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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg160282
Banca
FGV
Órgão
TJ RN
Ano
2023
Observe a seguinte frase, dita pelo gerente de uma empresa: “Esse empregado estava doente. Ele veio trabalhar. Isso mostra sua consciência profissional”.   Sobre a estruturação dessa frase, é correto afirmar que:
  1. Aas duas primeiras frases informam dois fatos;
  2. Ba terceira frase mostra uma oposição às duas frases anteriores;
  3. Centre as duas frases iniciais seria semanticamente adequada a conjunção “logo”;
  4. Do pronome “isso” se refere ao fato de o empregado estar doente;
  5. Eo significado desse pequeno fragmento é integralmente construído de forma explícita.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — as duas primeiras frases informam dois fatos;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estruturação do fragmento: fatos, oposição e coesão referencial

Gabarito: letra A. As duas primeiras frases — “Esse empregado estava doente” e “Ele veio trabalhar” — informam, de fato, dois fatos: o estado de doença do empregado e sua ação de comparecer ao trabalho. A alternativa A é a única que se limita a descrever o que está explícito no texto, sem acrescentar relações semânticas que não foram marcadas linguisticamente. A banca, aqui, testa exatamente a diferença entre o que o texto diz e o que o leitor infere — e a resposta correta é a que permanece no nível da recorrência (informação explícita).

O comando: o que a questão pede

O enunciado pergunta “sobre a estruturação dessa frase, é correto afirmar que”. Isso significa que a questão não quer uma interpretação subjetiva do conteúdo (por exemplo, se o empregado foi ou não dedicado), mas uma análise objetiva de como as frases se organizam: que tipo de informação cada uma veicula, que relação semântica há entre elas e a que termo o pronome “isso” se refere. É uma questão de compreensão (recorrência) e de coesão referencial, não de inferência livre.

O texto: o que está dito e o que está implícito

O fragmento é curto e composto por três orações:

“Esse empregado estava doente. Ele veio trabalhar. Isso mostra sua consciência profissional”

  • 1ª frase: informa um fato — o empregado estava doente.

  • 2ª frase: informa outro fato — ele veio trabalhar.

  • 3ª frase: apresenta uma avaliação do gerente: o fato de o empregado ter vindo trabalhar mesmo doente “mostra sua consciência profissional”.

A terceira frase não é um fato novo, mas um juízo de valor sobre os fatos anteriores. E o pronome “isso” retoma, de forma catafórica (ou melhor, anafórica), o conjunto dos dois fatos — principalmente o segundo (vir trabalhar doente) —, e não apenas o primeiro.

A técnica que decide: explícito × implícito

A grande armadilha desta questão é a extrapolação. O texto não diz que há uma relação de oposição entre estar doente e vir trabalhar; essa relação é uma inferência que o leitor faz com base no conhecimento de mundo (normalmente, quem está doente não vai trabalhar). Mas a banca pede o que é correto afirmar sobre a estruturação — ou seja, o que está marcado linguisticamente.

  • Fato: informação verificável, impessoal, que pode ser confirmada ou negada.

  • Opinião: juízo de valor, avaliação subjetiva, geralmente marcada por modalizadores (como “mostra sua consciência profissional”).

As duas primeiras frases são fatos; a terceira é uma opinião do gerente. A alternativa A capta exatamente isso.

Análise das alternativas

Estruturação do fragmento
  • 11ª frase
    • Fato: empregado estava doente
  • 22ª frase
    • Fato: ele veio trabalhar
  • 33ª frase
    • Opinião/avaliação do gerente
    • "Isso" retoma o conjunto dos fatos
  • 4Relações semânticas
    • Oposição (não marcada no texto)
    • Conclusão com "logo" (inadequada)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que “as duas primeiras frases informam dois fatos”. Isso é literalmente o que o texto apresenta:

“Esse empregado estava doente. Ele veio trabalhar.”

Ambas são orações declarativas que relatam estados de coisas verificáveis: a doença do empregado e sua vinda ao trabalho. Não há marcas de opinião, dúvida ou avaliação nessas duas frases. Portanto, a alternativa A é uma paráfrase fiel do texto — não acrescenta nada, não restringe nada, não infere nada. É a única que permanece no nível da recorrência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que “a terceira frase mostra uma oposição às duas frases anteriores”. Erro: extrapolação. O texto não contém nenhum conectivo de oposição (mas, porém, contudo, entretanto) nem qualquer palavra que marque contraste. A terceira frase é uma conclusão/avaliação sobre os fatos, não uma oposição. A relação de oposição (doente × veio trabalhar) é uma inferência do leitor, não está no texto. A banca explora exatamente essa confusão entre o que está dito e o que se pode deduzir.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que “entre as duas frases iniciais seria semanticamente adequada a conjunção ‘logo’”. Erro: troca de relação semântica. A conjunção “logo” indica conclusão (ou consequência). Entre “estava doente” e “veio trabalhar” não há relação de conclusão lógica — pelo contrário, há uma relação de quebra de expectativa (o esperado seria não vir). A conjunção adequada seria “mas” (oposição) ou “embora” (concessão), não “logo”. O texto não autoriza a inserção de “logo” sem alterar o sentido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que “o pronome ‘isso’ se refere ao fato de o empregado estar doente”. Erro: restrição indevida. O pronome “isso” retoma, por anáfora, o conjunto dos dois fatos anteriores — principalmente o segundo (vir trabalhar doente) —, e não apenas o primeiro. A prova está na própria frase: “Isso mostra sua consciência profissional”. A consciência profissional é demonstrada por vir trabalhar mesmo doente, não simplesmente por estar doente. Se “isso” se referisse apenas à doença, a frase não faria sentido (a doença não mostra consciência profissional). Portanto, a alternativa D restringe o referente do pronome, suprimindo parte essencial da informação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que “o significado desse pequeno fragmento é integralmente construído de forma explícita”. Erro: contradiz o texto. O fragmento contém informações implícitas — por exemplo, a relação de oposição entre estar doente e vir trabalhar, e a avaliação de que isso demonstra consciência profissional. A terceira frase é uma opinião do gerente, não um fato explícito. Além disso, o pronome “isso” exige que o leitor infira o referente. Portanto, o significado não é integralmente explícito; há camadas de sentido que dependem de inferência.

Conclusão

A questão ensina uma lição fundamental: a resposta correta em compreensão de texto é a que se limita ao que está escrito, sem acrescentar inferências. As alternativas B, C, D e E cometem, respectivamente, os erros de extrapolar (B), trocar a relação semântica (C), restringir o referente (D) e contradizer o texto (E). A alternativa A é a única que permanece no nível da recorrência, descrevendo fielmente o que as duas primeiras frases informam: dois fatos.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, pergunte-se: “o texto autoriza esta afirmação, ou eu estou completando com o que sei do mundo?”. Se a resposta for “completando”, a alternativa está errada.

Gabarito: letra A

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