Questão de Banco de Dados — Modelo Entidade-Relacionamento (MER) — FGV 2023
Banco de Dados›Modelo Entidade-Relacionamento (MER)
Código
fg161105
Banca
FGV
Órgão
TJ RN
Ano
2023
Cargo
AJ ( )
Observe o seguinte Modelo Entidade Relacionamento a seguir. O modelo ilustrado atende a regra de negócio:
Aum autor pode escrever diversos livros;
Bcada livro pode ser escrito por diversos autores;
Cpara se tornar cliente, é necessário pelo menos uma compra;
Dcliente e autor são especializações da entidade pessoa;
Eos atributos ID podem armazenar letras, números e símbolos.
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GabaritoC — para se tornar cliente, é necessário pelo menos uma compra;
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Modelo Entidade-Relacionamento: leitura de cardinalidade no DER
Gabarito: letra C. A regra de negócio que o diagrama ilustra é que, para se tornar cliente, é necessário pelo menos uma compra — a cardinalidade mínima do lado do cliente no relacionamento é 1 (participação total), o que obriga toda instância de cliente a estar associada a, no mínimo, uma compra. As demais alternativas distorcem a leitura das cardinalidades ou dos símbolos do diagrama.
O Modelo Entidade-Relacionamento (MER) é um modelo conceitual de dados, criado por Peter Chen em 1976, que descreve, de forma abstrata, os dados de um domínio de negócio por meio de três componentes principais: entidades (objetos do mundo real sobre os quais se deseja manter informações), atributos (propriedades que caracterizam as entidades) e relacionamentos (associações entre entidades). O diagrama que representa graficamente esse modelo é o DER (Diagrama Entidade-Relacionamento), no qual entidades são desenhadas como retângulos, relacionamentos como losangos e atributos como elipses.
A leitura correta de um DER exige atenção especial à cardinalidade, que expressa quantas ocorrências de uma entidade podem (ou devem) estar associadas a ocorrências da outra entidade no relacionamento. A cardinalidade é representada por um par (mínima, máxima) em cada extremidade da linha que liga a entidade ao losango. A cardinalidade mínima indica se a participação é total (obrigatória, mínimo 1) ou parcial (opcional, mínimo 0); a máxima indica se é única (1) ou múltipla (N ou M).
No diagrama da questão, o relacionamento entre CLIENTE e COMPRA (ou PEDIDO) tem cardinalidade (1,N) do lado do cliente e (1,N) do lado da compra. Isso significa que: cada cliente deve ter feito pelo menos uma compra (mínimo 1) e pode ter feito várias (máximo N); cada compra pertence a um e somente um cliente (máximo 1) e, como a mínima também é 1, toda compra obrigatoriamente pertence a um cliente. Essa leitura é o coração da questão: a alternativa correta é justamente a que traduz a cardinalidade mínima 1 do lado do cliente.
A pegadinha clássica da banca nesse tema é inverter a leitura da cardinalidade — o aluno lê a cardinalidade do lado errado ou confunde o mínimo com o máximo. Por exemplo, ao ver (1,N) do lado do cliente, muitos interpretam que "um cliente pode ter vários livros", quando na verdade o que está sendo expresso é que cada cliente deve ter no mínimo uma compra. A cardinalidade do lado do cliente (1,N) descreve quantas compras um cliente pode ter, e não quantos clientes um livro pode ter. Guarde essa distinção: a cardinalidade em cada ponta da linha descreve a participação da entidade daquele lado no relacionamento.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que "um autor pode escrever diversos livros". No diagrama, o relacionamento entre AUTOR e LIVRO tem cardinalidade (1,1) do lado do livro, o que significa que cada livro é escrito por exatamente um autor — não por diversos. A leitura correta é: um autor pode escrever vários livros (cardinalidade N do lado do livro), mas cada livro tem um único autor. A alternativa inverte a leitura da cardinalidade máxima do lado do livro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que "cada livro pode ser escrito por diversos autores". Isso contraria diretamente a cardinalidade (1,1) do lado do autor no relacionamento AUTOR-ESCREVE-LIVRO. A cardinalidade máxima 1 indica que cada livro é escrito por um único autor, não por diversos. A alternativa confunde a cardinalidade do relacionamento, atribuindo ao livro uma multiplicidade que o diagrama não suporta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que "para se tornar cliente, é necessário pelo menos uma compra". Essa é a tradução exata da cardinalidade mínima 1 do lado do cliente no relacionamento CLIENTE-FAZ-COMPRA. A participação total (mínimo 1) significa que toda instância de cliente deve estar associada a, no mínimo, uma compra — não é possível existir um cliente sem compra. É a leitura correta da cardinalidade (1,N) do lado do cliente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que "cliente e autor são especializações da entidade pessoa". No diagrama, CLIENTE e AUTOR aparecem como entidades independentes, sem qualquer relacionamento de especialização/generalização com uma entidade PESSOA. Especialização (ou generalização) é representada no DER por um relacionamento específico (triângulo ou losango com "ISA"), que não está presente no diagrama. A alternativa inventa uma hierarquia que o modelo não representa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que "os atributos ID podem armazenar letras, números e símbolos". Atributos identificadores (chaves primárias) são, por definição, campos que identificam unicamente cada instância da entidade. Embora possam ser alfanuméricos em alguns SGBDs, a afirmação é genérica demais e não decorre do diagrama. Além disso, no contexto de modelagem conceitual, a natureza do atributo ID (se aceita letras, números ou símbolos) é uma decisão de implementação física, que não é representada no MER. O diagrama não fornece informação sobre os tipos de dados dos atributos.
Gabarito: letra C — a única alternativa que traduz corretamente a cardinalidade mínima 1 do relacionamento entre cliente e compra.