Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg160340
Banca
FGV
Órgão
ALEMA
Ano
2023
Cargo
TecGes Admin ( )
A palavra aborígine (ou aborígene) é com frequência empregada para designar autóctone de um país, nativo, indígena, principalmente em referência a populações originárias da Austrália. Sua origem está no latim aborígines, um, (os autóctones ou primeiros habitantes do Lácio e da Itália, cujos reis lendários são Latino, Saturno e Fauno). O vocábulo é geralmente explicado como derivado de ab origine (desde o princípio), se bem que seu emprego como etnônimo pelos historiadores romanos (entre eles Catão, Salústio e Tito Lívio) sugira tratar-se do nome de um povo.
(Roosevelt Nogueira de Hollanda, Palavras – origens e curiosidades)
Observe o texto a seguir. A ideia central desse texto é a de
Achamar a atenção do leitor para algumas curiosidades linguísticas.
Bindicar a provável origem etimológica de uma expressão.
Cjustificar o significado do vocábulo aborígine.
Ddocumentar historicamente o surgimento de um vocábulo.
Epromover cientificamente o estudo das palavras.
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GabaritoB — indicar a provável origem etimológica de uma expressão.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Ideia central: a origem etimológica de "aborígine"
Gabarito: letra B. O texto tem como ideia central indicar a provável origem etimológica de uma expressão — no caso, a palavra aborígine. Isso se prova logo na abertura, quando o autor afirma que o vocábulo "é geralmente explicado como derivado de ab origine (desde o princípio)", e no fechamento, ao ponderar que seu emprego pelos historiadores romanos "sugira tratar-se do nome de um povo". Toda a argumentação gira em torno de de onde vem a palavra, não de justificar seu sentido atual nem de documentar seu surgimento histórico.
O comando: o que a banca pede
A questão pergunta pela ideia central do texto — ou seja, o tema/tese que organiza todos os parágrafos. Não se trata de localizar uma informação pontual (compreensão literal), nem de deduzir algo não dito (inferência). É uma questão de síntese: qual é o propósito dominante do autor ao escrever? Para responder, você precisa identificar o eixo temático — o assunto que perpassa todas as frases — e o objetivo comunicativo (informar, explicar, justificar, documentar, promover).
O texto: tema, tese e movimento argumentativo
O texto é um verbete de curiosidade etimológica. Veja a estrutura:
1ª frase: define o uso atual da palavra aborígine (autóctone, nativo, indígena).
2ª frase: apresenta a origem latina — aborígines — e explica o sentido original (primeiros habitantes do Lácio).
3ª frase: traz a explicação etimológica mais aceita: derivado de ab origine (desde o princípio).
4ª frase: acrescenta uma ressalva: o uso como etnônimo pelos romanos sugere que seja nome de um povo.
O movimento é claro: parte do sentido atual → recua à origem latina → discute a explicação etimológica → pondera uma hipótese alternativa. O fio condutor é a origem da palavra, não o seu significado em si, nem a história do seu uso, nem um elogio ao estudo das palavras.
A técnica que decide: distinguir "indicar origem" de "justificar significado"
A alternativa correta (B) diz "indicar a provável origem etimológica de uma expressão". Repare nos dois termos-chave:
"provável" — o texto não afirma com certeza absoluta; usa expressões como "é geralmente explicado" e "sugira". Isso casa perfeitamente com o tom ponderado do autor.
"origem etimológica" — é exatamente o que o texto faz: explica de onde vem a palavra (do latim ab origine).
A distratora mais perigosa é a letra C ("justificar o significado do vocábulo aborígine"). Justificar o significado seria explicar por que a palavra significa o que significa — por exemplo, mostrar que o sentido de "nativo" decorre de "desde o princípio". O texto menciona o significado, mas não se propõe a justificá-lo; ele se propõe a localizar a origem. A diferença é sutil, mas decisiva: origem responde a "de onde veio?", justificativa responde a "por que é assim?".
Outra armadilha é a letra D ("documentar historicamente o surgimento de um vocábulo"). Documentar historicamente seria registrar quando e como a palavra apareceu na língua, com datas, contextos históricos. O texto cita historiadores romanos, mas não faz um levantamento histórico; apenas menciona uma hipótese sobre o uso antigo. O foco permanece na etimologia (origem da palavra), não na história do seu uso.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: tangenciar (fuga ao tema). O texto realmente traz "curiosidades linguísticas" — a origem de uma palavra é uma curiosidade — mas isso é um efeito colateral, não a ideia central. A alternativa é genérica demais: qualquer texto sobre a origem de uma palavra seria uma curiosidade linguística. O texto não se propõe a "chamar a atenção" do leitor para várias curiosidades; ele se concentra em uma palavra e sua etimologia. A ideia central é específica, não ampla.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Prova no texto:
"O vocábulo é geralmente explicado como derivado de ab origine (desde o princípio)"
E também:
"seu emprego como etnônimo pelos historiadores romanos ... sugira tratar-se do nome de um povo"
O texto inteiro é uma explicação etimológica: apresenta a origem latina, a explicação mais aceita e uma hipótese alternativa. "Indicar a provável origem" é uma paráfrase fiel — o autor não afirma com certeza, apenas indica o que "é geralmente explicado" e o que "sugere". É a única alternativa que captura o propósito central do texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: troca de conceito (justificar ≠ indicar origem). O texto define o significado de aborígine (autóctone, nativo), mas não o justifica. Justificar seria explicar a razão de ser do significado — por exemplo, mostrar que "desde o princípio" leva a "primeiro habitante". O texto apenas menciona o significado para contextualizar; o foco está na origem da palavra, não na validação do sentido. A alternativa confunde "explicar a origem" com "justificar o significado".
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: extrapolar (acrescenta informação ausente). O texto cita historiadores romanos, mas não faz uma documentação histórica do surgimento do vocábulo — não há datas, não há evolução do uso, não há registro de quando entrou na língua. "Documentar historicamente" é um propósito mais amplo e específico do que o texto realiza. O autor apenas menciona uma hipótese sobre o uso antigo; não se propõe a documentar nada. A alternativa extrapola o alcance do texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: tangenciar (fuga ao tema). O texto é de cunho etimológico, mas não tem caráter científico nem promocional. Não há metodologia, não há defesa da importância do estudo das palavras, não há convite ao leitor para estudar etimologia. "Promover cientificamente" é um propósito que o texto não assume — ele apenas informa sobre a origem de uma palavra. A alternativa projeta uma intenção que não está no texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "indicar a origem" (B) e "justificar o significado" (C). A diferença está no verbo: indicar = apontar de onde veio; justificar = explicar por que é assim. O texto faz o primeiro, não o segundo.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar a ideia central, pergunte: "sobre o quê o texto fala do começo ao fim?" Se todas as frases giram em torno da origem de uma palavra, a resposta é etimológica. Desconfie de alternativas que trocam o verbo (indicar/justificar/documentar) — a banca adora essa sutileza.
Conclusão: a ideia central é a origem etimológica de aborígine. As demais alternativas ou generalizam demais (A, E), ou trocam o propósito (C, D). A correta é a letra B, pois é a única que parafraseia com precisão o que o texto faz: indicar a provável origem da palavra.