Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg160378
Banca
FGV
Órgão
Pref BH
Ano
2023
Cargo
AEG ( )
Uma crônica do célebre escritor Stanislaw Ponte Preta, intitulada Vamos acabar com essa folga, começa com o seguinte parágrafo: O negócio aconteceu num café. Tinha uma porção de sujeitos sentados nesse café, tomando umas e outras. Havia brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemães, o diabo. Quanto ao modo de organização discursiva e aos componentes desse pequeno texto, assinale a afirmativa correta.
AAs características das pessoas presentes são dadas sob critérios distintos.
BO modo narrativo se mistura com o modo descritivo.
CO registro de linguagem predominante é o popular, como mostram “o negócio” e “umas e outras”.
DA presença da forma verbal “tinha” em lugar de “havia” mostra uma preocupação com a linguagem formal.
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GabaritoA — As características das pessoas presentes são dadas sob critérios distintos.
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Modos de organização discursiva e critérios de classificação no texto
Gabarito: letra A. A afirmativa correta é a que diz que as características das pessoas presentes são dadas sob critérios distintos, pois o texto enumera os frequentadores do café misturando nacionalidade (brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemães) com origem geográfica/continental (o diabo, expressão que generaliza qualquer outra origem). Essa mistura de critérios é exatamente o que a alternativa A aponta, e é a única afirmação inteiramente sustentada pelo texto.
O comando pede que se analise o modo de organização discursiva e os componentes do pequeno texto. Isso significa que devemos observar como o autor estrutura o parágrafo: há uma sequência de ações (narração) e uma caracterização do ambiente e das pessoas (descrição). A questão não pede inferência profunda, mas compreensão das escolhas linguísticas e estruturais do autor.
No trecho, o narrador conta que "o negócio aconteceu num café" e que "tinha uma porção de sujeitos sentados... tomando umas e outras". Aí temos a narração (fatos que se sucedem). Em seguida, ele descreve quem estava presente: "Havia brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemães, o diabo". Essa enumeração é uma descrição das pessoas, mas feita de forma peculiar: mistura categorias. "Brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemães" são nacionalidades; "o diabo" é uma expressão popular que indica "todo o resto", ou seja, qualquer outra origem. Portanto, os critérios de classificação são distintos: uns são classificados por nacionalidade, outros por uma generalização. É isso que a alternativa A afirma.
A alternativa B diz que "o modo narrativo se mistura com o modo descritivo". Isso é verdadeiro, mas não é o que a questão pede como correta? Vamos analisar: o texto realmente mistura narração e descrição. Porém, a banca considerou a alternativa A como a correta, e a B como incorreta. Por quê? Porque a B afirma uma mistura que, embora exista, não é o aspecto central que a questão quer destacar. A questão pergunta sobre o modo de organização discursiva e os componentes — e a alternativa A fala de um componente específico (as características das pessoas) que é dado sob critérios distintos. A B é uma afirmação genérica que, embora verdadeira, não é a mais específica e correta. Além disso, a banca pode considerar que a B é uma generalização que não se sustenta plenamente: o texto é predominantemente narrativo, com um toque descritivo, mas não se pode dizer que os modos se "misturam" de forma equilibrada. A alternativa A é mais precisa e diretamente ancorada no texto.
A alternativa C afirma que o registro de linguagem predominante é o popular, citando "o negócio" e "umas e outras". De fato, essas expressões são coloquiais, mas o texto também usa "havia" (forma mais formal) e uma enumeração de nacionalidades que não é necessariamente popular. O registro é coloquial, mas não se pode dizer que seja predominantemente popular a ponto de ser a característica principal. A alternativa C extrapola ao afirmar que o registro é "predominante", quando o texto apenas apresenta algumas marcas de oralidade.
A alternativa D afirma que o uso de "tinha" em lugar de "havia" mostra preocupação com a linguagem formal. Isso é um erro de interpretação: na norma culta, "haver" no sentido de existir é impessoal e invariável, enquanto "ter" no sentido de existir é uma construção coloquial, típica da fala. O autor usa "tinha" justamente para marcar o registro informal, e não o formal. Portanto, a D contradiz o texto e a norma.
Modos de organização discursiva
1Narração
Fatos que se sucedem
"O negócio aconteceu num café"
2Descrição
Caracterização do ambiente
Enumeração das pessoas
3Critérios de classificação
Nacionalidade
Brasileiros
Portugueses
Franceses
Argelinos
Alemães
Generalização
"O diabo" (qualquer outra origem)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A afirma que "as características das pessoas presentes são dadas sob critérios distintos". Isso se prova diretamente no texto:
"Havia brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemães, o diabo."
Aqui, "brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemães" são nacionalidades (critério: país de origem). Já "o diabo" é uma expressão que não indica uma nacionalidade, mas sim qualquer outra coisa — um critério de exclusão/generalização. Portanto, o autor usa critérios distintos para caracterizar as pessoas: uns pela nacionalidade, outros por uma expressão genérica. A alternativa A é uma paráfrase fiel dessa observação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B diz que "o modo narrativo se mistura com o modo descritivo". Embora o texto tenha elementos narrativos ("o negócio aconteceu num café") e descritivos ("tinha uma porção de sujeitos sentados..."), a banca considerou essa afirmação incorreta para o que se pede. O motivo: a questão quer que se identifique o modo de organização discursiva predominante e os componentes — e a alternativa B é uma generalização que não aponta o aspecto específico que a questão destaca. Além disso, o texto é predominantemente narrativo (conta um fato), com uma breve descrição do cenário. Não se pode dizer que os modos se "misturam" de forma equilibrada; a descrição é apenas um recurso dentro da narração. Portanto, a B generaliza e não é a resposta correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que "o registro de linguagem predominante é o popular, como mostram 'o negócio' e 'umas e outras'". É verdade que essas expressões são coloquiais, mas o texto também usa "havia" (forma mais formal) e uma enumeração de nacionalidades que não é necessariamente popular. O registro é coloquial, mas não se pode dizer que seja predominantemente popular a ponto de ser a característica principal. A alternativa C extrapola ao afirmar que o registro é "predominante", quando o texto apenas apresenta algumas marcas de oralidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que o uso de "tinha" em lugar de "havia" mostra preocupação com a linguagem formal. Isso é um erro de interpretação: na norma culta, "haver" no sentido de existir é impessoal e invariável, enquanto "ter" no sentido de existir é uma construção coloquial, típica da fala. O autor usa "tinha" justamente para marcar o registro informal, e não o formal. Portanto, a D contradiz o texto e a norma.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o que é descrição e o que é narração, e entre registro popular e formal. A alternativa A é a mais sutil, pois exige perceber que a enumeração de nacionalidades usa critérios distintos (nacionalidade vs. origem geográfica).
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar modos de organização discursiva, pergunte: o texto conta uma história (narração) ou pinta um cenário (descrição)? E, ao ver uma enumeração, verifique se todos os itens seguem o mesmo critério de classificação.