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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FGV 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fg160448
Banca
FGV
Órgão
DPE RS
Ano
2023
Cargo
Tec ( )

Texto 1

 

Menos mortes e engarrafamentos: movimento quer reduzir a velocidade nas cidades brasileiras (adaptado)

 

Por Marcela Donini e Tiago Medina

 

Mais que uma mudança de cidade e país, a vida da fonoaudióloga Paula Dallegrave Priori mudou de estilo a partir de 2021. Acompanhada do marido e da filha, então com menos de 3 anos, ela trocou Porto Alegre por Barcelona. O carro da família, tão necessário para deslocamentos na capital gaúcha, ficou do lado de cá do oceano. Se antes era um elemento presente no cotidiano, tornou-se anacrônico na nova cidade.

 

“A percepção do trânsito em relação a Porto Alegre é bem clara: aqui é muito melhor. Não percebemos o ambiente tóxico que é o trânsito aí”, compara ela, usuária frequente do metrô, além de pedestre habitual. Aliás, caminhar na rua com a filha é, agora, mais tranquilo. “Os carros não andam em alta velocidade, respeitam o pedestre, faixa de trânsito, usam a seta, enfim tu consegues prever o que vai acontecer.”

 

Tendência em cidades que são exemplo em mobilidade ativa, a redução de velocidade foi decretada pelo governo espanhol em maio de 2021. Desde então, os limites na maioria das vias urbanas de todas as cidades espanholas são de até 30 km/h [...].

 

Um movimento no Brasil quer entrar nessa onda e readequar os limites nas vias das cidades de todo o país. A União de Ciclistas do Brasil (UCB), em parceria com outras entidades como a Fundação Thiago Gonzaga, propõe uma alteração no Código de Trânsito Brasileiro que fixaria em 60km/h o máximo permitido nas vias de trânsito rápido e 50km/h nas vias arteriais. [...] O máximo para vias coletoras e locais permaneceria em 40km/h e 30 km/h.

 

[...]

 

O documento publicado pela entidade apoia-se ainda em experiências brasileiras e estrangeiras nas quais a redução das velocidades levou a maior segurança no trânsito. São Paulo, por exemplo, fez alterações significativas nesse sentido desde 2011. Em 2015, foram reduzidos os limites em duas das principais vias expressas, as marginais Tietê e Pinheiros [...]. O sucesso da operação, destaca o relatório da UCB, foi verificado no ano seguinte, quando a cidade registrou uma queda de 52% no número de mortes nas duas marginais.

 

Outras experiências dentro e fora do Brasil comprovam a relação entre velocidades menores e menos mortes, mas ainda falta comunicar efetivamente esses dados à população. Uma pesquisa de opinião encomendada pela UCB a uma empresa terceirizada revelou que 82% dos entrevistados conhecem alguém que morreu no trânsito, e 9 em cada 10 consideram alto o número de mortes nas vias brasileiras. Quando a questão são limites de velocidade mais baixos, metade concorda que isso evitaria mais óbitos, mas 8 em cada 9 deixaram de citar a redução dos limites como fator importante para essa queda.

 

[...] “As pessoas sempre pensam que vão ter perda se forem mais devagar. Ao contrário, o trânsito flui melhor”, diz, citando o exemplo da ponte Rio-Niterói, onde o limite passou de 110km/h para 80km/h e houve melhoria na fluidez. “Por isso, estamos deixando de falar em redução, e usando o termo readequação de velocidades”, explica.

 

Ana Luiza Carboni, coordenadora do projeto Vias Seguras, destaca uma ilustração didática aprendida com a engenheira de transportes e professora da Universidade Federal de Alagoas Jessica Lima. “Pense em uma torneira aberta, com ralo pequeno. Se você abrir toda a torneira, a água vai acumular. Se abrir menos, ela vai escoar, vai passar mais lentamente, mas constantemente”, exemplifica. “É preciso mudar a visão de que ‘a velocidade vai fazer eu chegar primeiro’. Já está provado que a redução da velocidade máxima não tem impacto na velocidade média. As cidades são feitas de gargalos. Acelerar significa apenas que você vai chegar mais rápido num gargalo”, completa.

 

[...]

 

Status do carro

 

Em cidades planejadas para o carro, não à toa a população mais vulnerável no trânsito são pedestres, ciclistas e motociclistas – e dentro desse grupo, as vítimas mais comuns são pessoas negras, destaca Carboni.

 

Para a engenheira civil e gerente de mobilidade ativa do WRI, Paula Manoela dos Santos, a questão geracional é chave na mudança de visão que ainda precisa ser feita para o carro deixar de ser visto como o elemento central na mobilidade. “Ainda habita em nós uma questão de status do carro. A bicicleta é vista como veículo só no Código de Trânsito Brasileiro. Para as pessoas, nem sempre. Diria que até é um pouco marginalizada, como considerar que quem anda de bicicleta não teve sucesso”, diz.

 

Carboni sabe bem do que Santos está falando. A ativista, que não tem carro há oito anos, costuma contar a história de suas idas ao mercado: “Na hora de pagar, sempre perguntam se tenho o ticket do estacionamento, e eu respondo que não tenho carro. Até que um dia uma caixa falou ‘Deus há de prover um pra você'”.

 

Apesar de o caminho até um trânsito mais seguro ser longo, os especialistas ouvidos pelo Matinal são otimistas. Bohn lembra que já se avançou muito: “Hoje não é mais aceitável beber e dirigir como era 20 anos atrás”. A engenheira da WRI faz questão de ressaltar que as novas gerações têm outro entendimento, especialmente em relação ao carro.

 

Paula que o diga. A porto-alegrense cuja história abre a reportagem tem convicção de que o novo estilo de vida irá mudar a perspectiva da filha, de 4 anos, sobre mobilidade. “Hoje, ela está muito mais acostumada a ver as pessoas fazendo as coisas de bicicleta. Os ciclistas enfrentam dia de chuva, de frio. Isso é normal”, diz. Além do automóvel, também ficou para trás o hábito de entregar o celular na mão da pequena para driblar a impaciência dos momentos de trânsito parado.

 

Disponível em: https://www.matinaljornalismo.com.br/matinal/reportagem-matinal/reduzir-velocidade-nas-cidades-brasileiras/

“Outras experiências dentro e fora do Brasil comprovam a relação entre velocidades menores e menos mortes, mas ainda falta comunicar efetivamente esses dados à população.”

 

A passagem do texto 1 acima reescrita sem mudança substancial de significado é:

  1. ADesde que haja outras experiências dentro e fora do Brasil, comprova-se que há relação entre velocidades menores e menos mortes. Ainda falta, entretanto, comunicar efetivamente esses dados à população.
  2. BPor meio de outras experiências dentro e fora do Brasil, foi comprovada a relação entre velocidades menores e menos mortes, sendo assim ainda falta comunicar efetivamente esses dados aos cidadãos.
  3. CConforme demonstrado por outras experiências dentro e fora do Brasil, existe relação entre, de um lado, velocidades menores e, de outro, menos mortes. Ainda falta, no entanto, comunicar efetivamente esses dados à população.
  4. DEm havendo outras experiências dentro e fora do Brasil, comprova-se a relação entre velocidades menores e menos mortes, portanto ainda falta comunicar efetivamente esses dados à população.
  5. EComprovando a existência de relação entre velocidades menores e menos mortes, outras experiências dentro e fora do Brasil ainda devem ser comunicadas efetivamente à população.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Conforme demonstrado por outras experiências dentro e fora do Brasil, existe relação entre, de um lado, velocidades menores e, de outro, menos mortes. Ainda falta, no entanto, comunicar efetivamente esses dados à população.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita sem alteração de sentido: o valor dos conectivos

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que preserva integralmente o sentido do trecho original, pois mantém a relação de oposição expressa pelo "mas" (substituído por "no entanto") e a ideia de que as experiências comprovam a relação entre velocidades menores e menos mortes (substituída por "conforme demonstrado"). As demais alternativas alteram a relação lógica entre as ideias, trocando oposição por condição ou conclusão, ou invertem o sujeito da ação de comunicar.

O comando pede uma reescrita sem mudança substancial de significado — ou seja, uma paráfrase. Parafrasear não é apenas trocar palavras por sinônimos; é reescrever mantendo as relações semânticas entre as ideias. O trecho original tem duas orações ligadas por "mas": a primeira afirma que experiências comprovam a relação entre velocidade e mortes; a segunda introduz uma ressalva — falta comunicar esses dados à população. O conectivo "mas" é adversativo (oposição/ressalva). Qualquer reescrita que troque esse valor por outro (condição, conclusão) muda o sentido.

No texto-base, o trecho aparece no 5º parágrafo: "Outras experiências dentro e fora do Brasil comprovam a relação entre velocidades menores e menos mortes, mas ainda falta comunicar efetivamente esses dados à população." A banca testa exatamente a preservação do valor adversativo e a manutenção do sujeito da oração principal (as experiências comprovam).

A técnica que decide: identifique o conectivo e o valor que ele instaura. "Mas" = oposição/ressalva. Na reescrita, o conectivo equivalente deve manter esse valor: "no entanto", "entretanto", "porém", "contudo". Se a alternativa usar "desde que" (condição), "portanto" (conclusão) ou "em havendo" (condição), o sentido muda. Além disso, verifique quem é o sujeito de "comprovar": são as experiências. Se a reescrita colocar outro sujeito ou inverter a relação, está errada.

PEGA ESSA DICA!

Sublinhe o conectivo e pergunte: "que relação ele estabelece?" Depois, teste cada alternativa trocando o conectivo por um sinônimo do mesmo valor. Se não couber, a alternativa alterou o sentido.

Reescrita sem mudança de sentido
  • 1Preservar relações semânticas
    • Conectivo "mas" = oposição
      • Equivale a: no entanto, porém, contudo
      • Condição ("desde que", "em havendo")
      • Conclusão ("portanto", "sendo assim")
  • 2Manter sujeito da ação
    • Experiências comprovam a relação
    • Inverter sujeito/objeto
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de relação semântica (condição no lugar de oposição). O trecho "Desde que haja outras experiências..." introduz uma condição para que se comprove a relação. No original, as experiências já comprovam — não há condição. Além disso, "entretanto" mantém a oposição, mas a primeira parte já está errada. O texto diz que as experiências comprovam; a alternativa diz que a comprovação depende de elas existirem. Isso é uma extrapolação da relação causal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de relação semântica (conclusão no lugar de oposição). "Sendo assim" é um conectivo conclusivo (equivale a "portanto"), enquanto o original usa "mas" (adversativo). A relação entre as duas ideias muda: no original, a segunda ideia é uma ressalva à primeira; na alternativa, a segunda é uma consequência da primeira. Além disso, "aos cidadãos" é uma paráfrase aceitável de "à população", mas o erro do conectivo já invalida a alternativa.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Preserva o sentido integralmente. "Conforme demonstrado por outras experiências" mantém a ideia de que as experiências comprovam a relação (mesmo valor semântico de "comprovam"). "Existe relação entre, de um lado, velocidades menores e, de outro, menos mortes" é uma reescrita clara e fiel. "Ainda falta, no entanto" preserva a oposição do "mas". Todos os elementos do original estão presentes, sem acréscimos ou supressões. É a paráfrase perfeita.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de relação semântica (condição + conclusão). "Em havendo outras experiências" é uma condicional (equivale a "se houver"), e "portanto" é conclusivo. O original não condiciona a comprovação à existência das experiências, nem apresenta a falta de comunicação como consequência. A relação de oposição desaparece. Duplo erro: o conectivo inicial e o final.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: inversão do sujeito e do objeto. No original, quem comprova são as experiências, e o que falta comunicar são os dados. Na alternativa, "outras experiências... ainda devem ser comunicadas" — ou seja, as experiências passam a ser o objeto da comunicação, e não o sujeito que comprova. Isso inverte a relação lógica. Além disso, o conectivo "mas" (oposição) é substituído por uma estrutura que não expressa oposição.

Conclusão: a reescrita correta deve preservar as relações semânticas (oposição) e a estrutura argumentativa (quem comprova, o que falta comunicar). A alternativa C é a única que faz isso. Gabarito: letra C.

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