Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg160283
Banca
FGV
Órgão
TJ RN
Ano
2023
Um senhor para diante de uma banca de jornais e diz para o jornaleiro: Você tem aí A Gazeta do Povo?
Sobre essa frase, na situação em que se insere, é correto afirmar que:
Aesse tipo de interrogação não pode ser respondido por meio dos advérbios “sim” ou “não”;
Bo jornaleiro pode notar a interrogação da frase por meio dos termos de valor interrogativo;
Ca frase mostra a intenção de comprar o jornal, por parte do enunciador da frase;
Do emprego do tratamento “você” mostra desrespeito pelo jornaleiro por parte do possível freguês;
Ea resposta “não” por parte do jornaleiro deve ser seguida de informações sobre onde se pode comprar o jornal.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — a frase mostra a intenção de comprar o jornal, por parte do enunciador da frase;
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A pergunta na banca de jornal: forma interrogativa e intenção de compra
Gabarito: letra C. A frase "Você tem aí A Gazeta do Povo?" é uma interrogação que, no contexto de uma banca de jornais, revela a intenção de comprar o jornal por parte do enunciador. Essa conclusão é uma inferência legítima, ancorada na situação comunicativa: quem pergunta por um jornal em uma banca, em geral, quer adquiri-lo. As demais alternativas ou contradizem o texto, ou extrapolam, ou acrescentam opiniões não sustentadas.
O comando: o que a banca pede
O enunciado pergunta o que é correto afirmar sobre a frase "na situação em que se insere". Isso é uma questão de interpretação — não de compreensão literal. A banca quer que o candidato vá além do sentido denotativo das palavras e perceba a intenção pragmática do falante. O comando "sobre essa frase, na situação em que se insere" é a chave: a resposta não está na gramática da frase isolada, mas no contexto de uso.
O texto: a situação comunicativa
O texto-base é mínimo: um senhor para diante de uma banca de jornais e pergunta ao jornaleiro se ele tem o jornal. Não há mais nada. Mas essa situação é suficiente para inferir a intenção. Quem pergunta por um produto em um estabelecimento comercial, em regra, quer comprá-lo. A pergunta "Você tem aí A Gazeta do Povo?" é um ato de fala indireto: a forma é interrogativa, mas a intenção é fazer uma solicitação (comprar). Essa é uma inferência clássica de pragmática linguística.
A técnica: inferência com pista no contexto
A alternativa C é a única que se sustenta por uma inferência ancorada na situação. O texto não diz explicitamente "quero comprar", mas a situação (banca de jornais + pergunta sobre um jornal específico) obriga a essa conclusão. É o mesmo mecanismo de "Você tem horas?" — ninguém responde apenas "sim", porque a intenção é saber as horas. A banca explora exatamente essa diferença entre forma (interrogativa) e função (solicitação).
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "esse tipo de interrogação não pode ser respondido por meio dos advérbios 'sim' ou 'não'". Isso contradiz o texto. A pergunta "Você tem aí A Gazeta do Povo?" é uma pergunta sim/não (polar). O jornaleiro pode responder "Sim, tenho" ou "Não, não tenho". A alternativa erra ao negar essa possibilidade. O erro é de contradição com a estrutura da frase.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa diz que "o jornaleiro pode notar a interrogação da frase por meio dos termos de valor interrogativo". Na frase, o termo interrogativo é o pronome "Você"? Não. A interrogação é marcada pela entoação e pelo ponto de interrogação no final, não por um pronome interrogativo (como "quem", "o quê", "onde"). A frase não contém pronome interrogativo. A alternativa troca o conceito: confunde a marca da interrogação (prosódia/pontuação) com a presença de um termo interrogativo. O erro é de troca de conceito.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que "a frase mostra a intenção de comprar o jornal, por parte do enunciador da frase". Isso é uma inferência legítima a partir da situação. O texto diz que o senhor está "diante de uma banca de jornais" e pergunta por um jornal específico. A pergunta, nesse contexto, é um ato de fala indireto que expressa o desejo de compra. Não é uma dedução arbitrária: é a leitura natural da situação. A alternativa está inteiramente sustentada pelo contexto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "o emprego do tratamento 'você' mostra desrespeito pelo jornaleiro". Isso é uma extrapolação e um acréscimo de opinião. O texto não dá nenhuma pista de que o uso de "você" seja desrespeitoso. Em português brasileiro, "você" é um tratamento comum e neutro em situações informais. Não há no texto qualquer marca de descortesia. A alternativa acrescenta um juízo de valor que o autor não externou.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "a resposta 'não' por parte do jornaleiro deve ser seguida de informações sobre onde se pode comprar o jornal". Isso é uma extrapolação e uma obrigação inexistente. O texto não diz que o jornaleiro tem o dever de indicar outro local. É uma expectativa social possível, mas não está no texto. A alternativa ultrapassa o que o texto autoriza.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a forma interrogativa (que admite sim/não) e a intenção pragmática (comprar). Além disso, tenta levar o candidato a considerar o "você" como desrespeitoso, o que é uma opinião embutida sem base no texto.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de interpretação, pergunte-se: "o texto autoriza esta conclusão, ou exige que eu acrescente algo de fora?". A alternativa correta é a única que se sustenta com as pistas do próprio texto.