Questão de Biologia — Práticas de Limpeza, Desinfecção e Esterilização — FGV 2024
Biologia›Práticas de Limpeza, Desinfecção e Esterilização
Código
fg161680
Banca
FGV
Órgão
ENARE
Ano
2024
Cargo
RMAPS ( )
A esterilização de materiais é um processo comum para evitar a contaminação. É muito usado no ambiente hospitalar e, também, para o delineamento de experimentos, principalmente na área da microbiologia. Um dos tipos de esterilização é o processo de autoclavagem. Nesse processo, os materiais são expostos ao vapor com alta pressão a uma temperatura superior a 100ºC, por um período específico, com o intuito de eliminar uma ampla gama de microorganismos. Antes do início do processo de autoclavagem deve-se adicionar água ao equipamento. Assinale a opção que indica a característica da água adicionada.
AMineral.
BCom salinidade superior a 30.
CSalobra, com salinidade inferior a 15.
DDestilada, obtida pelo processo de evaporação ou ebulição.
EUltrapura do tipo I, isto é, contém apenas um número equilibrado de íons H+ e OH–.
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GabaritoD — Destilada, obtida pelo processo de evaporação ou ebulição.
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Autoclavagem: a água do equipamento
Gabarito: letra D. Na autoclavação, a água adicionada ao equipamento deve ser destilada, obtida por evaporação ou ebulição, para evitar a formação de incrustações minerais (crostas) que danificam o equipamento e comprometem a transferência de calor. As demais alternativas descrevem tipos de água inadequados para esse fim.
A autoclavação é um método de esterilização por calor úmido sob pressão. O princípio é simples: a água é aquecida até gerar vapor, que, sob pressão, atinge temperaturas superiores a 100 °C (tipicamente 121 °C ou 134 °C), suficientes para coagular proteínas e destruir micro-organismos, incluindo esporos bacterianos. A água é o meio que transfere o calor para os materiais, e sua qualidade influencia diretamente a eficiência e a durabilidade do processo.
A água destilada é produzida pela evaporação (ou ebulição) da água, seguida de condensação do vapor. Esse processo remove a maioria dos sais minerais dissolvidos, como cálcio e magnésio, que são os responsáveis pela formação de incrustações (crostas) nas paredes internas da câmara e nos elementos de aquecimento da autoclave. Essas incrustações agem como isolante térmico, reduzindo a eficiência da transferência de calor e podendo danificar o equipamento. Além disso, resíduos minerais podem se depositar sobre os materiais esterilizados, comprometendo sua integridade.
A escolha da água destilada é uma prática padrão em laboratórios e ambientes hospitalares, pois garante a longevidade do equipamento e a reprodutibilidade do processo de esterilização. A água mineral, por exemplo, contém sais que formam crostas; a água salobra ou com alta salinidade é ainda mais problemática, pois os sais podem corroer o aço inoxidável da câmara. A água ultrapura, embora seja a mais pura, é desnecessária para a autoclavação, pois o custo de produção é alto e a água destilada já atende plenamente aos requisitos.
A pegadinha desta questão está em confundir a água usada na autoclave com a água usada em outros processos laboratoriais, como a água ultrapura (tipo I) usada em análises sensíveis. A banca explora o conhecimento específico sobre o funcionamento da autoclave, onde a prioridade é evitar incrustações, não a pureza química absoluta.
Água na autoclave: Requisito (Evitar incrustações minerais, Garantir transferência de calor); Água mineral (Sais formam crostas); Água salina/salobra (Corrosão do aço inoxidável); Água destilada (Evaporação/ebulição + condensação, Remove sais dissolvidos); Água ultrapura tipo I (Custo alto, desnecessária)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A água mineral contém sais dissolvidos (cálcio, magnésio, etc.) que, durante o aquecimento, formam incrustações (crostas) nas paredes e resistências da autoclave. Isso reduz a eficiência da transferência de calor, pode danificar o equipamento e até contaminar os materiais. Por isso, a água mineral é inadequada para a autoclavação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Água com salinidade superior a 30 (provavelmente referindo-se a partes por milhar, como em água do mar) é altamente salina e corrosiva. Os sais aceleram a corrosão do aço inoxidável da câmara e formam incrustações, comprometendo a integridade do equipamento e a eficácia do processo. Não é a característica desejada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Água salobra, com salinidade inferior a 15, ainda contém sais dissolvidos em quantidade suficiente para causar incrustações e corrosão. Embora menos salina que a água do mar, não é adequada para uso em autoclave, pois o acúmulo de sais ao longo do tempo danifica o equipamento.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A água destilada é obtida por evaporação ou ebulição, seguida de condensação do vapor. Esse processo remove a grande maioria dos sais minerais dissolvidos, prevenindo a formação de incrustações e a corrosão. É a água recomendada para uso em autoclaves, garantindo eficiência na transferência de calor e durabilidade do equipamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A água ultrapura do tipo I é a de mais alta pureza, com resistividade de 18,2 MΩ·cm, usada em análises sensíveis (como HPLC, espectrometria). Embora seja pura, sua produção é cara e desnecessária para a autoclavação. A água destilada já atende aos requisitos de evitar incrustações, sendo a escolha econômica e prática. A descrição "contém apenas um número equilibrado de íons H+ e OH–" é uma simplificação incorreta, pois a água ultrapura também pode conter outros íons em concentrações mínimas.