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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — FGV 2023

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
fg160380
Banca
FGV
Órgão
CAM DEP
Ano
2023
Cargo
AL ( )
Abaixo estão cinco segmentos de textos narrativos; aquele texto em que o ponto de vista adotado pelo narrador pode ser caracterizado como onisciente, é:
  1. A“Mas o barulho foi tão grande nesse momento, que Cláudio não pôde responder. Devemos confessar que nosso herói foi pouco herói nesse momento, apesar de o medo que o tomou não ter sido exagerado.”
  2. B“Eu ao menos, eu experimentava o estranho contraste entre as promessas da primavera e a sinistra pesquisa em que estava engajado.”
  3. C“Júlio nunca havia visto uma pessoa tão bem-vestida e sobretudo uma mulher com uma pele tão luminosa, falando com ele com um ar tão doce.”
  4. D“Antes ele não sorriu. Antes ele oferece um cigarro. Sua mão treme.”
  5. E“Ontem à tarde, eu passeava sozinho; o céu mostrava uma aparência de outono; um vento frio soprava em intervalos...”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “Mas o barulho foi tão grande nesse momento, que Cláudio não pôde responder. Devemos confessar que nosso herói foi pouco herói nesse momento, apesar de o medo que o tomou não ter sido exagerado.”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Narrador onisciente: quando o narrador sabe tudo

Gabarito: letra A. O narrador onisciente é aquele que, em 3ª pessoa, conhece não só os fatos externos, mas também os pensamentos e sentimentos íntimos das personagens — e, muitas vezes, opina sobre eles. No trecho da alternativa A, o narrador revela o estado interior de Cláudio ("o medo que o tomou") e ainda faz um comentário avaliativo ("Devemos confessar que nosso herói foi pouco herói"), o que só é possível a um narrador que tudo sabe. As demais alternativas ou usam narrador em 1ª pessoa (personagem) ou apenas descrevem o exterior, sem acesso à interioridade.

O comando

A questão pede que você identifique, entre cinco fragmentos narrativos, aquele em que o ponto de vista do narrador é onisciente. Isso é uma tarefa de reconhecimento de tipologia e foco narrativo: você precisa saber a diferença entre narrador-personagem (1ª pessoa), narrador-observador (3ª pessoa que só vê o exterior) e narrador-onisciente (3ª pessoa que conhece o interior e opina). Não há inferência complexa: a resposta está marcada no próprio texto por pistas linguísticas.

O texto e a técnica

Em cada alternativa, procure verbos e expressões que revelem acesso à mente da personagem (sentir, pensar, saber) e comentários do narrador (juízos de valor). No trecho A, o narrador diz: "o medo que o tomou" — isso é um sentimento interno, inacessível a um observador externo. E o comentário "Devemos confessar que nosso herói foi pouco herói" é uma opinião do narrador, típica do narrador onisciente intruso (como em Machado de Assis). Já nas outras, ou o narrador fala de si (1ª pessoa, como em B e E), ou descreve apenas o que se vê (C e D).

A armadilha central

A banca adora confundir narrador-observador com narrador-onisciente. O observador também narra em 3ª pessoa, mas não entra na cabeça das personagens: limita-se ao que é visível e audível. No trecho C, por exemplo, o narrador descreve a aparência de Júlia e a reação de Júlio, mas não revela o que eles pensam ou sentem — é um observador externo. Já no trecho A, o narrador sabe o que Cláudio sente (medo) e ainda opina sobre o herói. Essa é a diferença decisiva.

O gancho

Teste cada alternativa perguntando: o narrador revela o interior da personagem ou apenas o exterior? Se ele mostra pensamentos, sentimentos ou faz comentários avaliativos, é onisciente. Se fica na superfície, é observador. E se usa "eu" contando a própria história, é personagem. A única que passa no teste é a A.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Devemos confessar que nosso herói foi pouco herói nesse momento, apesar de o medo que o tomou não ter sido exagerado."

O narrador revela o sentimento interno de Cláudio ("o medo que o tomou") e emite um juízo de valor ("nosso herói foi pouco herói"). Isso só é possível a um narrador onisciente, que conhece a interioridade da personagem e ainda comenta a ação. É a marca clássica do narrador intruso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Eu ao menos, eu experimentava o estranho contraste entre as promessas da primavera e a sinistra pesquisa em que estava engajado."

O uso da 1ª pessoa ("Eu") indica narrador-personagem: ele conta a própria experiência, não é onisciente. Erro: contradiz o conceito de onisciência (que exige 3ª pessoa com acesso total).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Júlio nunca havia visto uma pessoa tão bem-vestida e sobretudo uma mulher com uma pele tão luminosa, falando com ele com um ar tão doce."

O narrador descreve o que Júlio (aparência, tom de voz), mas não revela seus pensamentos ou sentimentos. É um narrador-observador (3ª pessoa limitada ao exterior). Erro: confunde observador com onisciente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Antes ele não sorriu. Antes ele oferece um cigarro. Sua mão treme."

Aqui o narrador registra apenas ações e reações físicas (não sorriu, oferece cigarro, mão treme), sem acesso ao interior. É um narrador-observador, quase cinematográfico. Erro: limita-se ao externo, sem onisciência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Ontem à tarde, eu passeava sozinho; o céu mostrava uma aparência de outono; um vento frio soprava em intervalos..."

Novamente a 1ª pessoa ("eu passeava") marca narrador-personagem. Além disso, o trecho é predominantemente descritivo (cenário), não narrativo com foco onisciente. Erro: narrador em 1ª pessoa, não onisciente.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o narrador onisciente, procure verbos de sentimento/pensamento (sentiu, pensou, temeu) e comentários do narrador ("devemos confessar", "pobre coitado"). Se o narrador sabe o que a personagem sente, é onisciente.

Gabarito: letra A.

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