Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — FGV 2023
Português›Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
fg160267
Banca
FGV
Órgão
PM SP
Ano
2023
Cargo
Cabo ( )
“A segurança pública, de forma conceitual, é uma atividade que deve ser prestada pelos órgãos estatais e pela comunidade como um todo que visa proteger a cidadania, de forma a prevenir e controlar atos de criminalidade. Sendo que essa prestação efetiva garante o exercício pleno da cidadania nos limites da lei. Dada a importância constitucional desse serviço é que se conclui que o mesmo não pode ser executado de qualquer forma e sim de modo satisfatório, pois, quando não o é, a sociedade fica sujeita a diversos tipos de violência em diversas proporções, em que bens jurídicos como o patrimônio e a vida são gravemente violados. Por conseguinte, instituindo-se um caos de agressividade.”
(Jus.com.br / 28-07-2015)
Os textos usados na prova de Língua Portuguesa podem conter uma abordagem sociológica que não necessariamente reflete o tratamento dado pelo ordenamento jurídico quanto ao tema da segurança pública.
Atenção: o texto a seguir refere-se a próxima questão.
“Dada a importância constitucional desse serviço é que se conclui que o mesmo não pode ser executado de qualquer forma e sim de modo satisfatório, pois, quando nãoo é, a sociedade fica sujeita a diversos tipos de violência”; nesse segmento do texto, o pronome “o” sublinhado substitui um termo anterior, que é:
Ao mesmo.
Bexecutado de qualquer forma.
Cexecutado de modo satisfatório.
Dimportância constitucional.
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GabaritoC — executado de modo satisfatório.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
O pronome "o" e seu referente: coesão anafórica
Gabarito: letra C. O pronome oblíquo "o" em "quando não o é" retoma a expressão "executado de modo satisfatório", e não "executado de qualquer forma" nem "o mesmo". Isso se prova pela lógica do trecho: o autor afirma que o serviço "não pode ser executado de qualquer forma e sim de modo satisfatório"; em seguida, "quando não o é" só pode significar "quando não é executado de modo satisfatório" — é a única leitura que mantém a coerência do argumento.
"Dada a importância constitucional desse serviço é que se conclui que o mesmo não pode ser executado de qualquer forma e sim de modo satisfatório, pois, quando não o é, a sociedade fica sujeita a diversos tipos de violência"
O pronome "o" é um pronome pessoal oblíquo átono que, aqui, funciona como elemento de coesão referencial anafórica: ele retoma uma ideia já expressa, evitando a repetição. A pergunta é: qual termo anterior ele substitui? Para responder, é preciso reconstruir o sentido da oração "quando não o é".
O comando da questão
O enunciado pede que se identifique o referente do pronome "o" — ou seja, o termo que ele retoma. Isso é uma questão de coesão referencial, não de interpretação ampla. A técnica é simples: substitua mentalmente o pronome por cada candidato e veja qual produz uma frase com sentido completo e coerente.
A técnica que decide
Teste cada alternativa na oração "quando não o é":
A) o mesmo: "quando não o mesmo é" — não faz sentido, pois "o mesmo" é um pronome substantivo, não um verbo.
B) executado de qualquer forma: "quando não executado de qualquer forma é" — gramaticalmente possível, mas semanticamente absurdo: o autor não está dizendo que a sociedade sofre violência quando o serviço NÃO é feito de qualquer forma; pelo contrário, é quando NÃO é feito de modo satisfatório.
C) executado de modo satisfatório: "quando não executado de modo satisfatório é" — perfeito: a oração significa "quando não é executado de modo satisfatório", e é exatamente isso que o autor quer dizer, pois a consequência (violência) decorre da falta de qualidade do serviço.
D) importância constitucional: "quando não importância constitucional é" — não faz sentido, pois "importância" é um substantivo, não um verbo.
Portanto, a única alternativa que preserva o sentido é a C.
Por que as outras falham
A) o mesmo: confunde o pronome "o" com o pronome demonstrativo "o mesmo", que aparece antes no texto. O "o" de "quando não o é" não retoma "o mesmo", pois este é um pronome substantivo que já cumpriu sua função de retomar "serviço". O "o" aqui é um pronome pessoal oblíquo que substitui uma oração (a ideia de "ser executado de modo satisfatório").
B) executado de qualquer forma: é a pegadinha clássica. O termo "de qualquer forma" está imediatamente antes do "e sim", mas o pronome "o" não retoma a negação; retoma a alternativa positiva que o autor defende. A banca explora a proximidade superficial para induzir ao erro.
D) importância constitucional: foge completamente do escopo. O pronome "o" não pode retomar um substantivo feminino ("importância") porque é masculino; além disso, a oração "quando não o é" exige um verbo, não um substantivo.
A regra de ouro
Pronome "o" (coesão anafórica)
1Referente correto
"executado de modo satisfatório"
2Técnica de resolução
Substituir o pronome por cada candidato
Verificar qual mantém o sentido
3Pegadinhas da banca
Termo errado logo antes do pronome
"de qualquer forma" (negação, não retomada)
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NÃO CAIA NESSA!
A banca adora colocar o termo errado logo antes do pronome para confundir. A dica é sempre substituir o pronome pelo candidato e ver se a frase faz sentido. Se não fizer, descarte.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de coesão referencial, grife o pronome e pergunte: "o que ele substitui?" Depois, teste cada opção na oração. A que mantiver o sentido é a correta.
Gabarito: letra C — o pronome "o" retoma "executado de modo satisfatório".