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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — FGV 2024

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
fg164019
Banca
FGV
Órgão
CM SP
Ano
2024
Cargo
Cons Leg ( )

Observe o seguinte texto:

 

“Ninguém sabe o que verdadeiramente sente: é possível sentirmos alívio com a morte de alguém querido, e julgar que estamos sentindo pena, porque é isso que se deve sentir nessas ocasiões; a maioria da gente sente convencionalmente, embora com a maior sinceridade humana.” (Fernando Pessoa)

 

O texto transcrito acima está inserido entre os textos argumentativos; assinale a característica desses textos, abaixo indicada, que está ausente desse exemplo dado.

  1. ATema controverso e polêmico.
  2. BConfrontação entre proponente e oponente.
  3. CApresentação clara de uma tese.
  4. DUtilização de argumentos em defesa da tese.
  5. ETentativa de mudar o comportamento do leitor.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Tentativa de mudar o comportamento do leitor.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Características do texto argumentativo ausentes no fragmento de Fernando Pessoa

Gabarito: letra E. A característica ausente no fragmento é a tentativa de mudar o comportamento do leitor — o texto de Pessoa é uma reflexão filosófica que expõe uma tese e a sustenta com argumentos, mas não busca persuadir o leitor a agir de determinada forma. Como se vê, o autor apenas constata um comportamento humano (“a maioria da gente sente convencionalmente”), sem apelar a qualquer mudança de atitude.

O comando pede que você identifique qual das características típicas do texto argumentativo não está presente no exemplo. Isso exige, primeiro, reconhecer o que é um texto argumentativo: aquele que defende um ponto de vista (tese) por meio de argumentos, com o objetivo de convencer o interlocutor. Mas atenção: “convencer” aqui significa fazer o leitor aderir a uma ideia, não necessariamente mudar seu comportamento. Essa distinção é a chave da questão.

No fragmento, Pessoa apresenta uma tese — “Ninguém sabe o que verdadeiramente sente” — e a desenvolve com um argumento: é possível sentir alívio com a morte de alguém e julgar que sentimos pena, porque é isso que “se deve sentir”. Há, portanto, tema controverso (a natureza dos sentimentos), tese clara e argumentação. O que falta é o apelo à ação, o caráter injuntivo que alguns textos argumentativos (como propagandas ou discursos políticos) possuem, mas que não é essencial à argumentação.

A pegadinha está em confundir a finalidade geral do texto argumentativo (persuadir) com a específica de mudar comportamento. Persuadir pode ser apenas fazer o leitor concordar com uma opinião; mudar comportamento é um passo além, típico de textos injuntivos ou apelativos. O fragmento de Pessoa é dissertativo-argumentativo, não injuntivo.

Texto argumentativo
  • 1Presentes no fragmento
    • Tema controverso (natureza dos sentimentos)
    • Tese clara ("Ninguém sabe o que sente")
    • Argumentos (exemplo do alívio × pena)
    • Confrontação implícita
      • convenção social × verdade interior
  • 2Ausente no fragmento
    • Tentativa de mudar o comportamento do leitor
      • Não há ordem, conselho ou instrução
      • É reflexão, não apelo à ação
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Tema controverso e polêmico está presente. O texto discute a natureza dos sentimentos humanos — tema que admite divergências (o que sentimos de verdade? sentimos o que devemos sentir?). A própria afirmação “Ninguém sabe o que verdadeiramente sente” é polêmica, pois contraria a ideia comum de que sabemos o que sentimos. Logo, não é a ausente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Confrontação entre proponente e oponente está presente de forma implícita. O autor contrapõe o que “se deve sentir” (opinião social) ao que realmente se sente (alívio). Há um embate entre a convenção social e a verdade interior — uma oposição de ideias que caracteriza a confrontação argumentativa. Portanto, não é a ausente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Apresentação clara de uma tese está presente. A tese é “Ninguém sabe o que verdadeiramente sente” — frase inicial que sintetiza a posição do autor. Todo o restante do período explica e justifica essa tese. Logo, não é a ausente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Utilização de argumentos em defesa da tese está presente. O autor argumenta ao afirmar que “é possível sentirmos alívio com a morte de alguém querido, e julgar que estamos sentindo pena, porque é isso que se deve sentir” — ou seja, exemplifica e justifica a tese com um caso concreto. Há, portanto, argumentação. Não é a ausente.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Tentativa de mudar o comportamento do leitor está ausente. O texto nãoconselhos, ordens ou instruções; não diz ao leitor o que fazer. É uma reflexão sobre como as pessoas sentem — uma constatação, não um apelo à ação. A finalidade é fazer pensar, não mudar atitudes. Por isso, é a característica que falta.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a característica ausente, pergunte: “o texto ordena, aconselha ou convida o leitor a agir?”. Se a resposta for não, a característica ausente é a persuasão para a ação — típica de textos injuntivos, não dos dissertativo-argumentativos.

Gabarito: letra E — a única característica que o fragmento não apresenta é a tentativa de mudar o comportamento do leitor, pois o texto é uma reflexão, não um apelo à ação.

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