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Questão de Português — Vocábulo "Que" — FGV 2023

PortuguêsVocábulo "Que"
Código
fg160299
Banca
FGV
Órgão
TJ BA
Ano
2023
Cargo
JL ( )

Estudo revela novo alvo para busca de terapias contra doença de Parkinson [fragmento]


Experimentos com camundongos feitos na USP mostraram que a micróglia, um tipo de célula imunológica presente no sistema nervoso central, ajuda a limitar a perda de neurônios

 

Agência Fapesp Estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) revelou um possível mecanismo protetor contra a doença de Parkinson.

 

Em camundongos, foi observado que a micróglia, um tipo de célula imunológica do sistema nervoso que compõe a chamada glia – conjunto diversificado de células que dá suporte ao funcionamento dos neurônios – pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal.

 

Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina, uma toxina indutora de sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, aplicada diretamente no cérebro. Antes, metade dos animais teve as micróglias praticamente eliminadas por uma substância, chamada PLX5622. O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas de neurônios e de movimento quando comparado aos demais roedores.

 

"Esses resultados sugerem um possível alvo para o tratamento da doença no futuro, quando descobrirmos mecanismos capazes de ativar a micróglia de maneira benéfica", disse a doutoranda Carolina Parga à assessoria de imprensa do ICB-USP. Ela é primeira autora de um artigo publicado no Journal of Neuroimmunology.

 

[...]

 

A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células. Até então acreditava-se o contrário, pois, quando elas eram bloqueadas por fármacos, os sintomas do Parkinson eram mitigados.

 

"A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultados é a atuação dos dois fenótipos da micróglia, algo já identificado anteriormente na literatura científica. Uma característica, a positiva, que protege contra a perda neuronal, talvez se manifeste no início da doença, e a outra característica, a negativa, que impulsiona essa perda neuronal, vai predominando à medida que a doença vai evoluindo; o mesmo pode ocorrer em outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e algumas formas de epilepsia", detalha Luiz Roberto Giorgetti de Britto, coordenador do estudo pelo Laboratório de Neurobiologia Celular do ICB. [...]

 

"Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para assim chegarmos a soluções terapêuticas. Pois trata-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que em geral se dá só após a manifestação de sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos", complementa.

 

MUDANÇAS GENÉTICAS

No estudo também foram identificados dois genes que podem estar relacionados à doença de Parkinson. Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que as micróglias foram eliminadas.

 

"São dois genes relacionados à transmissão por dopamina [substância que influencia nossas emoções, aprendizado e locomoção, além de outras funções] entre alguns grupos de neurônios do sistema nervoso, o que sugere que a micróglia pode ser responsável pela modulação da expressão de genes que atuam nesses processos. Isso ajuda a explicar como a sua ausência resulta na perda de neurônios, o que causa a diminuição de dopamina, o fator responsável pelas alterações motoras", aponta Parga.

 

Esse conhecimento é promissor principalmente para a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer que tem causas genéticas, um total de 5% a 7% dos diagnósticos. "Conhecendo melhor o comportamento desses genes talvez possamos, no futuro, antecipar o diagnóstico da doença, além de propor terapias que consistem na manipulação deles", afirma Britto.

 

O Laboratório de Neurobiologia Celular agora se aprofunda nos resultados obtidos e nas hipóteses levantadas e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer.

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

/ciencia/2023/06/estudo-revela-novo-alvo-para-a-busca-de-terapias-contra-a-doenca-de-parkinson.shtml

Texto 1

 

“Esse conhecimento é promissor principalmente para a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer que tem causas genéticas, um total de 5% a 7% dos diagnósticos.” (Texto 1, 10º parágrafo)


Na passagem acima, o pronome relativo é empregado para retomar o substantivo:

  1. Aconhecimento;
  2. Bpromissor;
  3. Cparcela;
  4. Dcasos;
  5. EParkinson.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — parcela;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O pronome relativo "que" e seu antecedente

Gabarito: letra C. O pronome relativo "que" retoma o substantivo "parcela", e não "casos" ou "Parkinson". Isso se prova pela concordância verbal: o verbo "tem" está no singular, concordando com "parcela", o núcleo do sintagma "a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer". A banca explora a confusão entre o termo imediatamente anterior ao "que" e o verdadeiro antecedente, que é o núcleo do sintagma.

O comando

A questão pede para identificar o substantivo retomado pelo pronome relativo "que". Isso é uma questão de coesão referencial: o pronome relativo substitui um termo já mencionado (o antecedente) para evitar repetição. A técnica é localizar o termo que o "que" substitui e com o qual concorda.

O texto

No trecho: "Esse conhecimento é promissor principalmente para a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer que tem causas genéticas", o pronome "que" inicia a oração adjetiva restritiva "que tem causas genéticas". O verbo "tem" está no singular, o que indica que o sujeito da oração adjetiva é singular. O único termo singular no sintagma é "parcela". Portanto, "que" retoma "parcela".

A técnica

Para identificar o antecedente de um pronome relativo, faça duas perguntas:

  1. Qual termo o pronome substitui? No caso, "que" substitui o termo que seria o sujeito da oração adjetiva.

  2. Com qual termo o verbo da oração adjetiva concorda? O verbo "tem" está no singular, então o antecedente deve ser singular. "Parcela" é singular; "casos" é plural; "Parkinson" e "Alzheimer" são nomes próprios, mas não são o núcleo.

A concordância verbal é a pista decisiva: se o verbo estivesse no plural ("têm"), o antecedente seria "casos". Como está no singular, o antecedente é "parcela".

Antecedente do "que"
  • 1Técnica de identificação
    • Qual termo o pronome substitui?
    • Concordância verbal da oração adjetiva
  • 2Pista decisiva
    • Verbo no singular → antecedente singular
    • Verbo no plural → antecedente plural
  • 3Caso do texto
    • "que tem" (singular)
    • Antecedente: "parcela" (núcleo)
    • Não é "casos" (plural, termo adjacente)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Conhecimento" é o sujeito da oração principal, mas não é retomado pelo "que". O pronome relativo "que" inicia uma oração que modifica "parcela", não "conhecimento". Erro: troca de referente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Promissor" é um adjetivo, não um substantivo. O pronome relativo retoma substantivos, não adjetivos. Erro: troca de classe gramatical.

Alternativa C — ✅ Correta

"Parcela" é o núcleo do sintagma "a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer". O pronome "que" retoma "parcela", como prova a concordância singular do verbo "tem". Gabarito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Casos" é o termo imediatamente anterior ao "que", mas está no plural. Se fosse o antecedente, o verbo seria "têm". A banca tenta confundir com o termo mais próximo. Erro: restrição indevida (considerar apenas o termo adjacente).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Parkinson" é um dos nomes próprios que compõem o sintagma, mas não é o núcleo. O pronome relativo não retoma um nome próprio isolado, mas o núcleo "parcela". Erro: troca de referente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o termo imediatamente anterior ao "que" ("casos") e o verdadeiro antecedente ("parcela"). A concordância verbal é a chave: verbo no singular aponta para "parcela".

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o antecedente de um pronome relativo, verifique a concordância do verbo da oração adjetiva. O verbo concorda com o antecedente, não com o termo mais próximo.

Gabarito: letra C.

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