Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg160347
Banca
FGV
Órgão
CAM DEP
Ano
2023
Cargo
AL ( )
“No dia 15 de maio de 1796, o general Bonaparte fez sua entrada em Milão à frente desse novo exército que vinha de ultrapassar a ponte de Lodi, e de mostrar ao mundo que, após tantos séculos, César e Alexandre tinham um sucessor. Os milagres de bravura e de inteligência dos quais a Itália fora testemunha despertaram um povo adormecido; oito dias antes da chegada dos franceses, os milaneses só viam neles uma quadrilha de bandidos.”
(Stendhal)
Leia o fragmento a seguir. Assinale a afirmação adequada sobre os componentes e a estrutura desse pequeno texto.
ANão há qualquer termo que se refira ao momento em que o narrador está escrevendo o texto.
BA indicação da data “15 de maio de 1796” é reforçada por outros indicadores cronológicos do mesmo texto.
CA referência de que “César e Alexandre” tinham um sucessor é uma alusão pejorativa a Napoleão Bonaparte.
DA expressão “povo adormecido” se refere aos franceses, que eram vistos pelos italianos como “quadrilha de bandidos”.
EO texto narrativo acima mostra uma contínua evolução cronológica, construída pelos tempos verbais.
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GabaritoA — Não há qualquer termo que se refira ao momento em que o narrador está escrevendo o texto.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Análise do fragmento de Stendhal: componentes e estrutura
Gabarito: letra A. A alternativa correta afirma que não há qualquer termo que se refira ao momento em que o narrador está escrevendo o texto. Isso se prova pela ausência de déiticos temporais de enunciação (como "hoje", "agora", "neste momento") e pela predominância de formas verbais no pretérito perfeito ("fez", "vinha", "fora"), que situam os fatos exclusivamente no passado narrado, sem ancoragem no presente da escrita.
O comando da questão
O enunciado pede uma análise dos componentes e da estrutura do texto, ou seja, uma avaliação sobre como o narrador organiza o tempo, as referências e os elementos narrativos. Não se trata de uma questão de inferência profunda, mas de compreensão — a resposta deve ser encontrada diretamente na superfície textual, verificando o que está ou não presente no fragmento.
O texto: tema e movimento argumentativo
O fragmento narra a entrada de Napoleão Bonaparte em Milão em 15 de maio de 1796, destacando a mudança de percepção dos milaneses: antes viam os franceses como "quadrilha de bandidos", depois foram despertados pelos "milagres de bravura e de inteligência". O narrador usa o pretérito perfeito ("fez", "fora") e o pretérito imperfeito ("vinha", "só viam") para construir uma sequência de eventos passados, sem qualquer marca linguística que conecte esses eventos ao momento da escrita.
A técnica que decide a questão
A chave está em identificar dêiticos temporais — palavras que ancoram o discurso no momento da enunciação, como "hoje", "agora", "neste momento", "atualmente". No texto, não há nenhum desses elementos. Todos os verbos estão no passado, e as referências temporais são absolutas ("15 de maio de 1796") ou relativas ao próprio evento narrado ("oito dias antes da chegada dos franceses"), nunca ao momento em que o narrador escreve. Portanto, a alternativa A está correta: não há termo que remeta ao presente da escrita.
Análise das alternativas
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmação é verdadeira. O texto não contém nenhum termo que remeta ao momento da enunciação. Os verbos estão todos no pretérito ("fez", "vinha", "fora", "só viam"), e as referências temporais são absolutas ("15 de maio de 1796") ou relativas ao evento narrado ("oito dias antes da chegada dos franceses"). Não há "hoje", "agora", "neste momento" ou qualquer expressão que situe o narrador no presente da escrita.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a data "15 de maio de 1796" é reforçada por outros indicadores cronológicos do mesmo texto. Isso é falso: o texto menciona apenas essa data e a expressão "oito dias antes da chegada dos franceses", que é uma referência relativa ao evento, não um reforço da data. Não há outros marcos cronológicos que reforcem a data específica. A alternativa extrapola ao sugerir que há mais indicadores do que realmente existem.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a referência a "César e Alexandre" é uma alusão pejorativa a Napoleão. Isso é falso: o texto diz que Bonaparte "mostrar ao mundo que, após tantos séculos, César e Alexandre tinham um sucessor", o que é uma exaltação — Napoleão é apresentado como sucessor de grandes conquistadores, não como alguém inferior. A alternativa contradiz o texto, que trata a figura de Napoleão de forma elogiosa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "povo adormecido" se refere aos franceses. Isso é falso: o texto diz que "os milagres de bravura e de inteligência dos quais a Itália fora testemunha despertaram um povo adormecido", ou seja, o povo adormecido é o italiano, que foi despertado pela chegada dos franceses. A alternativa troca o referente: atribui a expressão aos franceses, quando o texto a aplica aos italianos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o texto mostra uma contínua evolução cronológica construída pelos tempos verbais. Isso é falso: o texto não apresenta uma progressão linear de eventos; ele faz um recorte temporal (a entrada em Milão) e uma retrospectiva (oito dias antes). Os tempos verbais não constroem uma evolução contínua, mas sim uma justaposição de momentos. A alternativa generaliza ao afirmar que há uma evolução contínua, quando o texto é fragmentário.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com alternativas que abordam aspectos secundários do texto, como a grafia ou o sentido figurado, mas a correta é a que se limita ao que está explícito.
PEGA ESSA DICA!
Grife o comando: "afirmação adequada sobre os componentes e a estrutura" pede análise objetiva, não inferência. Desconfie de alternativas que atribuem intenções ou referências que o texto não sustenta.
Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a letra A, pois não há termo que remeta ao momento da escrita. As demais ou extrapolam, ou contradizem, ou trocam referentes.