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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg160370
Banca
FGV
Órgão
Pref SJC
Ano
2023
Cargo
Prof I ( )

Mila

Carlos Heitor Cony

 

“Era pouco maior do que minha mão: por isso eu precisei das duas para segurá-la, 13 anos atrás. E, como eu não tinha muito jeito, encostei-a ao peito para que ela não caísse, simples apoio nessa primeira vez. Gostei desse calor e acredito que ela também. Dias depois, quando abriu os olhinhos, olhou-me fundamente: escolheu-me para dono. Pior: me aceitou.

 

Foram 13 anos de chamego e encanto. Dormimos muitas noites juntos, a patinha dela em cima do meu ombro. Tinha medo de vento. O que fazer contra o vento?”

Texto

   

Muitos teóricos fazem a distinção entre interpretação de texto – a apreensão dos significados – e a compreensão de texto – a percepção dos processos produtores de significação.

 

Sobre o pequeno texto acima, fizeram-se cinco perguntas; assinale aquela que diz respeito à compreensão e não à interpretação.

  1. AQual o personagem central desse fragmento de crônica?
  2. BO bichinho referido no texto era cão ou gato?
  3. CQue inferência podemos tirar de “nessa primeira vez!?
  4. DDe que modo o autor do texto alude à morte?
  5. EComo foi a relação entre animal e dono?
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — De que modo o autor do texto alude à morte?

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão × interpretação: a pergunta que localiza a morte no texto

Gabarito: letra D. A pergunta que diz respeito à compreensão — e não à interpretação — é a que indaga “De que modo o autor do texto alude à morte?”, porque a resposta está explícita no texto, bastando localizá-la. Como se lê no trecho final: “Tinha medo de vento. O que fazer contra o vento?” — a pergunta retórica, associada ao medo do vento, é a forma literal pela qual o autor alude à morte. As demais alternativas exigem inferência (dedução a partir de pistas), portanto são de interpretação.

O comando da questão é o coração dela: ele pede para assinalar a pergunta que diz respeito à compreensão e não à interpretação. Isso muda tudo: não se trata de responder qualquer pergunta sobre o texto, mas de classificar o tipo de operação mental que cada pergunta exige. Compreender é localizar uma informação explícita (recorrência); interpretar é deduzir, inferir algo que não está dito, mas pressuposto. O texto-base da questão — o fragmento de crônica “Mila”, de Carlos Heitor Cony — narra a relação do narrador com um animal de estimação, do primeiro contato até a velhice. O movimento argumentativo relevante está no desfecho: “Tinha medo de vento. O que fazer contra o vento?” — a pergunta retórica, associada ao medo do vento, é a forma literal pela qual o autor alude à morte. As demais alternativas exigem inferência (dedução a partir de pistas), portanto são de interpretação.

A técnica que decide é simples: pergunte-se “a resposta está escrita no texto ou preciso deduzir?”. Se está escrita, é compreensão; se preciso inferir, é interpretação. A alternativa D pergunta “de que modo o autor alude à morte?” — e a resposta está literalmente no texto: ele alude à morte por meio da metáfora do vento, que o animal temia. Não há dedução: o texto diz que o bicho tinha medo de vento e, logo em seguida, o autor pergunta “o que fazer contra o vento?”, deixando claro que o vento representa a morte. Já as outras alternativas pedem inferências: A (personagem central) exige deduzir que o foco é o animal; B (cão ou gato) exige inferir pela descrição; C (inferência de “nessa primeira vez”) pede explicitamente uma inferência; E (como foi a relação) exige sintetizar e deduzir o tom afetivo.

A armadilha central da banca é confundir o candidato com a palavra “aludir”, que pode parecer algo subjetivo. Mas “aludir” aqui é apenas fazer referência — e a referência está explícita. A banca adora esse tipo de pegadinha: trocar o verbo do enunciado para fazer parecer que é interpretação quando é compreensão. O critério que separa as alternativas é exatamente esse: a resposta está no texto (compreensão) ou precisa ser deduzida (interpretação)? Teste cada uma perguntando: “onde no texto está escrito isso?”. Se não houver passagem que responda diretamente, é interpretação.

Critério

Compreensão

Interpretação

Operação mental

Localizar informação explícita

Deduzir/inferir a partir de pistas

Resposta

Está escrita no texto

Não está dita, é pressuposta

Exemplo na questão

“De que modo o autor alude à morte?” (letra D)

“Que inferência podemos tirar…?” (letra C)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A pergunta “Qual o personagem central desse fragmento de crônica?” exige inferência: o texto não diz explicitamente “o personagem central é o animal”. O leitor deduz isso pela narrativa, que gira em torno do bichinho. É uma interpretação, pois a resposta não está literal, mas pressuposta pela estrutura do texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“O bichinho referido no texto era cão ou gato?” — o texto não informa a espécie. O leitor precisa inferir a partir de pistas como “patinha” e “chamego”, mas não há confirmação explícita. É uma interpretação (inferência), não compreensão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A própria pergunta já entrega: “Que inferência podemos tirar de ‘nessa primeira vez’?”. O enunciado pede explicitamente uma inferência, ou seja, uma dedução a partir de pistas. Logo, é interpretação, não compreensão.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A pergunta “De que modo o autor do texto alude à morte?” é de compreensão, pois a resposta está explícita no texto. O autor alude à morte por meio da metáfora do vento: o animal tinha medo de vento, e a pergunta retórica final “O que fazer contra o vento?” deixa claro que o vento representa a morte. Não há dedução: a passagem está literalmente no texto.

“Tinha medo de vento. O que fazer contra o vento?”

Aqui, o vento é a morte — e isso está dito, não apenas sugerido. A pergunta retórica do autor é a forma explícita de aludir à morte. Portanto, é compreensão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Como foi a relação entre animal e dono?” — o texto descreve a relação, mas a resposta exige sintetizar e deduzir o tom afetivo (“chamego e encanto”). Não há uma frase que diga objetivamente “a relação foi boa”. É uma interpretação, pois o leitor precisa inferir o sentimento a partir das ações narradas.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: “diz respeito à compreensão” pede localizar informação explícita; “interpretação” pede inferir. Se a pergunta contém a palavra “inferência”, já é interpretação.

Gabarito: letra D.

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