Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — FGV 2023
Português›Tipologia e Gênero Textual
Código
fg160368
Banca
FGV
Órgão
TJ SE
Ano
2023
Cargo
TJ ( )
Por que a pontuação nos jogos de tênis segue a ordem 15, 30 e 40? (adaptado)
Uma dica: tem a ver com o jeu de paume, ancestral do tênis atual.
Por Maria Clara Rossini
A hipótese mais provável tem a ver com o jogo de palma (jeu de paume), modalidade francesa da qual o tênis é descendente. A principal diferença entre os dois é que, em vez da raquete, antigamente os jogadores usavam a mão mesmo para rebater a bola. Cada jogador ficava a 60 pés (18 metros) da rede.
Os pontos eram contados de um em um. A cada vez que um jogador marcava, ele deveria se aproximar 15 pés da rede. Depois, mais 15 pés (ficando a 30 pés do início da quadra). É de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais 15 pés – só que essa posição ficava muito próxima da rede, o que aniquilaria o desempenho do participante. O jogador, então, tinha de se aproximar só mais 10 pés, totalizando 40 de distância da sua posição inicial em vez de 45.
Acontece que também existem registros de jogos de tênis que seguiam a ordem “15, 30 e 45”. Um poema escrito no século 15, por exemplo, narra uma partida de tênis entre o rei Henrique 5º, da Inglaterra e um nobre francês – e utiliza o 45 na contagem. O mesmo ocorre em uma poesia escrita pelo duque Charles de Orleães, da mesma época.
Esse tipo de registro coloca uma dúvida na cabeça dos historiadores do esporte. Uma hipótese que justificaria o “45” é o uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo. Cada quarto de hora representaria um ponto, e quem conseguisse dar a volta primeiro ganhava. Apesar de fazer algum sentido, não há evidências do uso de relógios para esse fim. É provável que muitos passaram a usar o 45 simplesmente por ser uma progressão mais natural, com intervalos uniformes.
Mesmo assim foi o 15, 30, 40 que vingou. O jeu de paume agradece.
No que se refere ao seu tipo textual predominante, o texto 2 deve ser classificado como:
Adescritivo;
Bnarrativo;
Cexpositivo;
Dmodal;
Einjuntivo.
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GabaritoC — expositivo;
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Tipologia textual: o texto 2 é expositivo
Gabarito: letra C. O texto 2 é predominantemente expositivo porque sua finalidade é explicar e informar o leitor sobre a origem da pontuação do tênis (15, 30, 40), sem defender uma tese ou persuadir. A intenção comunicativa é clara desde o título: "Por que a pontuação nos jogos de tênis segue a ordem 15, 30 e 40?" — uma pergunta que o texto se propõe a responder com dados e hipóteses, como se lê no trecho: "A hipótese mais provável tem a ver com o jogo de palma (jeu de paume), modalidade francesa da qual o tênis é descendente."
O comando: classificar o tipo textual predominante
A questão pede que você identifique o tipo textual predominante — não o gênero, não a função de cada parágrafo isolado, mas a estrutura linguística dominante que organiza o texto como um todo. Para isso, o critério decisivo é a intenção do autor: o que ele quer fazer com o leitor? Contar uma história? Descrever um objeto? Convencer de uma opinião? Dar instruções? Ou explicar um assunto?
No texto 2, o autor quer explicar por que a pontuação do tênis é 15, 30, 40. Ele apresenta uma hipótese (o jeu de paume), explica o mecanismo dos 15 pés, menciona registros históricos que usavam 45, e conclui que "foi o 15, 30, 40 que vingou". Tudo isso é exposição de informações — não há defesa de ponto de vista, não há enredo com personagens, não há instruções ao leitor.
O texto: tema, tese e movimento argumentativo
O tema é a origem da pontuação do tênis. A tese (a ideia central) é que a sequência 15, 30, 40 vem do jeu de paume, com a explicação dos 15 pés de aproximação. O texto desenvolve essa tese de forma expositiva: apresenta a hipótese principal, explica o raciocínio dos 15 pés, mostra a variação para 45 em registros históricos, e conclui com a consolidação do 15, 30, 40.
Observe que o autor não está argumentando para convencer o leitor de que essa é a única explicação correta — ele diz "A hipótese mais provável", "É provável que", "não há evidências". Essas expressões modalizadoras indicam neutralidade e imparcialidade, típicas do texto expositivo, que busca informar sem persuadir.
A técnica: intenção comunicativa vs. forma
A pegadinha central desta questão é a confusão entre narrativo e expositivo. O texto menciona fatos históricos (o poema do século 15, o rei Henrique 5º) e até um "narra" uma partida, o que pode sugerir narração. Mas a intenção não é contar uma história — é explicar uma origem. O texto não tem enredo, personagens, conflito ou clímax; tem explicações, hipóteses e dados.
Outra distinção importante: o texto não é descritivo, pois não caracteriza pessoas, objetos ou lugares com riqueza de detalhes sensoriais. Também não é injuntivo, pois não dá instruções ao leitor (não há verbos no imperativo). E não é modal — esse termo não é um tipo textual clássico; a banca o incluiu como distrator.
Tipos textuais: Narrativo (Conta história (enredo, personagens)); Descritivo (Caracteriza com detalhes sensoriais); Expositivo (Explica/informa com imparcialidade, Gabarito); Injuntivo (Dá instruções (imperativo)); Argumentativo (Defende tese para convencer)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Descritivo — O texto não tem como objetivo retratar algo (pessoa, objeto, lugar) com detalhes sensoriais. Ele não descreve a quadra de tênis, os jogadores ou o jogo em si; ele explica um fenômeno. A descrição seria o tipo predominante se o texto se dedicasse a caracterizar, por exemplo, o jeu de paume como modalidade — mas não é o caso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Narrativo — O texto não conta uma história com enredo, personagens, tempo e espaço definidos. Embora mencione fatos históricos (o poema do século 15, o rei Henrique 5º), esses são exemplos usados para ilustrar a explicação, não o fio condutor do texto. A intenção não é narrar, mas explicar.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Expositivo — O texto tem finalidade informativa e explicativa. Ele responde a uma pergunta (por que 15, 30, 40?) apresentando hipóteses, dados e explicações de forma imparcial. Como se lê no trecho: "A hipótese mais provável tem a ver com o jogo de palma (jeu de paume)" — o autor expõe uma explicação, não defende uma opinião pessoal. A estrutura é típica do texto expositivo: introdução do tema, desenvolvimento com explicações e conclusão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Modal — "Modal" não é um tipo textual clássico na tipologia cobrada em concursos (narrativo, descritivo, dissertativo-expositivo, dissertativo-argumentativo, injuntivo, preditivo). O termo pode remeter a "modalização" (estratégia linguística), mas não classifica o texto. É um distrator que foge ao conjunto de tipos textuais.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Injuntivo — O texto não dá instruções, ordens ou orientações ao leitor. Não há verbos no imperativo (como "faça", "misture", "siga"), nem uma sequência de passos a serem executados. O objetivo é explicar, não instruir.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre narrativo e expositivo. O texto menciona fatos históricos e um poema, o que pode sugerir narração, mas a intenção é explicar a origem da pontuação. Fique atento à intenção comunicativa, não à presença de fatos passados.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar o tipo textual predominante, pergunte: "qual é a intenção do autor?" Se ele quer explicar/informar, é expositivo; se quer convencer, é argumentativo; se quer contar uma história, é narrativo; se quer descrever, é descritivo; se quer instruir, é injuntivo.