A frase abaixo em que a utilização do acento grave indicativo da crase está feita de forma correta, é:
APara manter a saúde é necessário começar à amar;
BA mente, como à casa, é mobiliada pelo proprietário;
CSou igual à vara de marmelo. Envergo, mas não quebro;
DOutro dia fui para à academia, mas não gosto de malhar;
EUm pouco de incenso queimado é bom remédio para reajustas às coisas.
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GabaritoC — Sou igual à vara de marmelo. Envergo, mas não quebro;
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Crase: a regra de ouro da fusão preposição + artigo
Gabarito: letra C. A única frase em que o acento grave está corretamente empregado é a C — "Sou igual à vara de marmelo" — porque ali ocorre a fusão da preposição "a" (exigida por "igual a") com o artigo feminino "a" (que determina "vara"). As demais alternativas erram por usar crase diante de verbo, palavra masculina, pronome de tratamento ou por ausência de artigo — casos em que a crase é proibida.
O comando
A questão pede que você identifique a frase em que o acento grave está correto. Isso significa que você deve aplicar a regra de ouro da crase: só há crase quando há fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos/relativos). O teste prático: substitua o termo feminino por um masculino equivalente — se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "ao" sem artigo, não há. Ex.: "Sou igual ao marmelo" → como surge "ao", a forma feminina correta é "à vara".
A técnica que decide
Para cada alternativa, pergunte: há preposição "a" exigida pelo termo anterior? e há artigo feminino "a" antes do substantivo? Se faltar qualquer um dos dois, não há crase. Veja o caso da letra C: "igual" exige preposição "a" (quem é igual, é igual a algo); "vara" é substantivo feminino que admite artigo definido "a". Fusão: a + a = à. Nas demais, falta a preposição ou o artigo, ou há um elemento que repele o artigo (verbo, masculino, pronome de tratamento).
A pegadinha da banca
A FGV adora misturar casos de crase proibida com o caso correto. As alternativas A, B, D e E exploram exatamente os erros clássicos: crase antes de verbo (A), antes de palavra masculina (B), antes de pronome de tratamento (D) e antes de substantivo sem artigo (E). O candidato que decora "crase antes de palavra feminina" sem verificar a preposição cai na armadilha.
Análise das alternativas
Crase (fusão a + a): Requisitos (Preposição "a" (exigida pelo termo anterior), Artigo feminino "a" (ou a de aquele/aquilo)); Teste do masculino (Surge "ao" → há crase, Não surge → não há crase); Casos proibidos (Antes de verbo, Antes de palavra masculina, Antes de pronome de tratamento, Sem artigo (sentido genérico))
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Para manter a saúde é necessário começar à amar"
Erro: crase antes de verbo. "Amar" é verbo no infinitivo — e não se usa crase antes de verbo. A preposição "a" (exigida por "começar a") não se funde com artigo algum, pois verbo não admite artigo. O correto seria "começar a amar". A banca tenta atrair o candidato com a preposição exigida pela locução "começar a", mas falta o artigo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"A mente, como à casa, é mobiliada pelo proprietário"
Erro: crase antes de palavra masculina. "Casa" é substantivo feminino, mas aqui está usada em sentido genérico ("como casa", sem artigo). O correto seria "como a casa" (sem crase), pois não há preposição "a" — "como" não exige preposição. Além disso, se houvesse preposição, seria "como a casa" (comparação), sem fusão. A banca explora a confusão entre "a" artigo e "à" com crase.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Sou igual à vara de marmelo. Envergo, mas não quebro"
Crase correta: preposição "a" + artigo feminino "a". "Igual" exige preposição "a" (quem é igual, é igual a algo); "vara" é substantivo feminino que admite artigo definido "a". Fusão: a + a = à. O teste do masculino confirma: "Sou igual ao marmelo" → como surge "ao", a forma feminina é "à vara". É o único caso em que a crase é obrigatória e correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Outro dia fui para à academia, mas não gosto de malhar"
Erro: crase antes de pronome de tratamento. "Academia" é substantivo feminino, mas "para" é preposição que não admite a preposição "a" — não há fusão. O correto seria "fui para a academia" (sem crase). A banca explora a confusão entre "para a" (preposição + artigo) e "para à" (que não existe). Além disso, "academia" é palavra feminina, mas a preposição "para" não exige "a".
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Um pouco de incenso queimado é bom remédio para reajustas às coisas"
Erro: crase antes de substantivo sem artigo. "Coisas" é substantivo feminino plural, mas aqui está usado em sentido genérico ("coisas" sem artigo definido). O correto seria "reajustar as coisas" (sem crase), pois "reajustar" é verbo transitivo direto (não exige preposição "a"). A banca tenta atrair com o plural "às", mas falta a preposição.
Conclusão
A regra de ouro: só há crase quando há fusão de preposição "a" com artigo feminino "a" (ou com "aquele/aquela/aquilo"). Teste sempre com o masculino: se aparecer "ao", há crase; se não, não há. A única alternativa que cumpre essa regra é a C.