Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FGV 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fg164017
Banca
FGV
Órgão
Pref SJC
Ano
2024
Cargo
Ag SG ( )

Texto:

 

Crescimento Zero

 

Alex Grijelmo

 

Parece difícil que nos resignemos a não crescer. O crescimento de qualquer de nossas posses forma parte das ideias positivas. Hão de crescer as crianças, os músculos, os seios, nossos negócios e, obviamente, também a economia. Este caso é, porém, o mais transcendental, porque mesmo quando a economia não cresce, dizemos que cresceu: porque “cresceu zero”.

 

O eufemismo que está presente em “crescimento zero” consegue unir um conceito positivo (crescimento) com outro negativo (o não-crescimento), para neutralizar o efeito deste (e, além disso, se apela a um número que não é exatamente negativo: o zero).

 

Os economistas e os políticos empregam muito bem esses vocábulos para contentar-nos, mesmo quando a economia decresce, porque então falam de “crescimento negativo”.

 

Vejamos o lado bom da coisa, porque devemos agradecer o fato de que as pessoas das ciências tenham sabido escolher muito bem as palavras, ainda que seja para esconder os números.

Em todas as opções abaixo há segmentos do texto com o vocábulo “que”, que foram reescritos de modo a eliminar esse vocábulo, mantendo-se o sentido original.

 

Assinale a opção em que essa modificação foi feita de modo correto e adequado.

  1. AParece difícil que nos resignemos / Parece difícil resignarmos- nos.
  2. BO eufemismo que está presente em “crescimento zero” / O eufemismo presente em “crescimento zero”.
  3. Cse apela a um número que não é exatamente negativo / se apela a um número não sendo exatamente negativo.
  4. Ddevemos agradecer o fato de que as pessoas das ciências tenham sabido / devemos agradecer o fato das pessoas das ciências tenham sabido.
  5. Eainda que seja para esconder os números / ainda terem sido para esconder os números.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — O eufemismo que está presente em “crescimento zero” / O eufemismo presente em “crescimento zero”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita sem o vocábulo "que" — manutenção do sentido

Gabarito: letra B. A única reescrita que elimina o "que" sem alterar o sentido é a B: "O eufemismo que está presente em 'crescimento zero'" vira "O eufemismo presente em 'crescimento zero'", pois o "que" ali é pronome relativo e a oração adjetiva "que está presente" pode ser reduzida para o adjetivo "presente", mantendo a mesma referência e o mesmo valor. As demais opções ou mudam o sentido, ou quebram a gramática, ou alteram a relação lógica entre as ideias.

O comando pede uma reescrita que elimine o vocábulo "que" mantendo o sentido original. Isso significa que a transformação deve ser semanticamente equivalente e gramaticalmente correta. Não basta eliminar o "que" de qualquer jeito: é preciso que a nova estrutura preserve exatamente o que o "que" fazia na frase — seja como pronome relativo (retomando um termo), seja como conjunção integrante (ligando uma oração subordinada substantiva), seja como partícula expletiva (de realce).

No texto, o "que" aparece em cinco construções diferentes. A questão testa se o candidato reconhece a função sintática de cada ocorrência e sabe qual transformação é legítima. A alternativa B é a única em que a eliminação é feita por redução de oração adjetiva: o pronome relativo "que" + verbo "estar" é substituído por um adjunto adnominal (o adjetivo "presente"), sem perda de sentido. Nas demais, a reescrita ou inverte a relação lógica, ou cria uma construção agramatical, ou muda o tempo verbal.

A técnica central é: identifique a função do "que" antes de reescrever. Se for pronome relativo, a oração adjetiva pode ser reduzida (trocar por adjetivo, particípio ou gerúndio). Se for conjunção integrante, a oração substantiva pode ser trocada por um infinitivo (desde que o sujeito seja o mesmo). Se for partícula expletiva, pode ser simplesmente retirada. Cada alternativa exige uma análise específica — e é isso que vamos fazer agora.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura reescritas que mudam o sentido (como a C, que transforma uma restrição em negação) com reescritas agramaticais (como a D e a E). A única que faz a redução correta é a B. O candidato que não identifica a função do "que" cai na armadilha de aceitar uma reescrita que "soa bem" mas altera o conteúdo.

Função do "que"

Reescrita correta

Reescrita incorreta

Pronome relativo (oração adjetiva)

Reduzir para adjetivo/particípio (B)

Trocar por gerúndio (C) — muda o sentido

Conjunção integrante (oração substantiva)

Reduzir para infinitivo (com regência correta)

Eliminar "de" e quebrar regência (D)

Locução conjuntiva concessiva

Manter o valor de concessão

Trocar por "ainda terem sido" (E) — perde a concessão

Conjunção integrante (oração subjetiva)

Reduzir para infinitivo com colocação correta

"resignarmos- nos" — grafia/colocação erradas (A)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Parece difícil que nos resignemos" → "Parece difícil resignarmo-nos".

Aqui o "que" é conjunção integrante e a oração "que nos resignemos" é subjetiva (funciona como sujeito de "parece"). A reescrita troca a oração desenvolvida por uma oração reduzida de infinitivo — o que, em tese, é possível. Porém, há um erro de colocação pronominal: o correto seria "resignarmo-nos" (com hífen e sem espaço), e não "resignarmos- nos" como está na alternativa. Além disso, a forma "resignarmo-nos" exige a próclise ou a ênclise adequada ao contexto; a grafia apresentada está incorreta (o hífen separado do pronome). A reescrita, portanto, não é adequada do ponto de vista gramatical.

Erro: quebra da norma de colocação pronominal e grafia incorreta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"O eufemismo que está presente em 'crescimento zero'" → "O eufemismo presente em 'crescimento zero'".

O "que" é pronome relativo e inicia uma oração adjetiva restritiva: "que está presente" restringe o sentido de "eufemismo". A reescrita reduz a oração substituindo o verbo "estar" + "que" pelo adjetivo "presente", que funciona como adjunto adnominal. O sentido é exatamente o mesmo: o eufemismo que está presente é o eufemismo presente. Não há mudança de tempo, de modo ou de relação lógica. A transformação é correta e adequada.

"O eufemismo que está presente em 'crescimento zero'" → "O eufemismo presente em 'crescimento zero'".

A redução de oração adjetiva para adjetivo é um recurso legítimo e preserva a referência. É a única alternativa que mantém integralmente o sentido e a correção gramatical.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"se apela a um número que não é exatamente negativo" → "se apela a um número não sendo exatamente negativo".

O "que" é pronome relativo e a oração "que não é exatamente negativo" é adjetiva restritiva: ela restringe o tipo de número (um número que não é negativo). A reescrita troca a oração por um gerúndio "não sendo", o que altera o sentido: o gerúndio sugere uma circunstância (causa, condição, modo), não uma característica do número. "Um número não sendo exatamente negativo" soa como "um número, na condição de não ser negativo", o que é diferente de "um número que não é negativo". Além disso, a construção com gerúndio fica ambígua e agramatical nesse contexto.

Erro: mudança de sentido — a oração adjetiva restritiva vira uma construção com valor circunstancial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"devemos agradecer o fato de que as pessoas das ciências tenham sabido" → "devemos agradecer o fato das pessoas das ciências tenham sabido".

Aqui o "que" é conjunção integrante e inicia uma oração subordinada substantiva completiva nominal (complemento de "fato"). A reescrita elimina o "que" e a preposição "de", mas quebra a regência: o correto seria "o fato de as pessoas... terem sabido" (com a preposição "de" e o verbo no infinitivo ou no subjuntivo com o "que"). A forma apresentada, "o fato das pessoas das ciências tenham sabido", está agramatical: falta a preposição "de" antes de "as pessoas" e o verbo "ter" deveria concordar com "as pessoas" ("terem"). A reescrita não é correta.

Erro: quebra de regência e concordância — a preposição "de" é obrigatória e o verbo "ter" não concorda.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"ainda que seja para esconder os números" → "ainda terem sido para esconder os números".

O "que" aqui faz parte da locução conjuntiva concessiva "ainda que", que introduz uma oração subordinada adverbial concessiva (equivale a "embora"). A reescrita troca a locução por "ainda terem sido", o que elimina o valor concessivo e altera completamente o sentido: "ainda que seja" expressa uma concessão (apesar de ser), enquanto "ainda terem sido" expressa uma ideia de tempo ou de adição (até terem sido). Além disso, a construção "ainda terem sido" é agramatical nesse contexto, pois não há verbo auxiliar que justifique o particípio "sido" sem um "ter" anterior adequado.

Erro: mudança de sentido — a locução concessiva é substituída por uma construção sem valor de concessão, além de ser agramatical.

Conclusão: a questão testa a função do "que" e a reescrita semântica e gramaticalmente equivalente. A única alternativa que faz a redução correta, mantendo o sentido e a correção, é a B. As demais ou mudam o sentido (C, E), ou quebram a gramática (A, D).

PEGA ESSA DICA!

Antes de reescrever, identifique a função do "que": pronome relativo (oração adjetiva), conjunção integrante (oração substantiva) ou partícula expletiva. Só então decida se a redução é possível e como fazê-la. Desconfie de reescritas que trocam a estrutura por um gerúndio ou por uma locução sem valor equivalente.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/fg164017