Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FGV 2023
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Código
fg160487
Banca
FGV
Órgão
Pref BH
Ano
2023
Cargo
Prof ( )
Múltiplas são as razões de recomendar prudência aos motoristas: recomendando prudência, defendemos o homem contra ele mesmo. Quantas vidas humanas, de fato, são estúpida e lamentavelmente perdidas cada dia nas estradas? As estradas matam mais que o câncer, e tanto quanto as doenças cardiovasculares.
Recomendando prudência, defendemos o bem comum. Os acidentes nas estradas custam caro à sociedade. Pagamentos de hospitalização e de próteses, indenizações de todos os tipos, absorvem um percentual importante dos fundos do seguro social. Ora, isso é parte do bem-comum já que é composto pela contribuição de todos os trabalhadores.
Recomendando prudência, protegemos o atrativo das viagens, feito pelo olhar de descobertas. Ora, como ver quando passamos como um bólido? E como lembrarmos do que vimos após o traumatismo de um acidente ou do desconforto de uma batida?
Tudo isso junto, concluímos que devemos ser prudentes. Como dizia o velho adágio, “a prudência é a mãe da segurança”.
Analise a estruturação do seguinte texto:
Sobre o conteúdo e a estruturação do texto acima, assinale a afirmativa correta.
ATrata-se de um texto argumentativo em que os argumentos em defesa da prudência partem da menor para a maior gravidade.
BNo primeiro parágrafo, os dois últimos períodos apresentam as causas da afirmação anterior.
CAs perguntas finais do penúltimo parágrafo são feitas com a intenção de serem respondidas pelos leitores a fim de causar interesse pela leitura.
DA última frase do texto acrescenta um argumento apoiado nas estatísticas.
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GabaritoB — No primeiro parágrafo, os dois últimos períodos apresentam as causas da afirmação anterior.
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Estruturação do texto argumentativo: a relação de causa no primeiro parágrafo
Gabarito: letra B. A afirmativa correta é a que diz que, no primeiro parágrafo, os dois últimos períodos apresentam as causas da afirmação anterior. Isso se prova diretamente no texto: a frase inicial "Múltiplas são as razões de recomendar prudência aos motoristas" é uma afirmação geral, e os períodos seguintes — "Quantas vidas humanas, de fato, são estúpida e lamentavelmente perdidas cada dia nas estradas?" e "As estradas matam mais que o câncer, e tanto quanto as doenças cardiovasculares" — funcionam como justificativas, ou seja, causas que explicam por que devemos recomendar prudência.
O comando pede que você analise a estruturação do texto, ou seja, como as ideias se organizam e se relacionam. Não se trata de uma questão de compreensão literal (o que o texto diz), mas de interpretação da função de cada parte no conjunto. Para resolver, é preciso identificar a tese (a ideia defendida), os argumentos (as razões que a sustentam) e a conclusão, além de perceber as relações lógicas entre os períodos, como causa e consequência.
O texto é claramente dissertativo-argumentativo: o autor defende a tese de que devemos ser prudentes no trânsito, apresentando três argumentos principais (proteção do indivíduo, do bem comum e do prazer de viajar) e concluindo com um adágio popular. No primeiro parágrafo, a estrutura é: afirmação geral → pergunta retórica que ilustra o problema → dado comparativo que reforça a gravidade. A pergunta e o dado não são fatos novos, mas explicações que sustentam a afirmação inicial.
A técnica central aqui é reconhecer a relação de causa e consequência entre as orações. Quando o autor afirma que há "múltiplas razões" e em seguida pergunta quantas vidas são perdidas e compara as mortes no trânsito com as do câncer, ele está oferecendo evidências que justificam a recomendação de prudência. Essas evidências são as causas que tornam a prudência necessária. A alternativa B capta exatamente essa relação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir a ordem de apresentação dos argumentos (que não é crescente de gravidade) com a relação de causa entre as frases. Além disso, atribui às perguntas retóricas uma intenção de interação com o leitor que não está no texto — elas são apenas um recurso expressivo para enfatizar o problema.
1Afirmação geral (múltiplas razões)
2Pergunta retórica (vidas perdidas)
3Dado comparativo (câncer/cardiovasculares)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmativa diz que os argumentos partem da menor para a maior gravidade. Isso não ocorre. No primeiro parágrafo, o autor fala da perda de vidas humanas; no segundo, do custo financeiro para a sociedade; no terceiro, do prejuízo ao prazer de viajar. Não há uma gradação explícita de gravidade — os argumentos são apresentados de forma paralela, cada um com seu peso. A alternativa extrapola ao impor uma ordem que o texto não estabelece.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como já demonstrado, os dois últimos períodos do primeiro parágrafo são causas da afirmação anterior. Veja o trecho:
"Múltiplas são as razões de recomendar prudência aos motoristas: recomendando prudência, defendemos o homem contra ele mesmo. Quantas vidas humanas, de fato, são estúpida e lamentavelmente perdidas cada dia nas estradas? As estradas matam mais que o câncer, e tanto quanto as doenças cardiovasculares."
A pergunta retórica e a comparação com o câncer e as doenças cardiovasculares justificam a necessidade de prudência, ou seja, são as causas que explicam a afirmação inicial. A alternativa está inteiramente sustentada pelo texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmativa diz que as perguntas finais do penúltimo parágrafo são feitas com a intenção de serem respondidas pelos leitores para causar interesse. Isso é uma extrapolação. As perguntas "Ora, como ver quando passamos como um bólido? E como lembrarmos do que vimos após o traumatismo de um acidente ou do desconforto de uma batida?" são retóricas: não esperam resposta do leitor, mas servem para enfatizar a impossibilidade de apreciar a viagem quando se dirige em alta velocidade. O texto não menciona qualquer intenção de interação com o leitor.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A última frase do texto é: "Como dizia o velho adágio, 'a prudência é a mãe da segurança'." Essa frase não acrescenta um argumento apoiado em estatísticas; ela é uma citação de um provérbio popular, um argumento de autoridade tradicional, não um dado numérico. A alternativa contradiz o conteúdo do texto, pois atribui à frase uma natureza estatística que ela não possui.
Conclusão: a questão testa sua capacidade de perceber a função estrutural de cada parte do texto. A alternativa B é a única que descreve corretamente a relação de causa entre os períodos do primeiro parágrafo. As demais ou impõem uma ordem inexistente (A), ou atribuem intenções não ditas (C), ou confundem o tipo de argumento (D).
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar a estrutura de um texto argumentativo, pergunte-se: qual é a tese? Quais são os argumentos? Como eles se relacionam (causa, consequência, oposição, conclusão)? Grife os conectivos e observe se as frases seguintes explicam, exemplificam ou justificam a anterior.