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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg160335
Banca
FGV
Órgão
DPE RS
Ano
2023
Cargo
Ana ( )

Observe o texto a seguir.

 

“Nos Estados Unidos, aumentar o limite de velocidade de 80 km para 100 km nas rodovias interestaduais é muito perigoso e eleva o número de acidentes fatais. Cada vez em que foi aumentado esse limite nas rodovias, o número de mortes também cresceu. O Estado do Maine, por exemplo, aumentou o limite de velocidade para 100 km em novembro último, e em dezembro ocorreram mais acidentes que em todos os demais meses desse mesmo ano. O número de mortos em dezembro e em janeiro seguinte foi 18% maior do que no mês de novembro.”

 

Entre as críticas abaixo sobre a argumentação apresentada nesse pequeno texto, a única impertinente é:

  1. Anão foi explicado o porquê de a limitação de velocidade anterior ser de 80 km;
  2. Bnão foi explicitado se o número de acidentes no Maine se refere às rodovias interestaduais ou a todas as rodovias;
  3. Chá festas importantes no Maine que atraem muitos turistas nessa época, que não foram consideradas;
  4. Dsão apresentadas unicamente as estatísticas de um estado;
  5. Eatribui-se unicamente à velocidade o aumento do número de mortes, esquecendo-se de outros motivos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — não foi explicado o porquê de a limitação de velocidade anterior ser de 80 km;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crítica à argumentação: a falácia de causa única e a generalização indevida

Gabarito: letra A. A questão pede a crítica impertinente, ou seja, aquela que não se aplica ao texto. A alternativa A é impertinente porque o texto não precisa explicar o porquê de o limite anterior ser de 80 km: a argumentação se apoia na comparação entre os limites (80 km → 100 km) e no aumento de acidentes, não na justificativa do limite anterior. As demais alternativas apontam falhas reais na argumentação: generalização a partir de um único estado (D), atribuição de causa única à velocidade (E), falta de especificação do tipo de rodovia (B) e desconsideração de fatores sazonais (C).

O comando pede que você identifique a crítica que não é pertinente, ou seja, que não encontra respaldo no texto como um defeito da argumentação. Isso exige análise crítica da estrutura argumentativa, não apenas compreensão literal. Você deve avaliar cada crítica como se fosse um avaliador da argumentação: ela aponta uma lacuna lógica, uma generalização, uma causa não considerada? Se sim, é pertinente. Se não, é impertinente.

O texto apresenta um argumento simples: aumentar o limite de velocidade de 80 km para 100 km é perigoso e eleva o número de acidentes fatais. Para sustentar, cita o caso do Maine, onde o aumento em novembro foi seguido de mais acidentes em dezembro e de um aumento de 18% nas mortes em dezembro e janeiro. A argumentação tem falhas clássicas:

  • Generalização a partir de um único caso: o texto usa apenas o exemplo do Maine para concluir sobre todas as rodovias interestaduais dos EUA.

  • Falácia de causa única: atribui o aumento de mortes exclusivamente à velocidade, ignorando outros fatores (clima, tráfego, feriados, etc.).

  • Falta de especificação: não deixa claro se os dados do Maine se referem a todas as rodovias ou apenas às interestaduais.

  • Desconsideração de fatores sazonais: não leva em conta que dezembro e janeiro podem ter mais acidentes por causa do inverno e das festas.

A alternativa A, por outro lado, critica o texto por não explicar por que o limite anterior era de 80 km. Essa informação é irrelevante para a argumentação: o que importa é a relação entre o aumento do limite e o aumento de acidentes, não a justificativa do limite antigo. Portanto, essa crítica é impertinente.

Críticas à argumentação
  • 1Pertinentes (apontam falha real)
    • Generalização (só um estado)
    • Causa única (só a velocidade)
    • Falta de especificação (tipo de rodovia)
    • Fatores sazonais (festas, inverno)
  • 2Impertinente (não enfraquece a tese)
    • Por que o limite era 80 km?
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A crítica é impertinente porque o texto não precisa justificar o limite anterior de 80 km. A argumentação se baseia na comparação entre os limites e no aumento de acidentes após a mudança, como se vê em:

"aumentar o limite de velocidade de 80 km para 100 km nas rodovias interestaduais é muito perigoso e eleva o número de acidentes fatais"

O foco é a consequência do aumento, não a razão do limite antigo. Exigir essa explicação seria extrapolar o escopo da argumentação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A crítica é pertinente porque o texto não especifica se os dados do Maine se referem às rodovias interestaduais ou a todas as rodovias. O texto diz:

"O Estado do Maine, por exemplo, aumentou o limite de velocidade para 100 km em novembro último, e em dezembro ocorreram mais acidentes que em todos os demais meses desse mesmo ano."

A ambiguidade é real: se os acidentes incluem rodovias urbanas, a comparação com as interestaduais fica comprometida. Portanto, a crítica é válida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A crítica é pertinente porque o texto não considera fatores sazonais, como festas que atraem turistas. O texto atribui o aumento de acidentes apenas à velocidade, mas dezembro e janeiro podem ter mais tráfego por causa das festas de fim de ano. Isso é uma falácia de causa única.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A crítica é pertinente porque o texto usa apenas as estatísticas de um estado (Maine) para concluir sobre todas as rodovias interestaduais. Isso é uma generalização indevida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A crítica é pertinente porque o texto atribui exclusivamente à velocidade o aumento de mortes, ignorando outros fatores. O texto afirma:

"Cada vez em que foi aumentado esse limite nas rodovias, o número de mortes também cresceu."

Essa relação de causa e efeito é simplista, pois não considera outras variáveis. A crítica aponta exatamente essa falha.

NÃO CAIA NESSA!

A banca quer que você confunda "crítica impertinente" com "crítica que não é verdadeira". A alternativa A é impertinente porque não ataca a argumentação, mas não é falsa: o texto realmente não explica o porquê do limite de 80 km. A impertinência está em exigir uma informação que não é necessária para a conclusão.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a crítica impertinente, pergunte: "essa crítica aponta uma falha que enfraquece a argumentação?" Se a resposta for não, ela é impertinente. No caso, a falta de explicação do limite anterior não enfraquece a tese de que aumentar o limite é perigoso.

Conclusão: a única crítica que não se aplica ao texto é a da alternativa A, pois o texto não precisa justificar o limite anterior de 80 km. As demais apontam falhas reais na argumentação, como generalização, causa única e falta de especificação.

Gabarito: letra A

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