Questão de Biologia — Controle de Vetores e Zoonoses — FGV 2024
Biologia›Controle de Vetores e Zoonoses
Código
fg161684
Banca
FGV
Órgão
ENARE
Ano
2024
Cargo
RMAPS ( )
As arboviroses são doenças causadas por vírus que são transmitidas por insetos, principalmente, mosquitos. Entre esses, destaca-se o Aedes agypetis, díptero transmissor de três arboviroses tropicais conhecidas como Dengue, Chikungunya e Zika. Uma das medidas profiláticas recentemente adotada pela Organização Mundial da Saúde e utilizada em Recife, PE, é a adoção de manipulação genética ou a ação ionizante para a utilização da técnica do inseto estéril. Por meio dessa medida, o combate ao mosquito ocorre devido
Aao aumento da prole infértil resultando do cruzamento dos novos indivíduos inseridos na população original.
Bá diminuição do tamanho populacional da espécie do gênero Flavivirus devido a esterilidade das fêmeas.
Cao aumento da competição intraespecífica de machos férteis de Aedes agypetis por fêmeas dessa mesma espécie.
Dà redução do tamanho populacional ao longo do tempo já que o número de prole reduzirá com o passar das gerações.
Eao aumento significativo de machos na população que não possuem não são hematófagos e, portanto, diminuirão as chances de transmissão da doença.
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GabaritoD — à redução do tamanho populacional ao longo do tempo já que o número de prole reduzirá com o passar das gerações.
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Técnica do inseto estéril no controle de arboviroses
Gabarito: letra D. A técnica do inseto estéril (TIE) reduz a população do mosquito ao longo das gerações porque machos esterilizados por radiação ionizante ou manipulação genética, ao cruzarem com fêmeas selvagens, geram ovos inviáveis — ou seja, a prole não nasce, e o número de descendentes cai progressivamente. O erro central das demais alternativas está em confundir o mecanismo (esterilidade dos machos) com outros efeitos, como aumento da prole infértil, competição intraespecífica ou mudança na proporção sexual.
A TIE é uma estratégia de controle populacional baseada na liberação em massa de machos estéreis. O princípio é simples: se uma fêmea acasala com um macho estéril, os ovos que ela produz não se desenvolvem — ela "desperdiça" um ciclo reprodutivo. Como as fêmeas de Aedes aegypti geralmente acasalam uma única vez, esse acasalamento com macho estéril elimina a chance de ela gerar descendentes férteis naquele ciclo. Ao longo das gerações, a proporção de machos estéreis na população aumenta, e cada vez mais fêmeas acasalam com eles, reduzindo o número de novos mosquitos. O resultado é a diminuição gradual do tamanho populacional, exatamente o que a alternativa D descreve.
A esterilização pode ser feita por radiação ionizante (raios gama ou raios X) ou por manipulação genética. No caso da radiação, os machos são criados em laboratório, esterilizados e liberados no ambiente. A manipulação genética, por sua vez, pode envolver a introdução de genes que tornam a prole inviável ou que reduzem a capacidade de transmissão de patógenos. Em ambos os casos, o objetivo é o mesmo: reduzir a população do vetor e, consequentemente, a transmissão das arboviroses.
É importante distinguir a TIE de outras estratégias de controle. A competição intraespecífica (alternativa C) ocorre naturalmente quando há disputa por recursos, mas a TIE não depende dela — o efeito é direto sobre a fertilidade. A alternativa E confunde o comportamento: machos de Aedes aegypti não são hematófagos (apenas as fêmeas picam), mas a TIE não atua aumentando a proporção de machos na população; ela atua esterilizando os machos já existentes. A alternativa A inverte o mecanismo: a prole não é infértil, ela simplesmente não nasce (os ovos não eclodem). A alternativa B erra ao atribuir a esterilidade às fêmeas — na TIE, os machos é que são esterilizados.
A pegadinha central desta questão é o mecanismo de ação: a banca explora a confusão entre "prole infértil" (alternativa A) e "prole que não nasce" (alternativa D). Na TIE, os ovos resultantes do cruzamento com macho estéril não se desenvolvem — não há prole infértil, há ausência de prole. É essa distinção que separa a alternativa correta das demais.
1Cria machos em laboratório
2Esteriliza (radiação/genética)
3Libera em massa no ambiente
4Fêmea acasala com macho estéril
5Ovos não se desenvolvem
6População cai ao longo das gerações
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a TIE causa "aumento da prole infértil resultando do cruzamento dos novos indivíduos inseridos na população original". O erro está em dizer que há aumento da prole: na TIE, os ovos gerados pelo cruzamento com macho estéril não se desenvolvem, ou seja, não há prole — infértil ou não. O efeito é a redução do número de descendentes, não o aumento de descendentes inférteis.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a TIE causa "diminuição do tamanho populacional da espécie do gênero Flavivirus devido a esterilidade das fêmeas". Há dois erros: (1) Flavivirus é o gênero do vírus (dengue, zika, febre amarela), não do mosquito — o vetor é o Aedes aegypti, um inseto; (2) na TIE, quem é esterilizado são os machos, não as fêmeas. As fêmeas continuam férteis, mas acasalam com machos estéreis e não produzem descendentes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a TIE atua por "aumento da competição intraespecífica de machos férteis de Aedes aegypti por fêmeas dessa mesma espécie". A competição intraespecífica é um fenômeno ecológico natural, mas não é o mecanismo da TIE. Na TIE, os machos liberados são estéreis, não férteis, e o efeito não é competição por fêmeas, mas sim a esterilização dos acasalamentos.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a TIE causa "redução do tamanho populacional ao longo do tempo já que o número de prole reduzirá com o passar das gerações". É exatamente o mecanismo: machos estéreis liberados acasalam com fêmeas selvagens, que não produzem descendentes viáveis. A cada geração, a proporção de machos estéreis aumenta e o número de novos mosquitos diminui, reduzindo a população ao longo do tempo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a TIE causa "aumento significativo de machos na população que não possuem não são hematófagos e, portanto, diminuirão as chances de transmissão da doença". Há dois erros: (1) a TIE não aumenta a proporção de machos na população — ela esteriliza machos já existentes e os libera; (2) embora seja verdade que machos de Aedes aegypti não são hematófagos (apenas as fêmeas picam), esse não é o mecanismo da TIE. O efeito da TIE é sobre a fertilidade, não sobre a proporção sexual ou o comportamento alimentar.
Gabarito: letra D — a técnica do inseto estéril reduz a população do mosquito ao longo das gerações, pois os cruzamentos com machos estéreis não geram prole viável.