Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg160290
Banca
FGV
Órgão
TJ RN
Ano
2023
Observe a seguinte frase: “Se você vai viajar para a Itália, não esqueça de visitar o Coliseu”; para que essa frase tenha sentido, sua coerência está ligada ao seguinte fator:
Aconhecimento do vocabulário empregado;
Bconhecimento partilhado entre emissor e receptor;
Cinferências possíveis da frase;
Dintertextualidade com outro texto famoso;
Eausência de polissemia ou ambiguidade.
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GabaritoB — conhecimento partilhado entre emissor e receptor;
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Fatores de coerência textual: o conhecimento partilhado como base do sentido
Gabarito: letra B. A frase “Se você vai viajar para a Itália, não esqueça de visitar o Coliseu” só faz sentido porque emissor e receptor partilham o conhecimento de que o Coliseu é um ponto turístico famoso da Itália — sem esse dado comum, a recomendação soaria arbitrária. A coerência, aqui, não depende de vocabulário, de inferências internas, de intertextualidade ou de ausência de ambiguidade, mas sim de um saber compartilhado que está fora do texto, no contexto sociocultural.
O comando: o que a banca quer
A questão pergunta a que fator está ligada a coerência da frase. Isso é diferente de perguntar “o que a frase significa” ou “que recurso linguístico ela usa”. A banca quer que você identifique por que a frase é coerente — ou seja, qual condição externa ou interna permite que ela seja compreendida como uma unidade de sentido. Perceba: a frase é curta, sem conectivos complexos, sem ambiguidade aparente. O que a torna “compreensível” é o conhecimento de mundo que o leitor precisa acionar.
O texto: o que sustenta a resposta
A frase em análise é: “Se você vai viajar para a Itália, não esqueça de visitar o Coliseu”. Para que ela faça sentido, o receptor precisa saber:
que Itália é um país;
que Coliseu é um monumento localizado em Roma, na Itália;
que visitar o Coliseu é uma atividade turística relevante.
Nenhuma dessas informações está explícita na frase. Elas vêm do conhecimento partilhado entre quem fala e quem ouve. Se o receptor nunca ouviu falar do Coliseu, a frase ainda é gramaticalmente correta, mas perde a força comunicativa — ele não entenderia por que “não esquecer” de visitar algo que não sabe o que é. A coerência, portanto, não está nas palavras em si, mas na ativação de um saber comum.
A técnica: coerência interna × externa
A coerência textual pode ser analisada em dois planos:
Plano
O que é
Exemplo na frase
Interno (linguístico)
Relações de sentido entre os elementos do texto (coesão, lógica, ausência de contradição)
A estrutura “se... então” estabelece uma condição; não há contradição interna
Externo (contextual)
Conhecimento de mundo, contexto sociocultural, pressupostos partilhados
Saber que o Coliseu fica na Itália e é um ponto turístico
A questão cobra exatamente o plano externo. A alternativa B fala em “conhecimento partilhado entre emissor e receptor”, que é a definição clássica de conhecimento de mundo — um dos fatores de coerência mais cobrados em provas. É ele que permite preencher as lacunas que o texto não diz explicitamente.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: tangencia o tema. O conhecimento do vocabulário é necessário para entender as palavras isoladas, mas não explica a coerência da frase. Você pode saber o que significa “Itália” e “Coliseu” e ainda assim não entender por que deve visitá-lo. A coerência exige mais do que léxico: exige conhecimento de mundo sobre a relação entre os termos. A banca usa essa alternativa para testar se você confunde compreensão lexical com coerência textual.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A frase só é coerente porque emissor e receptor compartilham a informação de que o Coliseu é um monumento famoso na Itália. Esse dado não está no texto; ele é pressuposto pelo falante e recuperado pelo ouvinte. Sem esse conhecimento partilhado, a frase seria incompreensível ou, no mínimo, estranha. A alternativa B nomeia exatamente esse fator: conhecimento partilhado entre emissor e receptor, também chamado de conhecimento de mundo ou enciclopédico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. As inferências possíveis da frase são uma consequência da coerência, não a sua causa. Você pode inferir que o emissor já visitou a Itália ou que o receptor pretende viajar, mas essas inferências só são possíveis porque já existe um conhecimento partilhado. A alternativa inverte a relação: a inferência depende da coerência, não o contrário. Além disso, a frase em si não exige inferências complexas — ela é direta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: fuga ao tema. Intertextualidade é a relação entre textos (citação, paródia, referência a outra obra). A frase não remete a nenhum texto famoso — o Coliseu é um monumento, não um texto. A banca insere essa alternativa para testar se você sabe diferenciar intertextualidade (relação entre textos) de conhecimento de mundo (relação entre texto e realidade). Não há qualquer diálogo com outra obra.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A frase não apresenta polissemia nem ambiguidade, mas isso não é o que garante a coerência. A ausência de ambiguidade é uma qualidade do texto, não um fator que o torna coerente. Um texto pode ser ambíguo e ainda assim coerente (ex.: “Vi o homem com o telescópio” — ambíguo, mas coerente). A alternativa confunde clareza com coerência. A banca usa essa opção para pegar quem não distingue esses conceitos.
Fechamento
A regra de ouro: coerência não está só no texto, está também no contexto. Para resolver questões sobre fatores de coerência, pergunte-se: “O que o leitor precisa saber fora do texto para entender esta frase?” Se a resposta for um dado cultural, geográfico ou histórico, o fator é o conhecimento partilhado. Aqui, saber que o Coliseu fica na Itália e é um ponto turístico é exatamente esse dado.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de coerência, desconfie de alternativas que falam de “vocabulário”, “ambiguidade” ou “intertextualidade” — elas tratam de aspectos linguísticos ou textuais, enquanto a coerência frequentemente depende de fatores extralinguísticos, como o conhecimento de mundo.