Sobre a produção de cortes histológicos em tecidos fixados em formol e processados para parafina, analise as afirmativas a seguir.
I. Os cortes histológicos devem ser realizados em criostatos próprios para parafina.
II. As lâminas utilizadas para coleta dos cortes histológicos devem ser previamente tratadas com adesivos, tais como, Albumina de Mayer ou Silane, para evitar a queda dos tecidos.
III. A temperatura recomendada para os banhos histológicos utilizados na distensão dos cortes, é de 60ºC.
Está correto o que se afirma em
AI, apenas.
BII, apenas.
CIII, apenas.
DI e II, apenas.
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GabaritoB — II, apenas.
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Produção de cortes histológicos: microtomia, adesivos e banhos
Gabarito: letra B — apenas o item II está correto. As lâminas para coleta de cortes histológicos de tecidos incluídos em parafina devem ser previamente tratadas com adesivos como Albumina de Mayer ou Silane, para garantir a aderência do tecido. O item I erra ao afirmar que cortes de material em parafina são feitos em criostato (esse aparelho é usado para tecidos congelados), e o item III erra ao indicar 60ºC para o banho de distensão (a temperatura adequada é em torno de 40–45ºC, pois a parafina funde-se nessa faixa).
A produção de cortes histológicos é uma etapa central da técnica histológica, que transforma um fragmento de tecido fixado e incluído em parafina em fatias finíssimas (geralmente de 3 a 5 µm) capazes de serem observadas ao microscópio. O processo completo envolve: fixação (formol), desidratação, diafanização, inclusão em parafina, microtomia (corte), distensão em banho-maria, coleta em lâmina e coloração. Cada etapa tem parâmetros específicos, e é exatamente sobre esses parâmetros que a questão se debruça.
A microtomia é a etapa do corte. O equipamento usado é o micrótomo, que pode ser de diversos tipos (rotativo, de deslizamento, etc.). Para tecidos incluídos em parafina, o bloco é fixado no micrótomo e a navalha corta fatias sequenciais. O criostato, por sua vez, é um micrótomo instalado dentro de uma câmara refrigerada (em torno de -20ºC a -30ºC), utilizado para cortar tecidos congelados — técnica empregada, por exemplo, em biópsias de congelação durante cirurgias, quando se precisa de um diagnóstico rápido. Portanto, a afirmativa I está incorreta ao associar criostato à parafina: são métodos distintos de preparo.
A coleta dos cortes na lâmina exige que esta seja previamente tratada com substâncias adesivas. Isso porque, durante as etapas subsequentes de coloração (que envolvem banhos em xilol, álcool e água), o tecido pode se desprender da lâmina. A Albumina de Mayer (uma mistura de clara de ovo e glicerina) e o Silane (um organosilano) são os adesivos mais comuns. A albumina é aplicada em uma camada fina; o silano, geralmente em solução, cria uma ligação química com o vidro e o tecido. Essa é uma prática rotineira e essencial para a qualidade do preparado — e é exatamente o que afirma o item II.
A distensão dos cortes é feita em um banho-maria histológico (também chamado de banho de flutuação), que contém água destilada aquecida. O corte, ao ser depositado na superfície da água, estica-se e as dobras desaparecem, facilitando a coleta na lâmina. A temperatura desse banho deve ser inferior ao ponto de fusão da parafina, que é de aproximadamente 56–60ºC. Se a água estiver a 60ºC, a parafina derrete e o corte se desfaz. A temperatura recomendada é de 40–45ºC (alguns protocolos citam até 50ºC, mas nunca 60ºC). Portanto, o item III está incorreto.
A pegadinha da banca está em inverter o equipamento (criostato × micrótomo) e em superaquecer o banho de distensão. O candidato que decora os nomes sem entender a função de cada aparelho e a faixa de temperatura da parafina tende a errar. Guarde a lógica: parafina funde a ~60ºC → banho de distensão deve ficar abaixo disso; tecido congelado → criostato; tecido em parafina → micrótomo comum.
Técnica histológica (parafina): Microtomia (Micrótomo (parafina), Criostato (congelado)); Coleta em lâmina (Adesivos: Albumina de Mayer ou Silane); Distensão em banho-maria (40–45ºC (abaixo da fusão da parafina), 60ºC derrete o corte)
Item I — ❌ Incorreto
Afirma que os cortes histológicos devem ser realizados em criostatos próprios para parafina. Há uma dupla confusão: o criostato é o equipamento para tecidos congelados, não para parafina; e o aparelho usado para parafina é o micrótomo. O criostato mantém o bloco congelado durante o corte, o que não se aplica a blocos de parafina, que são cortados em temperatura ambiente.
Item II — ✅ Correto
As lâminas devem ser tratadas com adesivos como Albumina de Mayer ou Silane para evitar que os cortes se desprendam durante as etapas de coloração. A albumina de Mayer é uma solução de clara de ovo e glicerina; o silano (como o 3-aminopropiltrietoxissilano) promove ligação covalente com o vidro. Ambos são amplamente utilizados na rotina histológica.
Item III — ❌ Incorreto
A temperatura recomendada para o banho de distensão é de 40–45ºC, não 60ºC. A parafina tem ponto de fusão em torno de 56–60ºC; se o banho estiver a 60ºC, o corte derrete e se desfaz. A faixa de 40–45ºC permite que o corte amoleça e se estique sem fundir.
Conclusão: apenas o item II está correto, portanto o gabarito é a letra B.