Segundo a gramática, a partícula expletiva ou de realce não possui função sintática, serve para dar destaque ou ênfase e pode ser retirada da frase, sem prejuízo algum para o sentido. A frase em que o termo destacado é parte necessária ao texto, é:
AO que não vão pensar quando souberem que o gerente fugiu?;
BO vaqueiro arrependeu-se do negócio realizado;
CMinha avó é que tinha uma língua terrível;
DMas, homem de Deus, que diabo! pense um pouco!;
EVou-me embora pra Pasárgada / Lá sou amigo do rei.
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GabaritoB — O vaqueiro arrependeu-se do negócio realizado;
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Partícula "se": expletiva × necessária
Gabarito: letra B. A questão pede a frase em que o "se" é parte necessária ao texto, ou seja, NÃO pode ser retirado sem prejuízo sintático ou semântico. Na alternativa B, "O vaqueiro arrependeu-se do negócio realizado", o "se" é parte integrante do verbo (verbo pronominal "arrepender-se"), pois o verbo "arrepender" não existe sem o pronome nesse sentido. Retirá-lo tornaria a frase agramatical: "O vaqueiro arrependeu do negócio" não é aceitável na norma culta. As demais alternativas apresentam "se" como partícula expletiva ou de realce, que pode ser suprimida sem alterar o sentido.
O comando
O enunciado define o conceito de partícula expletiva ou de realce: aquela que "não possui função sintática, serve para dar destaque ou ênfase e pode ser retirada da frase, sem prejuízo algum para o sentido". A tarefa é identificar a frase em que o termo destacado (o "se") é parte necessária ao texto — ou seja, o oposto da definição dada. Portanto, precisamos achar a ocorrência em que o "se" não é expletivo, mas sim um elemento com função sintática ou morfológica essencial.
O texto e a técnica
Não há um texto-base além das frases das alternativas. A resolução exige conhecer as funções da partícula "se":
Partícula expletiva ou de realce: não tem função sintática; pode ser retirada sem prejuízo. Ex.: "Vão-se os anéis, ficam-se os dedos." (retirando o "se": "Vão os anéis, ficam os dedos" — sentido mantido).
Pronome reflexivo: exerce função de objeto direto ou indireto; a ação recai sobre o próprio sujeito. Ex.: "Ele se feriu" (= feriu a si mesmo).
Parte integrante do verbo (PIV): ocorre em verbos pronominais, que só existem com o pronome (arrepender-se, queixar-se, suicidar-se, lembrar-se). O "se" não tem função sintática, mas é obrigatório para a conjugação do verbo.
Partícula apassivadora (PA): com VTD/VTDI, indica voz passiva sintética. Ex.: "Vendem-se casas."
Índice de indeterminação do sujeito (IIS): com VTI/VI/VL, indetermina o sujeito. Ex.: "Precisa-se de funcionários."
Conjunção integrante: introduz oração subordinada substantiva. Ex.: "Não sei se ele virá."
A pegadinha central: a banca mistura expletiva (dispensável) com PIV (obrigatória). Ambas não têm função sintática, mas a PIV é necessária à estrutura do verbo. A questão pede justamente essa distinção.
Análise das alternativas
Partícula "se"
1Expletiva (dispensável)
Pode ser retirada sem prejuízo
Ex.: "Vão-se os anéis"
2Necessária (obrigatória)
Parte integrante do verbo (PIV)
Verbos pronominais
Ex.: arrepender-se, queixar-se
Reflexivo
Ação recai no sujeito
Apassivadora (PA)
Voz passiva sintética
Indeterminação do sujeito (IIS)
Sujeito indeterminado
Conjunção integrante
Oração subordinada substantiva
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"O que não vão pensar quando souberem que o gerente fugiu?"
Aqui o "se" não aparece! A frase usa "que" como conjunção integrante. Portanto, não há partícula "se" para analisar. A alternativa foge ao tema — tangencia a questão.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"O vaqueiro arrependeu-se do negócio realizado"
O verbo "arrepender-se" é essencialmente pronominal: não existe "arrepender" sem o pronome nesse sentido. O "se" é parte integrante do verbo (PIV). Retirá-lo tornaria a frase agramatical: "O vaqueiro arrependeu do negócio" não é aceito na norma culta. Portanto, o "se" é parte necessária ao texto — exatamente o que o enunciado pede.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Minha avó é que tinha uma língua terrível"
Aqui o "que" é partícula expletiva ou de realce (também chamada de "que" expletivo). Pode ser retirado sem prejuízo: "Minha avó tinha uma língua terrível" — o sentido permanece. O "se" não aparece; a alternativa trata do "que", não do "se". Foge ao tema.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Mas, homem de Deus, que diabo! pense um pouco!"
O "se" não está presente. A expressão "que diabo" é uma interjeição de realce, mas não é a partícula "se". Tangencia a questão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Vou-me embora pra Pasárgada / Lá sou amigo do rei."
Aqui o "me" é pronome oblíquo átono, não "se". A frase não contém a partícula "se". Foge ao tema.
Conclusão
A única alternativa em que o "se" é necessário é a B, pois integra o verbo pronominal "arrepender-se". As demais ou não apresentam "se", ou o apresentam como expletivo (dispensável).
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar a partícula "se", pergunte: "posso retirar sem prejuízo?" Se sim, é expletiva. Se não, verifique se é PIV (verbo pronominal), reflexivo, PA ou IIS. Verbos como arrepender-se, queixar-se, suicidar-se são pronominais — o "se" é obrigatório.