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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FGV 2023

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
fg160461
Banca
FGV
Órgão
Pref RJ
Ano
2023
Cargo
FR ( )

Leia com atenção o trecho abaixo, fragmento de uma crônica retirada do Jornal do Comércio, de 3 de junho de 2011:

 

“Desde que me distanciei do Brasil, tenho visto a inteligência dos meus compatriotas cair para níveis que às vezes ameaçam raiar o sub-humano”.

 

Sobre os componentes desse pequeno texto, é correto afirmar que:

  1. Aa frase “Desde que me distanciei do Brasil” equivale à forma nominal “Desde que houve o meu distanciamento do Brasil”;
  2. Ba forma verbal “tenho visto” marca uma ação passada anterior a outra ação passada;
  3. Co pronome possessivo “meus”, em relação a “compatriotas”, tem o valor de propriedade;
  4. Do pronome relativo “que” estabelece relação de coesão com o substantivo “níveis”;
  5. Eno vocábulo “sub-humano”, o prefixo sub- tem valor pejorativo, equivalente a “pior do que”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — o pronome relativo “que” estabelece relação de coesão com o substantivo “níveis”;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise morfossintática e semântica do trecho da crônica

Gabarito: letra D. A alternativa correta é a que afirma que o pronome relativo “que” estabelece relação de coesão com o substantivo “níveis”. Isso se prova diretamente no trecho: “tenho visto a inteligência dos meus compatriotas cair para níveis que às vezes ameaçam raiar o sub-humano”. O “que” retoma “níveis”, funcionando como sujeito da forma verbal “ameaçam” — por isso o verbo está no plural, concordando com o antecedente. As demais alternativas ou distorcem o sentido, ou atribuem valores que o texto não autoriza.

O comando da questão

O enunciado pede que se analisem componentes do pequeno texto — ou seja, é uma questão de gramática aplicada ao texto, não de interpretação global. Cada alternativa testa um ponto específico: equivalência de orações, valor temporal do verbo, valor do pronome possessivo, função do pronome relativo e valor do prefixo. O método é: para cada afirmação, verificar se ela corresponde exatamente ao que está no trecho, sem acrescentar nem restringir.

O texto e o ponto central

O trecho é uma crônica em que o autor, distante do Brasil, observa a queda da inteligência dos compatriotas. A oração principal é “tenho visto a inteligência dos meus compatriotas cair para níveis que às vezes ameaçam raiar o sub-humano”. A resposta mora na oração adjetiva restritiva introduzida por “que”: ela restringe “níveis”, especificando quais níveis são esses. O pronome relativo “que” é um elemento coesivo referencial — retoma um termo anterior (o antecedente) e, ao mesmo tempo, inicia uma nova oração, funcionando como sujeito dela. Essa dupla função é a chave da questão.

A técnica que decide

Para identificar o referente de um pronome relativo, pergunte: quem pratica a ação do verbo da oração adjetiva? No trecho, “ameaçam raiar o sub-humano” — quem ameaça? Os níveis. Logo, “que” retoma “níveis”. A concordância verbal confirma: “ameaçam” está no plural porque concorda com “níveis”. Esse é o teste infalível: o pronome relativo herda o número e a pessoa do antecedente.

Análise das alternativas

1Função coesiva
Retoma antecedente
Inicia oração adjetiva
2Teste: quem pratica a ação?
Verbo "ameaçam" (plural)
Antecedente: "níveis"
3Concordância verbal confirma
Pronome relativo "que"
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Pronome relativo "que": Função coesiva (Retoma antecedente, Inicia oração adjetiva); Teste: quem pratica a ação? (Verbo "ameaçam" (plural), Antecedente: "níveis"); Concordância verbal confirma

Alternativa A — ❌ Incorreta

A frase “Desde que me distanciei do Brasil” é uma oração subordinada adverbial temporal reduzida de infinitivo? Não — é uma oração desenvolvida com verbo no pretérito perfeito do indicativo (“distanciei”). A forma nominal correspondente seria “Desde o meu distanciamento do Brasil” (substantivo), não “Desde que houve o meu distanciamento” — essa construção é redundante e artificial, além de não ser uma forma nominal (é outra oração com verbo “houve”). A banca tenta confundir com a ideia de nominalização, mas a equivalência correta seria com um substantivo (“Desde o meu distanciamento”), não com outra oração. Erro: troca de conceito — confunde oração desenvolvida com forma nominal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Tenho visto” é o pretérito perfeito composto do indicativo (ter + particípio). Esse tempo expressa um fato que começou no passado e se prolonga até o presente, ou uma repetição de ações até o momento da fala. Não indica uma ação passada anterior a outra ação passada — isso seria o mais-que-perfeito (vira, vira, vira...). Exemplo: “Quando cheguei, ele já tinha saído” (mais-que-perfeito composto). No texto, “tenho visto” sugere que o autor vem observando a queda desde que se distanciou — uma ação que continua no presente. Erro: contradiz o texto — atribui ao verbo um valor temporal que ele não tem.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O pronome possessivo “meus” indica posse? Não — indica relação de pertencimento ou vínculo, não propriedade. “Meus compatriotas” são os compatriotas do autor (relação de nacionalidade, de grupo), não algo que ele possui. O valor de posse seria algo como “meus livros” (objetos que possuo). A gramática distingue: o possessivo pode ter valor de posse, relação, afeto, respeito, etc. Aqui, o valor é de relação/pertinência. Erro: generalização — atribui um valor específico (posse) a um pronome que, no contexto, tem outro valor.

Alternativa D — ✅ Correta

Como provado, “que” é pronome relativo e retoma “níveis”. A oração “que às vezes ameaçam raiar o sub-humano” é adjetiva restritiva — restringe o sentido de “níveis”, especificando quais são. O pronome relativo é um mecanismo de coesão referencial: substitui o antecedente e o retoma na nova oração. A concordância “ameaçam” (plural) confirma o referente. Correta — é a única afirmação inteiramente sustentada pelo texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O prefixo “sub-” tem valor de inferioridade, posição abaixo, gradação — não valor pejorativo. “Sub-humano” significa “abaixo do nível humano”, “que está aquém do humano” — é uma hipérbole (exagero) para criticar a queda da inteligência, mas o prefixo em si não é pejorativo; ele indica inferioridade hierárquica ou de grau. Pejorativo seria um prefixo como “pseudo-” (falso) ou o sufixo “-aço” (grande, mas com carga negativa). Erro: troca de conceito — confunde valor semântico do prefixo com valor pejorativo.

Conclusão

A questão testa a função coesiva do pronome relativo — um dos tópicos mais cobrados em concursos. A técnica é sempre a mesma: identifique o verbo da oração adjetiva e pergunte quem pratica a ação; o pronome relativo retoma o termo que responde a essa pergunta. As demais alternativas erram por extrapolar (A), contradizer (B), generalizar (C) ou trocar conceito (E).

PEGA ESSA DICA!

Em questões de pronome relativo, sublinhe o verbo da oração adjetiva e pergunte “quem?” — o antecedente é a resposta. A concordância verbal é a prova material.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora testar o valor do possessivo (posse × relação) e o valor do prefixo (inferioridade × pejorativo). Fique atento ao contexto: “meus compatriotas” não são propriedade do autor, e “sub-humano” não é um xingamento, é uma gradação.

Gabarito: letra D

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