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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg160297
Banca
FGV
Órgão
TJ BA
Ano
2023
Cargo
JL ( )

Estudo revela novo alvo para busca de terapias contra doença de Parkinson [fragmento]


Experimentos com camundongos feitos na USP mostraram que a micróglia, um tipo de célula imunológica presente no sistema nervoso central, ajuda a limitar a perda de neurônios

 

Agência Fapesp Estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) revelou um possível mecanismo protetor contra a doença de Parkinson.

 

Em camundongos, foi observado que a micróglia, um tipo de célula imunológica do sistema nervoso que compõe a chamada glia – conjunto diversificado de células que dá suporte ao funcionamento dos neurônios – pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal.d

 

Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopaminab, uma toxina indutora de sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, aplicada diretamente no cérebro. Antes, metade dos animais teve as micróglias praticamente eliminadas por uma substância, chamada PLX5622. O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas de neurônios e de movimento quando comparado aos demais roedores.

 

"Esses resultados sugerem um possível alvo para o tratamento da doença no futuro, quando descobrirmos mecanismos capazes de ativar a micróglia de maneira benéfica", disse a doutoranda Carolina Parga à assessoria de imprensa do ICB-USP. Ela é primeira autora de um artigo publicado no Journal of Neuroimmunology.

 

[...]

 

A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células.e Até então acreditava-se o contrário, pois, quando elas eram bloqueadas por fármacos, os sintomas do Parkinson eram mitigados.

 

"A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultadosc é a atuação dos dois fenótipos da micróglia, algo já identificado anteriormente na literatura científica. Uma característica, a positiva, que protege contra a perda neuronal, talvez se manifeste no início da doença, e a outra característica, a negativa, que impulsiona essa perda neuronal, vai predominando à medida que a doença vai evoluindo; o mesmo pode ocorrer em outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e algumas formas de epilepsia", detalha Luiz Roberto Giorgetti de Britto, coordenador do estudo pelo Laboratório de Neurobiologia Celular do ICB. [...]

 

"Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para assim chegarmos a soluções terapêuticasa. Pois trata-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que em geral se dá só após a manifestação de sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos", complementa.

 

MUDANÇAS GENÉTICAS

No estudo também foram identificados dois genes que podem estar relacionados à doença de Parkinson. Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que as micróglias foram eliminadas.

 

"São dois genes relacionados à transmissão por dopamina [substância que influencia nossas emoções, aprendizado e locomoção, além de outras funções] entre alguns grupos de neurônios do sistema nervoso, o que sugere que a micróglia pode ser responsável pela modulação da expressão de genes que atuam nesses processos. Isso ajuda a explicar como a sua ausência resulta na perda de neurônios, o que causa a diminuição de dopamina, o fator responsável pelas alterações motoras", aponta Parga.

 

Esse conhecimento é promissor principalmente para a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer que tem causas genéticas, um total de 5% a 7% dos diagnósticos. "Conhecendo melhor o comportamento desses genes talvez possamos, no futuro, antecipar o diagnóstico da doença, além de propor terapias que consistem na manipulação deles", afirma Britto.

 

O Laboratório de Neurobiologia Celular agora se aprofunda nos resultados obtidos e nas hipóteses levantadas e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer.

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

/ciencia/2023/06/estudo-revela-novo-alvo-para-a-busca-de-terapias-contra-a-doenca-de-parkinson.shtml

Texto 1

 

Em virtude do ideal de objetividade associado à ciência, textos científicos demonstram preferência por estruturas sintáticas que permitem evitar a 1ª pessoa gramatical. O texto 1, embora pertença a um gênero jornalístico, aproxima-se do discurso científico ao empregar reiteradamente algumas dessas estruturas.


Uma das evidências dessa aproximação é a recorrência, no texto 1, de orações:

  1. Acom infinitivo flexionado, como em “para assim chegarmos a soluções terapêuticas”;
  2. Bna voz passiva, como em “Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina [...]”;
  3. Ccom valor de finalidade, como em “A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultados [...]”;
  4. Dem ordem inversa, como em “Em camundongos, foi observado que a micróglia [...] pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal”;
  5. Ecom locuções de tempo composto, como em “A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — na voz passiva, como em “Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina [...]”;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Voz passiva como marca de impessoalidade no texto científico

Gabarito: letra B. A alternativa correta é a que identifica a voz passiva analítica como estrutura recorrente no texto, exemplificada em "Todos os testes foram conduzidos em animais...". Essa construção evita a 1ª pessoa gramatical, aproximando o texto jornalístico do discurso científico, como afirma o enunciado. A passagem que comprova é:

"Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina [...]"

Aqui, o sujeito "todos os testes" é paciente: sofre a ação de "conduzir", expressa pelo verbo auxiliar "foram" + particípio "conduzidos". Essa é a estrutura típica da voz passiva analítica, que desloca o foco do agente para o resultado, conferindo impessoalidade.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique uma evidência da aproximação do texto com o discurso científico: a recorrência de orações que evitam a 1ª pessoa. A tarefa é de compreensão (localizar e reconhecer a estrutura sintática), mas exige conhecimento gramatical para nomear a estrutura corretamente. Não se trata de inferir nada além do texto; basta reconhecer o padrão sintático.

O texto e a tese

O texto é uma reportagem científica sobre um estudo da USP acerca da micróglia e a doença de Parkinson. O autor não se coloca em 1ª pessoa; ao contrário, usa construções impessoais como "foi observado", "foram conduzidos", "foi identificado". Essas estruturas são típicas do discurso científico, que prioriza a objetividade e a neutralidade. A questão explora exatamente essa característica: a recorrência de orações na voz passiva como recurso de impessoalidade.

A técnica que decide

Para resolver, você precisa reconhecer a voz passiva analítica: verbo auxiliar (ser/estar) + particípio do verbo principal. No trecho citado, "foram conduzidos" = auxiliar "foram" + particípio "conduzidos". O sujeito "todos os testes" é paciente, pois não pratica a ação, mas a recebe. Essa estrutura permite omitir o agente (quem conduziu), o que é uma marca de impessoalidade. Compare com a voz ativa: "Os pesquisadores conduziram todos os testes" — aqui o sujeito é agente e a 1ª pessoa (ou 3ª pessoa explícita) aparece. A passiva evita isso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura estruturas que parecem impessoais, mas não são voz passiva. Por exemplo, "para assim chegarmos a soluções terapêuticas" tem infinitivo flexionado (1ª pessoa do plural), o que contraria a impessoalidade. Já "A hipótese mais provável para explicar essa diferença" é uma oração final, não passiva. Fique atento à forma verbal: passiva exige auxiliar + particípio.

1Estrutura
Verbo auxiliar (ser/estar)
Particípio do verbo principal
2Efeito
Sujeito paciente
Omite o agente
Confere impessoalidade
3Exemplo
"foram conduzidos"
"foi observado"
Voz passiva analítica
LEVELsoulevel.com.br
Voz passiva analítica: Estrutura (Verbo auxiliar (ser/estar), Particípio do verbo principal); Efeito (Sujeito paciente, Omite o agente, Confere impessoalidade); Exemplo ("foram conduzidos", "foi observado")

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que há infinitivo flexionado em "para assim chegarmos a soluções terapêuticas". De fato, "chegarmos" é infinitivo flexionado (1ª pessoa do plural), mas isso não é uma estrutura que evita a 1ª pessoa — pelo contrário, a desinência "-mos" marca a 1ª pessoa do plural. O enunciado pede estruturas que evitem a 1ª pessoa, então essa alternativa contradiz o que se busca. Além disso, a oração tem valor de finalidade, não é voz passiva. Erro: contradiz o texto (o trecho usa 1ª pessoa, o oposto do que o enunciado pede).

Alternativa B — ✅ Correta

A alternativa identifica corretamente a voz passiva em "Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina". A estrutura "foram conduzidos" é voz passiva analítica: auxiliar "foram" + particípio "conduzidos". O sujeito "todos os testes" é paciente, e o agente não é explicitado. Isso evita a 1ª pessoa e confere impessoalidade, aproximando o texto do discurso científico. É a única alternativa que aponta uma estrutura realmente recorrente e impessoal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa menciona "A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultados". Aqui, "para explicar" é uma locução prepositiva com valor de finalidade, não uma oração na voz passiva. O enunciado pede estruturas que evitem a 1ª pessoa, e essa oração final não é um exemplo disso. Além disso, "para explicar" é infinitivo impessoal, mas não é voz passiva. Erro: troca de conceito (finalidade ≠ voz passiva).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa cita "Em camundongos, foi observado que a micróglia [...] pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal". De fato, "foi observado" é voz passiva, mas a alternativa classifica como ordem inversa. A ordem inversa (ou inversão sintática) ocorre quando o sujeito aparece depois do verbo ou o adjunto adverbial é deslocado. No trecho, "Em camundongos" é um adjunto adverbial deslocado, mas a oração principal "foi observado que..." está na ordem direta (verbo + sujeito oracional). A classificação correta seria voz passiva, não ordem inversa. Erro: troca de conceito (ordem inversa ≠ voz passiva).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa cita "A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células". Aqui, "haviam visto" é uma locução verbal de tempo composto (pretérito mais-que-perfeito composto), mas não é voz passiva. O enunciado pede estruturas que evitem a 1ª pessoa, e essa locução não é um exemplo disso. Além disso, "haviam visto" está na voz ativa, com sujeito "os próprios pesquisadores". Erro: troca de conceito (tempo composto ≠ voz passiva).

Conclusão

A única alternativa que identifica corretamente uma estrutura impessoal recorrente é a letra B, pois a voz passiva analítica é usada para evitar a 1ª pessoa, como em "foram conduzidos". As demais alternativas ou usam 1ª pessoa (A), ou classificam erroneamente estruturas que não são voz passiva (C, D, E).

PEGA ESSA DICA!

Para identificar voz passiva, procure o padrão verbo ser/estar + particípio. Se o sujeito sofre a ação, é passiva. Desconfie de alternativas que citam estruturas com valor de finalidade, tempo composto ou ordem inversa — elas podem parecer impessoais, mas não são passivas.

Gabarito: letra B

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