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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg160298
Banca
FGV
Órgão
TJ BA
Ano
2023
Cargo
JL ( )

Estudo revela novo alvo para busca de terapias contra doença de Parkinson [fragmento]


Experimentos com camundongos feitos na USP mostraram que a micróglia, um tipo de célula imunológica presente no sistema nervoso central, ajuda a limitar a perda de neurônios

 

Agência Fapesp Estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) revelou um possível mecanismo protetor contra a doença de Parkinson.

 

Em camundongos, foi observado que a micróglia, um tipo de célula imunológica do sistema nervoso que compõe a chamada glia – conjunto diversificado de células que dá suporte ao funcionamento dos neurônios – pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal.

 

Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina, uma toxina indutora de sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, aplicada diretamente no cérebro. Antes, metade dos animais teve as micróglias praticamente eliminadas por uma substância, chamada PLX5622. O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas de neurônios e de movimento quando comparado aos demais roedores.

 

"Esses resultados sugerem um possível alvo para o tratamento da doença no futuro, quando descobrirmos mecanismos capazes de ativar a micróglia de maneira benéfica", disse a doutoranda Carolina Parga à assessoria de imprensa do ICB-USP. Ela é primeira autora de um artigo publicado no Journal of Neuroimmunology.

 

[...]

 

A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células. Até então acreditava-se o contrário, pois, quando elas eram bloqueadas por fármacos, os sintomas do Parkinson eram mitigados.

 

"A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultados é a atuação dos dois fenótipos da micróglia, algo já identificado anteriormente na literatura científica. Uma característica, a positiva, que protege contra a perda neuronal, talvez se manifeste no início da doença, e a outra característica, a negativa, que impulsiona essa perda neuronal, vai predominando à medida que a doença vai evoluindo; o mesmo pode ocorrer em outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e algumas formas de epilepsia", detalha Luiz Roberto Giorgetti de Britto, coordenador do estudo pelo Laboratório de Neurobiologia Celular do ICB. [...]

 

"Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para assim chegarmos a soluções terapêuticas. Pois trata-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que em geral se dá só após a manifestação de sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos", complementa.

 

MUDANÇAS GENÉTICAS

No estudo também foram identificados dois genes que podem estar relacionados à doença de Parkinson. Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que as micróglias foram eliminadas.

 

"São dois genes relacionados à transmissão por dopamina [substância que influencia nossas emoções, aprendizado e locomoção, além de outras funções] entre alguns grupos de neurônios do sistema nervoso, o que sugere que a micróglia pode ser responsável pela modulação da expressão de genes que atuam nesses processos. Isso ajuda a explicar como a sua ausência resulta na perda de neurônios, o que causa a diminuição de dopamina, o fator responsável pelas alterações motoras", aponta Parga.

 

Esse conhecimento é promissor principalmente para a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer que tem causas genéticas, um total de 5% a 7% dos diagnósticos. "Conhecendo melhor o comportamento desses genes talvez possamos, no futuro, antecipar o diagnóstico da doença, além de propor terapias que consistem na manipulação deles", afirma Britto.

 

O Laboratório de Neurobiologia Celular agora se aprofunda nos resultados obtidos e nas hipóteses levantadas e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer.

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

/ciencia/2023/06/estudo-revela-novo-alvo-para-a-busca-de-terapias-contra-a-doenca-de-parkinson.shtml

Texto 1

 

“Em camundongos, foi observado que a micróglia, um tipo de célula imunológica do sistema nervoso que compõe a chamada glia”

 

Nessa passagem, o emprego da palavra “chamada” sinaliza que o termo subsequente:

  1. Adeve ser interpretado ironicamente;
  2. Bintegra um jargão especializado;
  3. Cassume valor conotativo;
  4. Dtem origem estrangeira;
  5. Esofreu adaptações ortográficas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — integra um jargão especializado;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor de "chamada" no texto

Gabarito: letra B. O emprego de "chamada" sinaliza que o termo subsequente — "glia" — integra um jargão especializado, ou seja, é um termo técnico da área da biologia/neurociência. A pista está no próprio texto: o autor usa "chamada" para introduzir uma definição do termo, indicando que se trata de uma nomenclatura própria da ciência, não de uma palavra de uso comum.

O comando

A questão pede que você interprete o efeito de sentido de uma palavra específica no contexto. Não é uma questão de gramática pura, mas de semântica contextual: o que o autor sinaliza ao usar "chamada" antes de "glia"? Perceba que o comando não pergunta o que "chamada" significa isoladamente, mas o que ela indica sobre o termo que a segue. Isso exige que você observe a função discursiva da palavra no trecho.

O texto

No trecho, o autor escreve:

"a micróglia, um tipo de célula imunológica do sistema nervoso que compõe a chamada glia – conjunto diversificado de células que dá suporte ao funcionamento dos neurônios"

A expressão "chamada glia" é seguida de um travessão que introduz uma explicação: "conjunto diversificado de células que dá suporte ao funcionamento dos neurônios". Essa estrutura é típica de textos científicos: o autor apresenta um termo técnico ("glia") e, em seguida, explica o que ele significa para o leitor leigo. O uso de "chamada" funciona como um marcador metalinguístico: o autor está dizendo "isso que se chama de glia", ou seja, está nomeando um conceito da área.

A técnica

A palavra "chamada" (assim como "denominada", "intitulada", "conhecida como") tem função metalinguística: ela remete ao próprio código, indicando que o termo seguinte é um nome técnico ou especializado. No contexto científico, isso é típico de jargão: vocabulário próprio de uma área do conhecimento, que precisa ser explicado para quem não é da área.

Compare com outras funções que "chamada" poderia ter:

Função

Exemplo

Ocorre no texto?

Ironia

"O 'gênio' esqueceu a chave"

Não, o tom é neutro e informativo

Conotação

"A 'flor' da juventude"

Não, "glia" é usado em sentido literal

Estrangeirismo

"O 'show' foi ótimo"

Não, "glia" é um termo técnico, não um estrangeirismo comum

Adaptação ortográfica

"O 'futebol' vem do inglês"

Não, não há discussão sobre grafia

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. Não há nenhum indício de ironia no trecho. O texto é um artigo científico, com tom neutro e objetivo. "Chamada" não está sendo usada para zombar ou criticar; apenas introduz um termo técnico. A ironia exigiria um contexto de oposição ou crítica, que não existe aqui.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. O termo "glia" é um jargão especializado da biologia. O uso de "chamada" sinaliza que o autor está apresentando uma nomenclatura técnica, que será explicada em seguida. Isso é confirmado pela estrutura do trecho: "a chamada glia – conjunto diversificado de células...". O travessão introduz a definição, típica de textos que usam jargão e precisam esclarecê-lo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Chamada" não confere valor conotativo (figurado) a "glia". A palavra "glia" é usada em seu sentido denotativo, literal, como nome de um conjunto de células. Não há metáfora, comparação ou sentido figurado. A conotação ocorreria se, por exemplo, "glia" fosse usada para representar algo além do seu significado biológico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. "Chamada" não indica que o termo tem origem estrangeira. Embora "glia" venha do grego, o texto não faz nenhuma referência a isso. O uso de "chamada" apenas introduz o termo técnico, sem discutir sua etimologia. A alternativa exige um conhecimento externo que não está no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. Não há nenhuma menção a adaptações ortográficas. O texto não discute a grafia de "glia" nem a compara com outras formas. "Chamada" não sinaliza nada sobre ortografia; apenas apresenta o termo.

Fechamento

A questão testa sua capacidade de perceber a função metalinguística de uma palavra no contexto. Sempre que o autor usa "chamada", "denominada", "conhecida como", ele está sinalizando que o termo seguinte é um nome técnico — um jargão. As demais alternativas ou extrapolam (ironia, estrangeirismo, ortografia) ou confundem com conotação. Fique atento a essas marcas metalinguísticas em textos científicos.

Gabarito: letra B.

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