Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg160339
Banca
FGV
Órgão
ALEMA
Ano
2023
Cargo
Ass Leg Adm ( )
À Beça
Gumercindo Bessa (1859-1913), jornalista e jurista alagoano, foi adversário de Rui Barbosa na Questão Acreana, em que o Estado do Amazonas pretendia incorporar o Território do Acre. Bessa venceu a questão em favor do Acre, apresentando argumentos irrefutáveis e numa quantidade impressionante.
Posteriormente, mas não muito, Rodrigues Alves (Presidente do Brasil de 1902 a 1906) diria a um cidadão que lhe apresentava um pedido com justificativas infindáveis: “O senhor tem argumentos à Bessa”. A partir daí, popularizou-se a expressão à beça com o sentido de uma grande quantidade ou intensidade.
Por que os dois esses viraram cê-cedilha? Ninguém sabe.
(Reinaldo Pimenta, A Casa da Mãe Joana 2)
Observe o texto a seguir. A ideia central do texto é a de
Aexplicar a origem histórica de uma expressão popular.
Bjustificar a duplicidade de grafia de uma expressão.
Cindicar o sentido preciso da expressão à beça.
Dmostrar como as palavras se constroem socialmente.
Edocumentar um erro ortográfico.
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GabaritoA — explicar a origem histórica de uma expressão popular.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A ideia central do texto: a origem histórica de uma expressão popular
Gabarito: letra A. O texto tem como ideia central explicar a origem histórica da expressão popular “à beça”, como se comprova no trecho: “A partir daí, popularizou-se a expressão à beça com o sentido de uma grande quantidade ou intensidade.” O texto narra como Gumercindo Bessa, ao vencer a Questão Acreana, deu origem à expressão, e como ela se popularizou a partir da fala de Rodrigues Alves.
O comando pede a ideia central do texto, ou seja, o tema principal que organiza todas as informações. Para identificá-la, é preciso observar o movimento argumentativo do autor: ele parte de um fato histórico (a atuação de Gumercindo Bessa), passa pela anedota envolvendo Rodrigues Alves e conclui com a popularização da expressão. Tudo converge para contar a origem de “à beça” — não para discutir sua grafia, seu sentido isolado ou questões sociais mais amplas.
A técnica para resolver é simples: pergunte-se “sobre o quê o texto fala do início ao fim?”. A resposta é a ideia central. As alternativas que tratam de aspectos periféricos (grafia, sentido, construção social) são distratoras porque tangenciam o tema, mas não o resumem.
“A partir daí, popularizou-se a expressão à beça com o sentido de uma grande quantidade ou intensidade.”
Essa passagem é a chave: ela amarra a narrativa histórica à expressão, mostrando que o objetivo do texto é explicar como a expressão surgiu e se consolidou. As demais alternativas ou restringem o alcance (como a B, que foca só na grafia) ou extrapolam (como a D, que generaliza para “como as palavras se constroem socialmente”).
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A é a única que captura a totalidade do texto. O texto narra a origem da expressão “à beça” a partir de um episódio histórico: a atuação de Gumercindo Bessa na Questão Acreana e a posterior fala de Rodrigues Alves. A conclusão do texto — “A partir daí, popularizou-se a expressão à beça” — confirma que o propósito é explicar a origem histórica. Não há nenhuma informação que contrarie essa leitura; pelo contrário, todo o texto converge para ela.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B afirma que o texto busca justificar a duplicidade de grafia da expressão. Isso é um erro de restrição: o texto menciona a grafia apenas na última linha (“Por que os dois esses viraram cê-cedilha? Ninguém sabe.”), mas isso é uma curiosidade final, não a ideia central. O texto não tenta justificar a grafia; ele apenas levanta a dúvida sem respondê-la. A ideia central é a origem, não a grafia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C diz que o texto busca indicar o sentido preciso da expressão “à beça”. O texto até menciona o sentido (“grande quantidade ou intensidade”), mas isso é secundário — é uma informação que aparece de passagem, não o objetivo principal. O foco está na origem histórica, não na definição do sentido. A alternativa restringe o alcance do texto, transformando um detalhe em tema central.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que o texto mostra como as palavras se constroem socialmente. Isso é uma extrapolação: o texto narra um caso específico (a origem de “à beça”), mas não faz nenhuma generalização sobre a construção social das palavras. Não há discussão teórica ou exemplos de outros casos. A alternativa acrescenta uma opinião que o autor não externou — ele não está teorizando, apenas contando uma história.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E diz que o texto busca documentar um erro ortográfico. Isso é um erro de interpretação: o texto não trata a grafia “à beça” como erro; apenas levanta uma curiosidade sobre a mudança de “esses” para “cê-cedilha”. Além disso, documentar um erro não é o objetivo do texto — o objetivo é explicar a origem da expressão. A alternativa contradiz o tom do texto, que é informativo e curioso, não crítico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta atrair o candidato com alternativas que abordam aspectos secundários do texto (grafia, sentido, construção social), desviando do foco principal. A ideia central é sempre o tema que organiza todo o texto, não um detalhe isolado.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar a ideia central, pergunte-se: “se eu tivesse que resumir este texto em uma frase, o que diria?”. A resposta deve abranger todo o texto, não apenas uma parte. Desconfie de alternativas que usam palavras como “justificar”, “indicar” ou “documentar” — elas costumam restringir ou desviar o foco.