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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg164023
Banca
FGV
Órgão
CM SP
Ano
2024
Cargo
Cons Leg ( )
Observe o seguinte texto:   “A grande maioria das democracias tem em sua organização política a não-obrigatoriedade do voto, mas o Brasil está contra a corrente. Até quando?”   Nesse caso, a defesa do voto não-obrigatório se apoia
  1. Ano pensamento de que os países economicamente desenvolvidos adotam políticas mais adiantadas.
  2. Bno conhecimento ou experiência pessoal do emissor.
  3. Cna ideia de que a maioria escolhe sempre o que é correto ou verdadeiro.
  4. Dnas opiniões abalizadas de especialistas.
  5. Ena fama de alguns países que são valorizados socialmente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — na ideia de que a maioria escolhe sempre o que é correto ou verdadeiro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A defesa do voto facultativo e o argumento da maioria

Gabarito: letra C. A defesa do voto não-obrigatório se apoia na ideia de que a maioria escolhe sempre o que é correto ou verdadeiro — é o que o texto autoriza ao afirmar que "a grande maioria das democracias" adota a não-obrigatoriedade e que o Brasil "está contra a corrente". O raciocínio implícito é: se a maioria faz assim, então é o certo; logo, o Brasil deveria seguir. As demais alternativas extrapolam o texto, acrescentando informações que ele não traz (desenvolvimento econômico, experiência pessoal, especialistas, fama).

O comando: compreensão ou inferência?

O enunciado pergunta em que a defesa "se apoia" — ou seja, pede que você identifique o argumento subjacente à frase. Isso é inferência: a resposta não está literalmente escrita (o texto não diz "a maioria está certa"), mas é uma dedução ancorada em pistas do próprio texto. A pista é a expressão "a grande maioria" + a pergunta retórica "Até quando?", que juntas sugerem: se a maioria faz, é porque é o melhor caminho.

O texto: tese e movimento argumentativo

O texto é um fragmento argumentativo (defende o voto facultativo). A tese está implícita: o Brasil deveria adotar o voto não-obrigatório. O argumento usado é o argumento de maioria (também chamado ad populum): apela-se ao fato de que "a grande maioria das democracias" já adota essa prática para convencer o leitor de que ela é correta. A pergunta final "Até quando?" reforça a ideia de que o Brasil está atrasado em relação a essa tendência majoritária.

A técnica que decide: argumento de maioria × outras fontes de autoridade

A questão testa se você reconhece o tipo de argumento usado. O texto não recorre a especialistas, dados econômicos, experiência pessoal do autor nem à fama de países — ele se apoia exclusivamente no fato de a maioria das democracias adotar o voto facultativo. Isso é o argumento de maioria: acredita-se que o que a maioria faz é o correto. As alternativas erradas tentam extrapolar o texto, atribuindo-lhe fundamentos que ele não menciona.

Análise das alternativas

1Estrutura
"A grande maioria das democracias adota"
"Brasil está contra a corrente"
"Até quando?" (retórica)
2Inferência implícita
Se a maioria faz → é o correto
Brasil deveria seguir
3O que NÃO é (extrapolações)
Desenvolvimento econômico
Experiência pessoal
Especialistas
Fama dos países
Argumento de maioria (ad populum)
LEVELsoulevel.com.br
Argumento de maioria (ad populum): Estrutura ("A grande maioria das democracias adota", "Brasil está contra a corrente", "Até quando?" (retórica)); Inferência implícita (Se a maioria faz → é o correto, Brasil deveria seguir); O que NÃO é (extrapolações) (Desenvolvimento econômico, Experiência pessoal, Especialistas, Fama dos países)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não menciona desenvolvimento econômico nem políticas "mais adiantadas". A expressão "contra a corrente" refere-se apenas à tendência majoritária, não a um juízo de progresso econômico. A alternativa acrescenta uma ideia que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não traz nenhuma marca de experiência pessoal do emissor (como "eu acho" ou "na minha opinião"). A defesa se apoia em um dado externo (a maioria das democracias), não em vivência individual.

Alternativa C — ✅ Correta

Fundamento: o texto afirma que "a grande maioria das democracias" adota a não-obrigatoriedade e pergunta "Até quando?" o Brasil ficará "contra a corrente". A inferência é que, por ser a maioria, essa prática é considerada correta ou verdadeira. É o argumento de maioria.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. Não há menção a especialistas ou opiniões abalizadas. O texto não cita nenhuma autoridade técnica; apoia-se apenas no dado quantitativo da maioria.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não fala em fama ou valorização social de países. A referência é a "democracias" em geral, sem juízo de prestígio.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o argumento de maioria (ad populum) e outras fontes de autoridade (especialistas, experiência pessoal, desenvolvimento econômico). A alternativa C é a única que captura o raciocínio implícito de que "se a maioria faz, é o certo".

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o argumento de um texto, pergunte: "o autor se apoia em quê?" — em dados, em autoridade, em experiência ou em maioria? A resposta está na pista textual, não no que você acha que seria um bom argumento.

Gabarito: letra C.

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