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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — FGV 2023

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
fg160379
Banca
FGV
Órgão
Pref BH
Ano
2023
Cargo
AEG ( )
Leia o fragmento a seguir.   Fui para o seminário. Poupa-me as outras despedidas. Minha mãe apertava-me ao peito. Prima Justina suspirava. Talvez chorasse mal ou nada. Há pessoas a quem as lágrimas não acodem logo nem nunca; diz-se que padecem mais que as outras.   Machado de Assis. Dom Casmurro. Rio de Janeiro. Livraria Garnier. 12 ed. 1899.   Esse fragmento textual deve ser classificado como
  1. Adescritivo, com observador onisciente.
  2. Bargumentativo, com tese e argumento expressos.
  3. Cnarrativo, com narrador personagem.
  4. Dnarrativo-descritivo-argumentativo, com enunciador distante da trama.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — narrativo, com narrador personagem.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia textual: o fragmento é narrativo, com narrador personagem

Gabarito: letra C. O fragmento de Dom Casmurro é narrativo, pois relata uma sequência de ações e acontecimentos (a ida ao seminário, as despedidas), e o narrador é personagem, porque quem conta participa da história — perceba o uso da primeira pessoa: "Fui para o seminário", "Minha mãe apertava-me ao peito". A alternativa C é a única que combina corretamente o tipo textual predominante com o foco narrativo.

O comando: classificar o fragmento

A questão pede que você classifique o fragmento quanto à tipologia textual e, no caso da narração, identifique o foco narrativo. Isso não é uma questão de compreensão ou inferência, mas de reconhecimento de características textuais — você precisa saber o que define cada tipo (narrativo, descritivo, argumentativo) e, dentro do narrativo, quem é o narrador (personagem ou observador).

O texto: o que predomina?

O fragmento conta um fato: a partida para o seminário e as despedidas. Há verbos de ação no pretérito ("Fui", "apertava-me", "suspirava") e uma sequência de acontecimentos — isso é a marca da narração. Há também um trecho com traço descritivo ("Minha mãe apertava-me ao peito. Prima Justina suspirava"), mas ele está a serviço da narrativa, caracterizando o momento da despedida, não é uma pausa descritiva autônoma. Não há tese nem argumentação: o narrador não defende ponto de vista algum; apenas relata.

O narrador é personagem porque usa a primeira pessoa e participa da cena: "Fui para o seminário", "Poupa-me as outras despedidas". Ele não é um observador externo, mas alguém que vive a situação.

A técnica: como identificar o tipo predominante

Para classificar um texto, pergunte: qual é a intenção predominante?

  • Narrar = contar uma história, com personagens, tempo, espaço e sequência de ações. Verbos no pretérito, verbos de ação.

  • Descrever = caracterizar pessoas, objetos, ambientes, sem progressão temporal. Verbos de estado, adjetivação.

  • Argumentar = defender uma tese, convencer o leitor. Presença de opinião, conectivos de causa e consequência.

No fragmento, a intenção é relatar — contar o que aconteceu. Os verbos de ação e a sequência temporal são decisivos. O trecho descritivo é secundário, um detalhe dentro da narração.

Análise das alternativas

Tipologia textual
  • 1Narrar
    • Conta história
    • Verbos de ação no pretérito
    • Sequência temporal
    • Narrador
      • Personagem (1ª pessoa)
      • Observador/onisciente (3ª pessoa)
  • 2Descrever
    • Caracteriza sem progressão
    • Verbos de estado
  • 3Argumentar
    • Defende tese
    • Convencer o leitor
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O fragmento não é predominantemente descritivo. Embora haja um breve traço descritivo ("Minha mãe apertava-me ao peito"), o que predomina é a narração — há ações em sequência e verbos no pretérito. Além disso, o narrador não é onisciente (que tudo sabe), mas personagem, que participa da cena em primeira pessoa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. Não há tese nem argumento. O narrador não defende opinião alguma; ele apenas relata um acontecimento. Não há conectivos de causa e consequência nem estrutura de convencimento. O fragmento é narrativo, não argumentativo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. O fragmento é narrativo porque conta uma sequência de ações (ir ao seminário, despedir-se) com verbos no pretérito. O narrador é personagem porque usa a primeira pessoa e participa da história: "Fui para o seminário", "Minha mãe apertava-me ao peito". A alternativa combina corretamente tipo textual e foco narrativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa mistura três tipos (narrativo-descritivo-argumentativo) e afirma que o enunciador é "distante da trama". O fragmento não é argumentativo (não há tese) e o narrador não é distante — ele é personagem, participa da cena. A mistura de tipos é indevida, pois o que predomina é a narração.

Fechamento

A regra de ouro: identifique a intenção predominante (narrar, descrever, argumentar) e, na narração, verifique quem conta (1ª pessoa = personagem; 3ª pessoa = observador/onisciente). O fragmento relata uma cena em primeira pessoa — logo, narrativo com narrador personagem.

Gabarito: letra C.

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