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Questão de Português — Partícula "Se" — FGV 2023

PortuguêsPartícula "Se"
Código
fg160300
Banca
FGV
Órgão
TJ BA
Ano
2023
Cargo
JL ( )

Estudo revela novo alvo para busca de terapias contra doença de Parkinson [fragmento]


Experimentos com camundongos feitos na USP mostraram que a micróglia, um tipo de célula imunológica presente no sistema nervoso central, ajuda a limitar a perda de neurônios

 

Agência Fapesp Estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) revelou um possível mecanismo protetor contra a doença de Parkinson.

 

Em camundongos, foi observado que a micróglia, um tipo de célula imunológica do sistema nervoso que compõe a chamada glia – conjunto diversificado de células que dá suporte ao funcionamento dos neurônios – pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal.

 

Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina, uma toxina indutora de sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, aplicada diretamente no cérebro. Antes, metade dos animais teve as micróglias praticamente eliminadas por uma substância, chamada PLX5622. O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas de neurônios e de movimento quando comparado aos demais roedores.

 

"Esses resultados sugerem um possível alvo para o tratamento da doença no futuro, quando descobrirmos mecanismos capazes de ativar a micróglia de maneira benéfica", disse a doutoranda Carolina Parga à assessoria de imprensa do ICB-USP. Ela é primeira autora de um artigo publicado no Journal of Neuroimmunology.

 

[...]

 

A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células. Até então acreditava-se o contrário, pois, quando elas eram bloqueadas por fármacos, os sintomas do Parkinson eram mitigados.

 

"A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultados é a atuação dos dois fenótipos da micróglia, algo já identificado anteriormente na literatura científica. Uma característica, a positiva, que protege contra a perda neuronal, talvez se manifeste no início da doença, e a outra característica, a negativa, que impulsiona essa perda neuronal, vai predominando à medida que a doença vai evoluindo; o mesmo pode ocorrer em outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e algumas formas de epilepsia", detalha Luiz Roberto Giorgetti de Britto, coordenador do estudo pelo Laboratório de Neurobiologia Celular do ICB. [...]

 

"Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para assim chegarmos a soluções terapêuticas. Pois trata-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que em geral se dá só após a manifestação de sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos", complementa.

 

MUDANÇAS GENÉTICAS

No estudo também foram identificados dois genes que podem estar relacionados à doença de Parkinson. Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que as micróglias foram eliminadas.

 

"São dois genes relacionados à transmissão por dopamina [substância que influencia nossas emoções, aprendizado e locomoção, além de outras funções] entre alguns grupos de neurônios do sistema nervoso, o que sugere que a micróglia pode ser responsável pela modulação da expressão de genes que atuam nesses processos. Isso ajuda a explicar como a sua ausência resulta na perda de neurônios, o que causa a diminuição de dopamina, o fator responsável pelas alterações motoras", aponta Parga.

 

Esse conhecimento é promissor principalmente para a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer que tem causas genéticas, um total de 5% a 7% dos diagnósticos. "Conhecendo melhor o comportamento desses genes talvez possamos, no futuro, antecipar o diagnóstico da doença, além de propor terapias que consistem na manipulação deles", afirma Britto.

 

O Laboratório de Neurobiologia Celular agora se aprofunda nos resultados obtidos e nas hipóteses levantadas e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer.

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

/ciencia/2023/06/estudo-revela-novo-alvo-para-a-busca-de-terapias-contra-a-doenca-de-parkinson.shtml

Texto 1

 

“Até então acreditava-se o contrário, pois, quando elas eram bloqueadas por fármacos, os sintomas do Parkinson eram mitigados.” (Texto 1)


A frase em que a partícula “se” serve à mesma função comunicativa do “se” presente na passagem acima é:

  1. ADentre os presentes, cerca de 20% se animaram com o plano descrito pelo anfitrião.
  2. BVocê não vai se arrepender de ter tentado.
  3. CDesta vez, eles se viram muito rapidamente.
  4. DDepois que Marcelo se acabou de chorar é que eu entendi o tamanho do problema.
  5. EAqui, sempre se procede a uma fiscalização rigorosa no início da semana.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Aqui, sempre se procede a uma fiscalização rigorosa no início da semana.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A partícula "se" como índice de indeterminação do sujeito

Gabarito: letra E. No trecho do Texto 1, "acreditava-se o contrário", o "se" é índice de indeterminação do sujeito (IIS), pois acompanha um verbo transitivo indireto (acreditar em algo) sem sujeito explícito. A única alternativa que repete essa mesma função é a E: "Aqui, sempre se procede a uma fiscalização rigorosa", em que "proceder" é transitivo indireto (proceder a algo) e o "se" também indetermina o sujeito. As demais alternativas usam o "se" como pronome reflexivo ou parte integrante do verbo.

O comando

A questão pede que você identifique a função comunicativa do "se" no trecho dado e encontre a frase em que ele exerce a mesma função. Isso é uma questão de análise morfossintática contextual: não basta decorar a lista de funções do "se"; é preciso analisar a transitividade do verbo em cada frase para classificar corretamente.

O texto e a função do "se" no trecho

No trecho "Até então acreditava-se o contrário", o verbo é "acreditar", que, nesse contexto, é transitivo indireto (quem acredita, acredita em algo). Quando o "se" acompanha um verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação, sem sujeito explícito, ele é índice de indeterminação do sujeito (IIS). Isso significa que não se sabe (ou não se quer dizer) quem pratica a ação; o sujeito é indeterminado. A frase equivale a "acreditava-se em algo por pessoas não identificadas".

A técnica que decide

Para classificar o "se", siga este roteiro:

  1. Identifique o verbo e sua transitividade na frase.

  2. Se o verbo for transitivo direto (VTD) ou transitivo direto e indireto (VTDI), o "se" será partícula apassivadora (PA) — o verbo concordará com o sujeito paciente.

  3. Se o verbo for transitivo indireto (VTI), intransitivo (VI) ou de ligação (VL), o "se" será índice de indeterminação do sujeito (IIS) — o verbo fica sempre na 3ª pessoa do singular.

  4. Se o verbo for pronominal (queixar-se, arrepender-se, suicidar-se), o "se" será parte integrante do verbo (PIV).

  5. Se a ação recair sobre o próprio sujeito, o "se" será pronome reflexivo.

No trecho do enunciado, "acreditar" é VTI (acreditar em algo), logo o "se" é IIS.

Análise das alternativas

Partícula "se"
  • 1Índice de indeterminação do sujeito (IIS)
    • Verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação
    • Sem sujeito explícito
    • Ex.: acreditar em, proceder a
  • 2Partícula apassivadora (PA)
    • Verbo transitivo direto ou VTDI
    • Concorda com o sujeito paciente
  • 3Pronome reflexivo
    • Ação recai sobre o próprio sujeito
    • Ex.: animar-se, ver-se
  • 4Parte integrante do verbo (PIV)
    • Verbo essencialmente pronominal
    • Ex.: arrepender-se, acabar-se
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Dentre os presentes, cerca de 20% se animaram com o plano descrito pelo anfitrião."

Aqui, o "se" é pronome reflexivo: a ação de "animar" recai sobre o próprio sujeito (eles se animaram a si mesmos). O verbo "animar" é transitivo direto (animar alguém), e o "se" exerce função de objeto direto. Não é IIS.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Você não vai se arrepender de ter tentado."

O verbo "arrepender-se" é essencialmente pronominal — só existe com o pronome. Portanto, o "se" é parte integrante do verbo (PIV). Não é IIS.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Desta vez, eles se viram muito rapidamente."

O "se" é pronome reflexivo recíproco: eles se viram uns aos outros. O verbo "ver" é transitivo direto, e o "se" funciona como objeto direto. Não é IIS.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Depois que Marcelo se acabou de chorar é que eu entendi o tamanho do problema."

O verbo "acabar-se" é pronominal (acabar-se de chorar = terminar de chorar). O "se" é parte integrante do verbo (PIV). Não é IIS.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Aqui, sempre se procede a uma fiscalização rigorosa no início da semana."

O verbo "proceder" é transitivo indireto (proceder a algo). O "se" indetermina o sujeito, exatamente como no trecho do enunciado. A frase equivale a "procede-se a uma fiscalização" — não se sabe quem procede. É índice de indeterminação do sujeito (IIS).

PEGA ESSA DICA!

Para não errar, teste a transitividade: se o verbo pede preposição (acreditar em, proceder a), o "se" é IIS; se pede objeto direto sem preposição (animar alguém, ver alguém), o "se" é reflexivo ou apassivador.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura frases com "se" reflexivo e PIV para confundir. A chave é sempre perguntar: o verbo é transitivo indireto? Se sim, é IIS.

Conclusão: a única frase em que o "se" é índice de indeterminação do sujeito, como no trecho do Texto 1, é a letra E.

Gabarito: letra E

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