Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FGV 2024
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Código
fg164029
Banca
FGV
Órgão
CM SP
Ano
2024
Cargo
Cons Leg ( )
Sobre a organização geral dos textos, assinale a observação inadequada sobre o fragmento textual destacado.
ASegmento redundante ou sem informações novas: “Graças às análises, eu pude aprender bastante sobre a evolução da Psicologia. Elas também me permitiram compreender como a psicologia evoluiu ao longo da história.”.
BSegmento sem conexão semântica com os demais: “O fato de nos sentirmos bem em nossa casa, onde nossa vida privada é respeitada, prova que somos geralmente mal julgados pela sociedade.
CUtilização de conector inadequado: “Todos os funcionários da empresa deviam trajar passeio completo na cerimônia, à medida que a temperatura ambiente estivesse bastante quente.
DPresença de uma contradição interna: “Há duas semanas escrevi um texto para comunicar a enorme injustiça que vivi ontem.”
EConflito na utilização de tempos verbais: “Há mais ou menos um mês eu havia descoberto uma velha caixa e pude verificar que havia muitas fotos antigas da família dentro dela.
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GabaritoE — Conflito na utilização de tempos verbais: “Há mais ou menos um mês eu havia descoberto uma velha caixa e pude verificar que havia muitas fotos antigas da família dentro dela.
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Conflito de tempos verbais e organização textual
Gabarito: letra E. A única observação inadequada é a da alternativa E, pois o fragmento não apresenta conflito na utilização de tempos verbais. O trecho "Há mais ou menos um mês eu havia descoberto uma velha caixa e pude verificar que havia muitas fotos antigas da família dentro dela" combina corretamente o pretérito mais-que-perfeito composto ("havia descoberto") com o pretérito perfeito ("pude"), indicando uma ação anterior a outra no passado — relação temporal perfeitamente coerente. As demais alternativas apontam, com precisão, problemas reais de organização textual.
O comando pede que se assinale a observação inadequada, ou seja, a alternativa que não descreve corretamente um defeito do fragmento. Isso muda a estratégia: em vez de procurar a afirmação verdadeira, busca-se a que erra ao diagnosticar o texto. É uma questão de análise metalinguística — o candidato deve julgar se o rótulo dado ao fragmento (redundância, falta de conexão, conector inadequado, contradição, conflito verbal) corresponde ao que o trecho realmente apresenta.
A técnica central é testar cada rótulo contra o fragmento. Para a alternativa E, é preciso dominar a correlação de tempos verbais: o pretérito mais-que-perfeito (simples ou composto) expressa um fato anterior a outro fato passado. No trecho, "havia descoberto" (mais-que-perfeito composto) ocorre antes de "pude verificar" (pretérito perfeito). Essa sequência é exatamente a esperada — não há conflito algum. A banca tenta atrair o candidato que, ao ver dois tempos passados diferentes, imagina uma inconsistência onde não existe.
As alternativas A a D, ao contrário, identificam problemas genuínos. A letra A aponta redundância: "aprender bastante sobre a evolução da Psicologia" e "compreender como a psicologia evoluiu" dizem a mesma coisa com palavras diferentes. A letra B mostra um salto lógico: sentir-se bem em casa não tem relação direta com ser mal julgado pela sociedade. A letra C usa "à medida que" (proporção) onde caberia uma condição ou concessão. A letra D expõe contradição temporal: "há duas semanas" e "ontem" são incompatíveis.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a falsa percepção de conflito verbal. O candidato que não domina a correlação de tempos vê dois passados diferentes e conclui que há erro — mas o mais-que-perfeito composto seguido de pretérito perfeito é a construção correta para narrar um fato anterior a outro no passado.
Organização textual
1Problemas reais (A–D)
Redundância (A)
Falta de conexão semântica (B)
Conector inadequado (C)
Contradição interna (D)
2Falso problema (E)
Correlação verbal correta
Havia descoberto (mais-que-perfeito)
Pude verificar (pretérito perfeito)
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Alternativa A — ✅ Correta
O fragmento é, de fato, redundante. A primeira oração afirma que o autor "aprendeu bastante sobre a evolução da Psicologia"; a segunda repete a mesma ideia: "compreender como a psicologia evoluiu ao longo da história". Há repetição de conteúdo com palavras diferentes — um caso clássico de redundância, pois a segunda frase não acrescenta informação nova. A observação é adequada.
Alternativa B — ✅ Correta
O fragmento apresenta falta de conexão semântica. A premissa "nos sentimos bem em nossa casa, onde nossa vida privada é respeitada" não conduz logicamente à conclusão "prova que somos geralmente mal julgados pela sociedade". Não há relação de causa e consequência entre sentir-se bem em casa e ser mal julgado em sociedade — o elo lógico está ausente. A observação é adequada.
Alternativa C — ✅ Correta
O conector "à medida que" expressa proporção (uma ação que ocorre na mesma medida que outra). No fragmento, "trajar passeio completo na cerimônia, à medida que a temperatura ambiente estivesse bastante quente" não estabelece proporção — a temperatura não determina a obrigação de trajar passeio completo. O conector adequado seria "já que" ou "porque" (causa) ou "embora" (concessão). A observação é adequada.
Alternativa D — ✅ Correta
Há uma contradição interna evidente: "Há duas semanas escrevi um texto" situa a escrita no passado, mas "a enorme injustiça que vivi ontem" situa o fato vivido em momento posterior à escrita. É impossível escrever sobre um evento que ainda não ocorreu. A observação é adequada.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
O fragmento não apresenta conflito de tempos verbais. A construção é gramatical e semanticamente correta:
"Há mais ou menos um mês eu havia descoberto uma velha caixa e pude verificar que havia muitas fotos antigas da família dentro dela."
O pretérito mais-que-perfeito composto ("havia descoberto") indica uma ação anterior a outra ação passada ("pude verificar"). Essa é a correlação temporal esperada para narrar eventos passados em sequência. Não há conflito — há, ao contrário, um uso exemplar da correlação verbal. A observação é inadequada.
PEGA ESSA DICA!
Ao julgar "conflito de tempos verbais", pergunte: a sequência temporal faz sentido? O mais-que-perfeito (ação anterior) seguido do perfeito (ação posterior) é a ordem natural. Desconfie apenas quando a ordem dos fatos for invertida ou quando tempos incompatíveis (ex.: presente + pretérito perfeito) se misturarem sem justificativa.
Conclusão: a questão testa a capacidade de diagnosticar problemas de organização textual. As alternativas A a D identificam corretamente redundância, falta de conexão, conector inadequado e contradição. A letra E erra ao apontar conflito verbal onde há correlação correta entre mais-que-perfeito composto e pretérito perfeito. Como a banca pediu a observação inadequada, o gabarito é a letra E.