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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg160295
Banca
FGV
Órgão
TJ BA
Ano
2023
Cargo
JL ( )

Estudo revela novo alvo para busca de terapias contra doença de Parkinson [fragmento]


Experimentos com camundongos feitos na USP mostraram que a micróglia, um tipo de célula imunológica presente no sistema nervoso central, ajuda a limitar a perda de neurônios

 

Agência Fapesp Estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) revelou um possível mecanismo protetor contra a doença de Parkinson.

 

Em camundongos, foi observado que a micróglia, um tipo de célula imunológica do sistema nervoso que compõe a chamada glia – conjunto diversificado de células que dá suporte ao funcionamento dos neurônios – pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal.

 

Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina, uma toxina indutora de sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, aplicada diretamente no cérebro. Antes, metade dos animais teve as micróglias praticamente eliminadas por uma substância, chamada PLX5622. O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas de neurônios e de movimento quando comparado aos demais roedores.

 

"Esses resultados sugerem um possível alvo para o tratamento da doença no futuro, quando descobrirmos mecanismos capazes de ativar a micróglia de maneira benéfica", disse a doutoranda Carolina Parga à assessoria de imprensa do ICB-USP. Ela é primeira autora de um artigo publicado no Journal of Neuroimmunology.

 

[...]

 

A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células. Até então acreditava-se o contrário, pois, quando elas eram bloqueadas por fármacos, os sintomas do Parkinson eram mitigados.

 

"A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultados é a atuação dos dois fenótipos da micróglia, algo já identificado anteriormente na literatura científica. Uma característica, a positiva, que protege contra a perda neuronal, talvez se manifeste no início da doença, e a outra característica, a negativa, que impulsiona essa perda neuronal, vai predominando à medida que a doença vai evoluindo; o mesmo pode ocorrer em outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e algumas formas de epilepsia", detalha Luiz Roberto Giorgetti de Britto, coordenador do estudo pelo Laboratório de Neurobiologia Celular do ICB. [...]

 

"Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para assim chegarmos a soluções terapêuticas. Pois trata-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que em geral se dá só após a manifestação de sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos", complementa.

 

MUDANÇAS GENÉTICAS

No estudo também foram identificados dois genes que podem estar relacionados à doença de Parkinson. Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que as micróglias foram eliminadas.

 

"São dois genes relacionados à transmissão por dopamina [substância que influencia nossas emoções, aprendizado e locomoção, além de outras funções] entre alguns grupos de neurônios do sistema nervoso, o que sugere que a micróglia pode ser responsável pela modulação da expressão de genes que atuam nesses processos. Isso ajuda a explicar como a sua ausência resulta na perda de neurônios, o que causa a diminuição de dopamina, o fator responsável pelas alterações motoras", aponta Parga.

 

Esse conhecimento é promissor principalmente para a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer que tem causas genéticas, um total de 5% a 7% dos diagnósticos. "Conhecendo melhor o comportamento desses genes talvez possamos, no futuro, antecipar o diagnóstico da doença, além de propor terapias que consistem na manipulação deles", afirma Britto.

 

O Laboratório de Neurobiologia Celular agora se aprofunda nos resultados obtidos e nas hipóteses levantadas e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer.

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

/ciencia/2023/06/estudo-revela-novo-alvo-para-a-busca-de-terapias-contra-a-doenca-de-parkinson.shtml

Texto 1

 

“A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células.” (Texto 1, 5º parágrafo)

 

Depreende-se do texto 1 que a contradição mencionada na passagem acima:

  1. Arevela um erro experimental;
  2. Bencoraja o desenvolvimento de novas pesquisas;
  3. Cimpulsiona a perda neuronal;
  4. Devidencia uma imprecisão metodológica;
  5. Emitiga os sintomas da doença.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — encoraja o desenvolvimento de novas pesquisas;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A contradição como estímulo à pesquisa: inferência ancorada no texto

Gabarito: letra B. A contradição mencionada no 5º parágrafo encoraja o desenvolvimento de novas pesquisas, porque o texto a apresenta como um ponto de partida para investigações futuras — e não como um erro, uma imprecisão ou um efeito biológico. A pista decisiva está na fala da doutoranda Carolina Parga, logo após a descrição da descoberta: “Esses resultados sugerem um possível alvo para o tratamento da doença no futuro, quando descobrirmos mecanismos capazes de ativar a micróglia de maneira benéfica”. O verbo “descobrirmos” e a expressão “no futuro” revelam que a contradição abre caminho para novas pesquisas, não que ela seja um defeito do estudo.

O comando: “depreende-se” pede inferência, não recorrência

O verbo “depreende-se” indica que a resposta não está literal no texto, mas é uma dedução ancorada em pistas. Você não deve procurar uma frase que diga “a contradição encoraja novas pesquisas”; deve perceber que o texto, ao apresentar a contradição e em seguida falar em “possível alvo para o tratamento no futuro”, obriga a concluir que ela motiva novos estudos. Questões de inferência exigem que você conecte informações distantes: o 5º parágrafo anuncia a contradição; o 6º parágrafo explica a hipótese dos dois fenótipos; o 7º parágrafo fala em “desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas” e “chegarmos a soluções terapêuticas”. Tudo isso aponta para a continuidade da investigação.

O texto: a contradição como motor da ciência

O texto narra uma descoberta científica que contraria o que se acreditava antes: até então, bloqueava-se a micróglia para mitigar os sintomas do Parkinson; agora, viu-se que ela pode proteger contra a perda neuronal. Essa virada não é tratada como um problema — é tratada como uma oportunidade. Veja a sequência argumentativa:

“A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células.”

Em seguida, o texto explica a hipótese dos dois fenótipos (positivo e negativo) e conclui:

“Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para assim chegarmos a soluções terapêuticas.”

A palavra “reforça” é a chave: a contradição reforça a necessidade de mais pesquisa, ou seja, encoraja novas investigações. A alternativa B é a única que capta esse movimento.

A técnica: teste cada alternativa perguntando “o texto autoriza isto?”

A armadilha central desta questão é a extrapolação: a banca oferece alternativas que parecem plausíveis, mas que acrescentam informações que o texto não sustenta. Para cada uma, pergunte: “onde o texto diz isso?”. Se não houver passagem que autorize, a alternativa está errada — mesmo que soe verdadeira no mundo real.

  1. 1Grife pistas de futuro
  2. 2Conecte parágrafos distantes
  3. 3Teste cada alternativa
  4. 4Exclua extrapolações
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

“revela um erro experimental”Extrapolação. O texto não diz que houve erro de experimento. Pelo contrário, a descoberta é apresentada como um resultado válido que “contradiz” o que se sabia, mas não como uma falha metodológica. A palavra “erro” não aparece em nenhum trecho; ela é uma invenção do candidato. O texto trata a contradição como um avanço, não como um defeito.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“encoraja o desenvolvimento de novas pesquisas”Inferência legítima. O texto, após anunciar a contradição, fala em “possível alvo para o tratamento no futuro”, “desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas” e “chegarmos a soluções terapêuticas”. Tudo isso indica que a descoberta estimula a continuidade dos estudos. A passagem que ancora:

“Esses resultados sugerem um possível alvo para o tratamento da doença no futuro, quando descobrirmos mecanismos capazes de ativar a micróglia de maneira benéfica”

O verbo “descobrirmos” e a expressão “no futuro” são pistas de que a pesquisa continua, ou seja, a contradição encoraja novas investigações.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“impulsiona a perda neuronal”Contradiz o texto. O texto afirma que a micróglia limita a perda neuronal, e que a contradição se refere a essa função protetora. A alternativa inverte o sentido: diz que a contradição impulsiona a perda, quando o texto diz que a descoberta revela um mecanismo protetor. Além disso, a contradição em si não é um agente biológico; ela é um fato científico. A alternativa confunde o fenômeno (perda neuronal) com a descoberta sobre ele.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“evidencia uma imprecisão metodológica”Extrapolação. O texto não menciona qualquer problema de método. A palavra “imprecisão” não existe no texto. A contradição é explicada pela hipótese dos dois fenótipos da micróglia, não por um erro de procedimento. A alternativa inventa uma crítica que o autor não faz.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“mitiga os sintomas da doença”Contradiz o texto. O texto diz que a micróglia pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal, mas a contradição em si não mitiga sintoma algum. A alternativa atribui à contradição um efeito biológico que ela não tem. Além disso, o texto diz que, quando a micróglia era bloqueada, os sintomas eram mitigados — ou seja, a mitigação está associada ao bloqueio, não à contradição. A alternativa inverte a relação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o que a contradição revela (novo conhecimento que estimula pesquisa) e o que ela não é (erro, imprecisão, efeito biológico). As alternativas C e E contradizem o texto; A e D extrapolam.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, grife as palavras que indicam futuro e continuidade (“no futuro”, “descobrirmos”, “reforça”). Elas apontam para a ideia de novas pesquisas.

Conclusão: a contradição é apresentada como um ponto de partida para novos estudos, não como um erro ou um efeito. A alternativa B é a única que traduz essa ideia, apoiada nas falas dos pesquisadores sobre “possível alvo” e “soluções terapêuticas”.

Gabarito: letra B.

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