Assinale a frase abaixo – retirada do romance A Mão e a Luva, de Machado de Assis, em que a palavra ainda mostra valor concessivo (=embora).
AUma mulher jovem deve usar maquiagem. Uma velha, mais maquiagem ainda.
BO microscópio serve somente para confundir-nos ainda mais.
COs dois amigos demoraram-se ainda algum tempo no corredor, um a insistir com o outro para que subisse, o outro a teimar que queria ir morrer...
DMas o certo é que a tempestade serenara; o que havia era uma ressaca, ainda forte, mas que diminuiria com o tempo.
E- Vieste lavar a alma da poeira do caminho, disse Estêvão que, ainda falando em prosa, cultivava as suas metáforas poéticas.
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GabaritoE — - Vieste lavar a alma da poeira do caminho, disse Estêvão que, ainda falando em prosa, cultivava as suas metáforas poéticas.
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Valor concessivo de "ainda"
Gabarito: letra E. A única frase em que "ainda" equivale a "embora" é a E: em "ainda falando em prosa, cultivava as suas metáforas poéticas", o trecho introduz uma concessão — apesar de falar em prosa, cultivava metáforas poéticas. A pista está na quebra de expectativa entre as duas ideias, típica da relação concessiva.
"Vieste lavar a alma da poeira do caminho, disse Estêvão que, ainda falando em prosa, cultivava as suas metáforas poéticas."
Aqui, "ainda" poderia ser substituído por "embora" sem alterar o sentido: "embora falando em prosa, cultivava as suas metáforas poéticas". A oração "ainda falando em prosa" é uma oração subordinada adverbial concessiva reduzida de gerúndio, pois expressa um fato que não impede a ação principal — ele cultivava metáforas poéticas apesar de falar em prosa.
O comando
A questão pede que você identifique o valor semântico da palavra "ainda" em um contexto específico. Não se trata de decorar a classe gramatical, mas de analisar o sentido que a palavra adquire na frase. O comando "mostra valor concessivo (=embora)" já indica o caminho: procure a frase em que "ainda" introduz uma ideia de oposição, de ressalva, e não de tempo, intensidade ou adição.
A técnica
Para resolver, substitua mentalmente "ainda" por "embora" e veja se a frase continua coerente. Se sim, o valor é concessivo. Se a substituição gerar um sentido estranho ou impossível, o valor é outro. Essa é a prova dos nove para identificar concessão.
A palavra "ainda" é polissêmica: pode indicar tempo ("ainda não cheguei"), intensidade ("mais ainda"), adição ("ainda por cima") e concessão ("ainda que"). A banca explora exatamente essa multiplicidade de sentidos, e o contexto é o único critério para decidir.
Análise das alternativas
Valores de "ainda": Tempo ("ainda não cheguei"); Intensidade ("mais ainda"); Adição ("ainda por cima"); Concessão (= embora) (Quebra de expectativa, Substituição por "embora" mantém o sentido)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Uma mulher jovem deve usar maquiagem. Uma velha, mais maquiagem ainda."
Aqui, "ainda" tem valor de intensidade: indica que a quantidade de maquiagem é maior no caso da velha. Não há oposição entre as ideias; há uma gradação. Substituir por "embora" não faria sentido: "mais maquiagem embora" é agramatical. Erro: troca de sentido (intensidade em vez de concessão).
Alternativa B — ❌ Incorreta
"O microscópio serve somente para confundir-nos ainda mais."
"Ainda" aqui reforça o grau do advérbio "mais": indica que a confusão aumenta. É um uso intensificador, não concessivo. A substituição por "embora" destruiria a frase. Erro: troca de sentido (intensidade em vez de concessão).
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Os dois amigos demoraram-se ainda algum tempo no corredor, um a insistir com o outro para que subisse, o outro a teimar que queria ir morrer..."
Aqui, "ainda" tem valor temporal: indica que a demora continuou por mais algum tempo. Não há oposição; há uma extensão no tempo. Substituir por "embora" não faz sentido: "embora algum tempo" é agramatical. Erro: troca de sentido (tempo em vez de concessão).
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Mas o certo é que a tempestade serenara; o que havia era uma ressaca, ainda forte, mas que diminuiria com o tempo."
Aqui, "ainda" tem valor de intensidade: indica que a ressaca era forte naquele momento, mas diminuiria. A palavra "mas" já estabelece a oposição; "ainda" apenas reforça a intensidade. Substituir por "embora" não funciona: "embora forte" mudaria o sentido, pois "embora" introduziria uma concessão que não existe aqui. Erro: troca de sentido (intensidade em vez de concessão).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Vieste lavar a alma da poeira do caminho, disse Estêvão que, ainda falando em prosa, cultivava as suas metáforas poéticas."
Aqui, "ainda" introduz uma concessão: "ainda falando em prosa" = "embora falando em prosa". A oração "ainda falando em prosa" é uma oração subordinada adverbial concessiva reduzida de gerúndio, pois expressa um fato que não impede a ação principal — ele cultivava metáforas poéticas apesar de falar em prosa. A substituição por "embora" mantém o sentido: "embora falando em prosa, cultivava as suas metáforas poéticas". Correta: valor concessivo.
Conclusão
A questão testa a polissemia de "ainda" e a importância do contexto para determinar o valor semântico. A técnica da substituição por "embora" é infalível para identificar concessão. Lembre-se: concessão = quebra de expectativa; se a frase apresenta uma ideia que contraria a outra, o valor é concessivo.
PEGA ESSA DICA!
Ao encontrar "ainda", teste mentalmente a substituição por "embora". Se a frase continuar coerente, é concessão; se não, é tempo, intensidade ou adição.