Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FGV 2023
Português›Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
fg160462
Banca
FGV
Órgão
Pref RJ
Ano
2023
Cargo
FR ( )
Observe a seguinte frase de um jornalista colombiano:
"Um a um somos todos mortais. Juntos, somos eternos”.
Sobre a estruturação dessa frase, é correto afirmar que:
Aa locução “um a um” equivale ao advérbio “unicamente”;
Bo pronome indefinido “todos” é semanticamente indispensável na frase;
Centre os dois períodos que compõem a frase, poderia estar adequadamente a conjunção concessiva “embora”;
Do adjetivo “mortais” funciona como antônimo de “eternos”;
Eo emprego da vírgula no segundo período se deve à elipse do pronome indefinido “todos”.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — o adjetivo “mortais” funciona como antônimo de “eternos”;
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Antônimos e a estrutura da frase: "mortais" × "eternos"
Gabarito: letra D. A alternativa correta afirma que o adjetivo "mortais" funciona como antônimo de "eternos" — e isso se prova no próprio texto: "Um a um somos todos mortais. Juntos, somos eternos". Os dois termos estão em oposição semântica direta: quem é mortal está sujeito à morte; quem é eterno não morre. A frase constrói uma antítese (figura de pensamento) entre a condição individual e a coletiva, e a alternativa D apenas nomeia essa relação de oposição de sentido.
O comando da questão
O enunciado pede que se analise a estruturação da frase — ou seja, não se trata de interpretar o sentido global, mas de examinar aspectos gramaticais e semânticos de cada elemento: o valor da locução "um a um", a função do pronome "todos", a possibilidade de inserir uma conjunção, a relação de sentido entre "mortais" e "eternos", e o motivo da vírgula. Cada alternativa testa um ponto específico; a correta é a única que descreve com precisão o que ocorre no texto.
O texto e a relação de oposição
A frase do jornalista colombiano é um paralelismo antitético:
"Um a um somos todos mortais. Juntos, somos eternos".
"Um a um" = individualmente, de forma isolada.
"Juntos" = coletivamente, em união.
"mortais" = sujeitos à morte.
"eternos" = imunes à morte, que duram para sempre.
A oposição entre "mortais" e "eternos" é lexical: são antônimos. A alternativa D apenas reconhece essa relação, que está explícita no texto. Não há qualquer extrapolação: o texto diz exatamente isso.
A técnica que decide
Para resolver, basta confrontar cada alternativa com o texto e perguntar: "o texto autoriza esta afirmação?". A alternativa D é a única que se sustenta integralmente. As demais ou extrapolam (A, B, C) ou contradizem a estrutura real da frase (E).
Alternativa A — ❌ Incorreta
A locução "um a um" não equivale ao advérbio "unicamente". "Um a um" significa "individualmente", "um de cada vez" — indica modo, mas não exclusividade. "Unicamente" significa "somente", "apenas", e não é o sentido da locução. A alternativa extrapola ao atribuir um valor semântico que o texto não contém.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O pronome indefinido "todos" não é semanticamente indispensável. Na primeira oração, "Um a um somos todos mortais", o sujeito é "nós" (desinencial) e "todos" funciona como adjunto adnominal ou aposto — pode ser retirado sem prejuízo sintático: "Um a um somos mortais" continua correta e com sentido muito próximo. A alternativa restringe indevidamente o papel do pronome, tratando-o como essencial quando é dispensável.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A conjunção concessiva "embora" não poderia ligar adequadamente os dois períodos. "Embora" introduz uma concessão (fato que se admite, mas que não impede o outro): "Embora sejamos mortais, somos eternos" — mas isso inverteria a lógica da frase original, que é de oposição entre individual e coletivo, não de concessão. A relação entre as duas orações é de contraste (antítese), que poderia ser marcada por "mas" ou "porém", não por "embora". A alternativa contradiz a relação semântica real.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O adjetivo "mortais" é antônimo de "eternos". A oposição é direta: mortal = que morre; eterno = que não morre. O texto explora essa oposição para construir a antítese entre a condição individual (mortal) e a coletiva (eterna). A alternativa está inteiramente sustentada pelo texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A vírgula no segundo período — "Juntos, somos eternos" — não se deve à elipse do pronome "todos". A vírgula separa o adjunto adverbial "Juntos" (deslocado para o início da oração) do restante: "somos eternos". Não há elipse de "todos" — o sujeito é "nós" (desinencial) e "todos" não aparece. A alternativa contradiz a função real da vírgula, que é marcar o deslocamento do adjunto adverbial.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "um a um" e "unicamente" (A) e a tentação de considerar "todos" indispensável (B), quando é dispensável. A letra E tenta atribuir à vírgula uma função que ela não tem — a de marcar elipse — quando, na verdade, separa um adjunto adverbial deslocado.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "estruturação da frase", teste cada alternativa com a pergunta: "o texto autoriza isto?" — e desconfie de afirmações que acrescentam sentidos (como "unicamente") ou que atribuem funções sintáticas inexistentes (como a elipse em E).
Gabarito: letra D — a única que descreve com precisão a relação de sentido entre "mortais" e "eternos", sem extrapolar, restringir ou contradizer o texto.