Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — FGV 2024
- Código
- fg164028
- Banca
- FGV
- Órgão
- CM SP
- Ano
- 2024
- Cargo
- Cons Leg ( )
- Ao comentário.
- Ba caracterização.
- Ca narração.
- Da descrição.
- Ea definição.
GabaritoE — a definição.
Gabarito: letra E. O fragmento apresenta a definição de discurso expositivo: o autor delimita o conceito por meio de uma fórmula clássica — “O discurso expositivo é aquele que tem por finalidade fundamental transmitir, trocar e compartir informações...” —, ou seja, define o termo antes de qualquer outra coisa. A forma do discurso expositivo que predomina é a definição, pois o texto responde à pergunta “o que é?” de maneira genérica e abstrata, sem descrever um objeto concreto, sem narrar fatos e sem opinar.
A questão pede que você identifique a forma do discurso expositivo predominante no fragmento. Isso é uma tarefa de classificação tipológica: você deve reconhecer qual estrutura textual (definição, descrição, narração, comentário, caracterização) organiza o trecho. Não se trata de interpretar o conteúdo, mas de reconhecer o modo de organização do discurso.
O fragmento é um verbete ou definição conceitual: ele estabelece o que é “discurso expositivo”. A estrutura é típica da definição:
“O discurso expositivo é aquele que tem por finalidade fundamental transmitir, trocar e compartir informações e conhecimentos sobre os temas que nele se tratam a um receptor que possui menor grau de conhecimento do que o emissor do discurso.”
Observe os elementos que caracterizam a definição:
Verbo de ligação (“é”) + predicativo (“aquele que tem por finalidade...”): estrutura de identificação.
Generalização: não se refere a um discurso específico, mas à classe “discurso expositivo”.
Abstração: define uma categoria (tipo de discurso), não um objeto concreto.
A definição é uma forma de organização textual que delimita o significado de um termo, apresentando suas características essenciais e genéricas. Ela responde à pergunta “o que é?”. Já a descrição pormenoriza algo concreto (uma pessoa, um lugar, um objeto), com riqueza de detalhes sensoriais. A caracterização é um recurso que pode aparecer tanto na descrição quanto na definição, mas não é uma forma autônoma de discurso. A narração conta fatos em sequência temporal. O comentário expressa uma opinião ou avaliação.
No fragmento, não há progressão temporal (logo, não é narração), não há detalhamento sensorial de um objeto (logo, não é descrição), não há juízo de valor (logo, não é comentário). Há apenas a apresentação do conceito de discurso expositivo — exatamente o que faz a definição.
O comentário expressa uma opinião ou avaliação do autor sobre algo. O fragmento não emite juízo de valor; ele apenas informa o que é o discurso expositivo. Não há marcas de subjetividade (como “na minha opinião”, “é lamentável”, “certamente”). Portanto, não é comentário.
A caracterização é um recurso que descreve atributos de algo, mas não é uma forma autônoma de discurso. No fragmento, há uma caracterização do discurso expositivo (“aquele que tem por finalidade...”), mas ela está a serviço da definição: o objetivo é delimitar o conceito, não simplesmente enumerar qualidades. A caracterização é um meio, não o fim.
A narração conta uma história com personagens, tempo, espaço e enredo, em sequência cronológica. O fragmento não apresenta nenhum desses elementos: não há fatos, não há personagens, não há progressão temporal. Portanto, não é narração.
A descrição pormenoriza algo concreto (pessoa, lugar, objeto) com detalhes sensoriais e adjetivação. O fragmento trata de um conceito abstrato (discurso expositivo) e não oferece detalhes sensoriais — não diz como ele “parece”, “cheira” ou “soa”. A descrição é estática e concreta; a definição é abstrata e genérica. Por isso, não é descrição.
A definição é a forma que delimita o significado de um termo, apresentando suas características essenciais de modo genérico. O fragmento faz exatamente isso: define “discurso expositivo” como “aquele que tem por finalidade fundamental transmitir, trocar e compartir informações...”. A estrutura “X é Y” com verbo de ligação e predicativo é a marca típica da definição. Portanto, é a definição.
A banca explora a confusão entre descrição e definição. Ambas caracterizam, mas a descrição pormenoriza algo concreto e sensorial; a definição delimita um conceito abstrato e genérico. O fragmento é abstrato e genérico — logo, definição.
Para distinguir definição de descrição, pergunte: “o texto responde a ‘o que é?’ (definição) ou a ‘como é?’ (descrição)?”. Se responde a “o que é”, com verbo de ligação e generalização, é definição.
Conclusão: a forma do discurso expositivo que predomina no fragmento é a definição, pois o texto delimita o conceito de discurso expositivo de forma genérica e abstrata, sem descrever, narrar ou opinar. Gabarito: letra E.
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