a seguir.


Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.


Sobre esse primeiro parágrafo do texto, assinale a opção em que está presente uma marca de oralidade.

  1. ASe eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.
  2. BEu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores.
  3. C(...) falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes.
  4. D(...) a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo.
  5. EAí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Marca de oralidade no primeiro parágrafo

Gabarito: letra E. A única alternativa que apresenta marca de oralidade é a que contém o conectivo "Aí", típico da fala cotidiana, usado para dar sequência à narrativa. As demais opções mantêm a norma culta, com vocabulário formal e períodos completos.

O comando pede que você identifique, no primeiro parágrafo, a presença de uma marca de oralidade — ou seja, um traço de linguagem informal, própria da conversa espontânea. Isso não é uma questão de interpretação profunda, mas de reconhecimento de um recurso linguístico específico. A banca quer que você distinga o que é apenas vocabulário simples do que é, de fato, um coloquialismo.

No trecho, o autor narra uma hipótese: "Se eu fosse ensinar...". A oralidade aparece no uso do "Aí" — um conectivo que, na escrita formal, seria substituído por "então", "nesse momento" ou "assim". Esse uso é característico da fala, pois marca uma sequência temporal de forma espontânea, sem o rigor da norma culta.

As demais alternativas apresentam construções formais: "Se eu fosse ensinar...", "Eu a levaria...", "falaria sobre suas maravilhosas simetrias...", "a levaria a uma livraria...". Nenhuma delas contém expressão coloquial, gíria ou abreviação típica da oralidade. O vocabulário é culto e a sintaxe é completa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com a aparente simplicidade do texto. Muitos podem achar que "pás, enxadas e tesouras" é informal, mas isso é apenas vocabulário concreto, não coloquialismo. O "Aí" é a única marca de fala.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar oralidade, procure por conectivos típicos da fala ("aí", "então", "daí"), gírias, abreviações ("pra", "tá") ou construções que fogem à norma culta. Vocabulário simples não é sinônimo de informal.

1O que é
Traço de linguagem informal
Próprio da conversa espontânea
2Como identificar
Conectivos típicos da fala (aí, então, daí)
Gírias
Abreviações (pra, tá)
Fuga da norma culta
3O que NÃO é
Vocabulário simples
Vocabulário concreto
Sintaxe completa
Marca de oralidade
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Marca de oralidade: O que é (Traço de linguagem informal, Próprio da conversa espontânea); Como identificar (Conectivos típicos da fala (aí, então, daí), Gírias, Abreviações (pra, tá), Fuga da norma culta); O que NÃO é (Vocabulário simples, Vocabulário concreto, Sintaxe completa)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar."

A construção é formal: uso do futuro do pretérito composto ("fosse ensinar"), vocabulário culto ("arte da jardinagem", "lições") e sintaxe completa. Não há coloquialismo. Erro: não apresenta marca de oralidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores."

O uso do pronome oblíquo "a" ("Eu a levaria") é característico da norma culta, e o período é bem estruturado. Não há expressão informal. Erro: não apresenta marca de oralidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"(...) falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes."

O adjetivo "maravilhosas" e o substantivo "simetrias" são de registro formal, com vocabulário rebuscado. Não há traço de fala. Erro: não apresenta marca de oralidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"(...) a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo."

A oração subordinada "para que ela visse" e a intercalação "nos livros de arte" são construções formais, com correção gramatical. Não há coloquialismo. Erro: não apresenta marca de oralidade.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar."

O conectivo "Aí" é uma marca típica de oralidade, usado na fala para dar sequência a uma narrativa. Na escrita formal, seria substituído por "então", "nesse momento" ou "assim". Esse uso confere ao trecho um tom coloquial, sendo a única alternativa com essa característica.

Conclusão: a questão pede a marca de oralidade, e o "Aí" é o único elemento que foge à norma culta. As demais alternativas são formalmente corretas, mas sem traço de fala. Gabarito: letra E.

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